Como surgiu a oração da Ave-Maria?

Uma das orações vocais mais recitadas diariamente por nós, cristãos católicos, e muitas vezes desconhecemos a sua origem.  Não esqueçamos a exortação do Apóstolo S. Pedro: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês“ (1Pd 3, 15).

 A oração da Ave Maria é a prece mariana por antonomásia. Para se chegar à formulação da Ave Maria atual, foi necessário percorrer um caminho de muitos séculos.

Essa oração é composta de duas partes. A primeira consta de uma dupla saudação extraída do Evangelho:

anunciacion_autorpaolodematteis_dominiopublico1 – A saudação do Arcanjo Gabriel, enviado por Deus a fim de anunciar a divina maternidade de Maria: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28);

2 – A saudação de Santa Isabel, prima de Nossa Senhora, que, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre” (Lc 1, 42). A essas duas saudações foram acrescidas duas palavras para que elas fossem mais distintamente enunciadas (Maria, Ave-Maria…) e Jesus (de teu ventre, Jesus).

            A segunda parte da oração contém uma súplica.

Os teólogos apresentam diversas razões de conveniência para que a Anunciação a Maria Santíssima tenha sido feita por um anjo. Dentre elas, duas podem ser aduzidas:

1 – Como a virgindade é conatural aos anjos, foi conveniente que um deles recebesse a missão de fazer esse anúncio a Maria, a qual, vivendo em carne, levava uma vida verdadeiramente angélica (cfr. Santo Tomás de Aquino, Suma teológica, III, q. 30, a, 2, c.);

2 – O anjo — e não o homem, maculado pelo pecado original — era o legado mais apto e conveniente para ser enviado à puríssima Virgem, isenta, como os anjos, de toda a culpa.

Quando começaram os primeiros cristãos a saudar a Santíssima Virgem com as palavras do anjo ou de Santa Isabel? Provavelmente, quando tiveram em mãos o Evangelho de São Lucas.

O primeiro documento escrito em que aparece o uso da saudação do anjo é a Homilia de um certo Theodoto Ancyrani, falecido antes do ano 446. Nela é explicitamente afirmado que, impelidos pelas palavras do anjo, dizemos: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”.

Quanto à saudação de Santa Isabel, aparece ela unida à do anjo por volta do século V. As duas saudações conjugadas já se encontram nas liturgias orientais de São Tiago (em uso na Igreja de Jerusalém), de São Marcos (na Igreja Copta) e de São João Crisóstomo (na Igreja de Constantinopla).

Na Igreja latina, entretanto, as referidas saudações aparecem pela primeira vez unidas aproximadamente no século VI, em obras de São Gregório Magno.

O nome Maria foi acrescentado às palavras do anjo, no Oriente, por volta do século V, segundo parece, na liturgia de São Basílio; no Ocidente, porém, parece que isto ocorreu aproximadamente no século VI, figurando numa das obras de São Gregório Magno, o Sacramentário Gregoriano.

O nome Jesus foi acrescido às palavras de Santa Isabel provavelmente um século depois, no Oriente, figurando pela primeira vez em certo Manual dos Coptas, talvez no século VII; no Ocidente, todavia, o primeiro documento que registra o nome do Redentor é a Homilia III sobre Maria, mãe virginal, de Santo Amedeo, Bispo de Lausanne (Suíça) (aproximadamente em 1150), discípulo de São Bernardo. Nos mencionados documentos, ao nome Jesus encontra-se adicionada a palavra Christus.

A segunda parte da prece (Santa Maria, etc.), a súplica, já era empregada na Ladainha dos Santos. Em determinado código do século XIII, da Biblioteca Nacional Florentina, que já pertencera aos Servos de Maria do Convento da Beata Maria Virgem Saudada pelo Anjo, em Florença, lê-se esta oração: “Ave dulcíssima e imaculada Virgem Maria, cheia de Graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, mãe da graça e da misericórdia, rogai por nós agora e na hora da morte. Amém.

Nesta fórmula, faltam somente dois vocábulos: [nós] pecadores e nossa [morte].

A fórmula precisa da Ave Maria, como é rezada hoje, encontra-se pela primeira vez no século XV, no poema acróstico do Venerável Gasparini Borro, O.S.M. (+ 1498).

        A segunda parte da Ave Maria foi sempre rezada em caráter privado pelos fiéis até o ano de 1568, quando o Papa São Pio V promulgou o novo Breviário Romano, no qual figura a fórmula do referido Venerável Gasparini Borro, sendo estabelecida solenemente sua recitação no início do Ofício Divino, após a recitação do Pai Nosso e prescrita para todos os sacerdotes. Depois de um século a mencionada fórmula, sancionada pelo Sumo Pontífice, difundiu-se, de fato, em toda a Igreja universal.

iografia:

  1. Pe. Gabriel M. Roschini O.S.M., Mariologia, tomus II, Summa Mariologiæ, Pars III, De singulari cultu B.M.V., secunda editio, Ângelus Belardetti Editor, Romæ, 1948.
  2. D. Gregório Alastruey, Tratado de la Virgen Santíssima, Biblioteca de Autores Cristianos (BAC), 4ª edição, Madrid, 1956.

 Autor: Paulo Corrêa de Brito Fº. 

 

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Um Natal diferente…

natal-guerra

“Escuta, Deus! Jamais falei contigo.

Sabes? Disseram-me que tu não existias,

e eu, tolo, acreditei que era verdade.

Nunca havia reparado bem na tua obra, no mundo.

Mas, hoje, nesta noite de Natal,

desta trincheira rasgada por granadas,

vi teu céu estrelado.

Talvez aquela mesma estrela

que indicou aos pastores

tua presença na gruta de Belém.

Compreendi, então, que havia me enganado!

Não sei se apartarás a minha mão;

ela é tão manchada.

Vou explicar e hás de me compreender.

É engraçado!

Neste inferno hediondo,

achei a tua luz e pude enxergar teu rosto.

Bem, tenho que ir,

faremos um ataque à meia-noite.

Vai ser cruenta a luta, mas, Deus, não sito medo,

pois sei que tu velas por mim.

Tu bem sabes e pode ser que ainda esta noite

eu vá bater à tua porta.

Não somos muito amigos, é verdade,

mas, sim, Deus, estou chorando!

Vês, não sou tão mau assim!

O clarim está sonando.

Logo encontrarei irmãos meus,

que por um terrível absurdo terei de combater.

Deus, proteja-me! E proteja também eles”.

soldado-escrevendo

Oração encontrada no bolso de um soldado morto em campo de batalha. 

Do livro: Em tuas mãos, Senhor (p. 51)

 

 

 

 

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa da Noite:

Informações básicas:
– A Luz rompe nas trevas.
– Oração – Verdadeira Luz.
– Leituras: Is 9, 1-6; Sl 95; Tt 2,11-14; Lc 2, 1-14.

Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.

icone-da-natividade-3Finalmente chegamos a esta noite santa, tão esperada! O texto evangélico desta Missa narra o momento onde o nosso Deus intervém na história da Humanidade. Por isso, Lucas faz questão de contextualizar o fato. Inclusive o fato da submissão de Israel a Roma. Na ocasião, foi ordenado um recenseamento de todo o Império. Geralmente, nessas ocasiões, o dado levado em conta é o lugar onde se reside, não o local de nascimento. Com o texto evangélico se criou a ideia de que todos deveriam dirigir-se ao local de nascimento. Mas historicamente não foi assim. Por algum motivo especial, José decide viajar com sua esposa grávida para a sua cidade de origem porque desejava constar como um de seus moradores, como um residente de Belém.  É justamente naquele pequeno povoado que teve origem a Tradição Davídica. Jesus nasce em condições precárias devido a tal viagem. Em todas as hospedarias, não havia lugar para eles. Em uma interpretação minha, posso dizer que não havia espaço para Jesus nos corações dos belemitas. Não havia lugar para o Menino-Deus em suas vidas.

Porém, o mais importante foi o Anúncio do Natal, isto é, do grande fato. Onde os mensageiros, os anjos levam a Boa Notícia a uma classe aparentemente insignificante em Israel, os pastores[1]. É esta a mensagem: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Se em algum momento da história da humanidade houve necessidade de que anjos falassem, foi neste momento. O céu todo estava em festa e, viera o Filho de Deus para chamar a Si o homem. A terra deverá ser novamente unida com o céu, pois, o Reino, juntamente com seu Rei estava chegando. Tal novidade os faz deixar o seu ofício de guardar seus rebanhos para ir contemplar a Obra maravilhosa de Deus. Ainda hoje, o Natal deve ser ocasião de sairmos de nós mesmos e de nos confraternizar, nos alegrar com o outro. Gostamos de trocar presentes porque Deus, por primeiro, nos deu o maior de todos os presentes: Seu Filho, nossa Salvação!

Na primeira leitura, o profeta Isaías fala de um povo que andava na escuridão, vê uma grande luz. Ele refere-se à entronização de um rei. Para nós, se trata do Filho de Deus, Jesus Cristo, que sobe ao trono, ao lugar que lhe cabe. “Tem o poder sobre os ombros e será chamado Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz”.

Ao Salmo 95, respondamos com as palavras dos anjos aos pastores: Hoje nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, Senhor.

Simplificando a segunda leitura, extraída da Carta a Tito, São Paulo nos diz que a Graça de Deus se manifestou, a Salvação se tornou acessível a todo homem. Ele nos ensina a viver com equilíbrio, justiça e piedade. Para tanto, é preciso abrir nosso coração à presença de nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo.

A alegria perene do Natal é esta: Deus que vem ao nosso encontro para nos salvar!

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Papa Francisco, venerando a imagem do Menino Jesus, durante a Missa de Natal.

Entretanto, não nos assustemos com pessoas que preferem comemorar o Natal sem a sua essência, fazendo uma “festa de aniversário” sem o aniversariante homenageado. Muitos se reúnem à meia-noite em torno de uma mesa, comem e bebem movidos pela avidez da gula, mas poucos se lembram do aniversariante rejeitado. Como os moradores de Belém, não tem lugar para Ele em suas casas, em seus corações.  Ironicamente, Belém significa Casa do pão, não acolhe Aquele que é o Pão descido do Céu.

Concluo com as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco em sua homilia desta noite em Roma:

Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afetuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus. Com este sinal, o Evangelho desvenda-nos um paradoxo: fala do imperador, do governador, dos grandes de então, mas Deus não Se apresentou lá; não aparece no salão nobre dum palácio real, mas na pobreza dum curral; não nos fastos ilusórios, mas na simplicidade da vida; não no poder, mas numa pequenez que nos deixa surpreendidos. E, para O encontrar, é preciso ir aonde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino.

____________

[1] A classe dos pastores de ovelhas era muito desprezada na literatura rabínica. Os fariseus os caracterizavam como ladrões e enganadores, igualados aos publicanos e pecadores. Eles eram considerados plebe que desconhece a lei e não era permitido estar nos tribunais como testemunhas. Eram privados da honra dos direitos civis. Um ditado rabínico dizia: “Nenhuma classe no mundo é tão desprezível quanto a classe dos pastores.”

4º Domingo do Advento, Ano A

Informações básicas

– Eis que a virgem conceberá…

– Oração –  conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação de vosso Filho.

– Leituras: Is 7,10-14; Sl 23; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24.

Ela dará a luz um filho, e tu lhe dará o nomes de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados…

tempo-do-advento-4Este último domingo do Advento, desse os primórdios do cristianismo, é dedicado a missão da Virgem Maria na História da Salvação. É por assim dizer, festa mariana. Neste Ano A, porém, São Mateus nos apresenta, ligada à missão de Maria, também a função de José. Este já compromissado[1] com Maria, ainda não moravam juntos. Neste período, Maria fica grávida por obra do Espírito Santo que cria nela a novidade absoluta: a Encarnação de Deus. Com a colaboração de uma criatura humana, Deus dá início a uma nova Humanidade. Mas para o pobre José, era demais. Realmente, era algo além da imaginação.

Então, o anjo do Senhor lhe aparece em sonho, lhe diz que deve ter confiança e crer em Maria, pois o Filho vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus (que quer dizer: Deus Salva), pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados, diz o anjo.

Assim, se cumpre a profecia de Isaías mencionada na primeira leitura. Diante da ameaça dos invasores, Isaías propõe ao rei Acaz que peça um sinal a Deus. Este não era temente ao Senhor e, assim, despreza o pedido. Mas, a contragosto, Deus mesmo lhe dá um sinal: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel. Esta Jovem grávida se torna uma grandiosa figura poética e profética da salvação oferecida por Deus. É o nascimento da vida nova! Como profecia, o texto foi conservado para as futuras gerações.

nossa-senhora-gravidaA palavra em hebraico correspondente a jovem mulher [‘almah], em grego vem traduzido como virgem [parthenos]. Com o passar do tempo, a profecia muda de forma e destaca-se o aspecto miraculoso de um parto virginal. Contudo, originalmente não era assim entendida a profecia. Foi o fato histórico do nascimento de Jesus da Virgem Maria que permitiu compreender o real significado da profecia de Isaías.

Contemplamos no salmo 23 um antigo texto da liturgia de ingresso. É o Senhor (presente na Arca da Aliança) que adentra o Santuário ou o movimento de subida para o Templo. MÃOS PURAS (Ação) e CORAÇÃO INOCENTE (intenção) são qualidades necessárias o fiel receber a benção da passagem do Senhor.  Vinde Senhor da Glória, entrai em nossas vidas!

Temos como trecho da segunda leitura, a saudação inicial da Carta aos Romanos. Esta rica de sentido teológico: a apresentação de Jesus em suas duas naturezas: descendente de Davi, segundo a carne (verdadeiro homem) e autêntico Filho de Deus (segundo a Ressurreição, sendo verdadeiro Deus). É o mesmo menino que chegará até nós no Natal. Todos nós, que somos chamados ao Evangelho da Salvação, somos chamados à obediência da fé, assim como São José. Obedecer a Deus é crer Nele, pois somente se mostra a fé obedecendo. Não nos esqueçamos de que a nossa obediência a Deus também revela o quanto O amamos. A caminhada com Deus nunca é de “religiosidade cega”, mas relacional. Fomos criados por Deus e para Deus para um relacionamento pessoal e íntimo com Ele. Na “obediência da fé” abramos nosso coração e nos preparemos para a chegada do Menino-Deus que vem no Natal.

___________

[1] O Evangelho explica que Maria estava desposada com José. Ainda que a palavra “desponsório” hoje signifique compromisso matrimonial (ou o noivado, a petição da mão), na época bíblica representava um acordo que tinha inclusive mais peso legal que um casamento. O rito do desponsório era realizado um ano antes do casamento propriamente dito. O casal comprometido já era considerado como marido e mulher; é por isso que o evangelista São Mateus os chama de “esposo” e “esposa”. Esperava-se que os noivos fossem fiéis ao longo desse ano de compromisso.

3º Domingo do Advento, Ano A

Informações básicas:

– “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista…”

– Oração –  celebrar as alegrias da salvação com intenso júbilo na solene liturgia.

– Leituras: Is 35,1-6.10; Sl 145; Tg 5,7-10; Mt 11,2-11.

És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?

adv3Neste domingo, novamente temos como um dos personagens centrais do trecho evangélico a figura de João Batista. Agora, já na prisão, João envia seus discípulos a Jesus. Ele, por sua vez, começa o seu ministério público somente após a prisão de João (isto, no Evangelho de S. Mateus). Talvez para destacar que Sua missão começa com o fim da missão de João Batista. Ou ainda, como profecia: a mesma sorte violenta, sofrida por João, caberá também a Jesus.

João pregou a verdade, opondo-se aos poderosos. De modo particular, o Tetrarca Herodes Antipas, que viva maritalmente com a mulher de seu irmão Filipe. Essa mulher não perdoa João a ponto de prendê-lo. Possivelmente, em seu íntimo, João se questionava: se Jesus é o Messias, por que os maus ainda levam a melhor sobre os justos? Por isso, envia seus discípulos até o Senhor.

Jesus convida-lhes a transmitir tudo o que viram e ouviram, isto é, as obras de salvação do Messias, manifestadas por Ele. A Boa-Nova do Evangelho realiza maravilhas e prodígios na vida dos que creem, muda-lhes a vida. É isto que devem eles anunciar a João. As coisas devem piorar: João em breve morreria na prisão e até mesmo  Jesus seria condenado a morte de cruz. Assim, a Boa-Nova da Salvação não consiste em um “paraíso de facilidades”, mas exige de seus ouvintes um envolvimento pessoal. É realizar através de nossas vidas o Seu grande projeto de Salvação.

Como Primeira Leitura, temos um trecho de Isaías (Is 35,1-6.10) em estilo apocalíptico, onde Isaías descreve a Revelação da Nova Criação: abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos… Observamos quase que as mesmas palavras usadas por Jesus no Evangelho, onde convida os discípulos de João Batista a contar-lhe as maravilhas vistas e ouvidas. Isaías acrescenta: É o próprio Deus que vem para vos salvar. Também nós exclamamos com o salmista: Vinde Senhor, para salvar o vosso povo! (Sl. 145).

 Muitas vezes, somos nós que temos as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes. Hoje é o DOMINGO DA ALEGRIA porque o Senhor, nosso Deus, vem nos Salvar! É a presença do Senhor que muda a nossa vida e, é para a melhor! Por isso, a liturgia nos convoca: CRIAI ÂNIMO! TENDE CORAGEM!

Na Segunda Leitura, São Tiago nos convida a constância (perseverança) em nossa fé. Assim como o agricultor espera pacientemente o fruto, fiquemos firmes na esperança do Senhor que vem! E desde já, ele está mudando nossas vidas. Suportemos o sofrimento com a perseverança dos profetas, como fez João Batista. E não tenhamos dúvida: o Senhor vem para salvar o povo que é Dele.

Homilia da Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Informações básicas

– A Concepção Imaculada de Maria é início da Redenção.

– Oração –  Preparastes uma digna habitação para o Vosso Filho.

– Leituras: Gn 3,9-15.20 ; Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a); Ef 1,3-6.11-12; Lc 1,26-38.

Alegra-te, cheia de graça!

Assim o Arcanjo Gabriel saúda a Virgem Maria, reconhecendo-a com o título solene: “cheia de Graça”. Ele não a chama pelo nome, mas lhe confere este título, que significa: transformada pela Graça, completamente renovada pelo Amor Onipotente de Deus.

Por este motivo, a Igreja pôde afirmar solenemente (como Dogma de Fé) que Maria é Cheia de Graça, desde a sua concepção. Quando concebida no ventre de sua mãe (que a Tradição chamou de Ana), Maria não possuía nenhum traço do pecado original. E desde a sua concepção, ela foi preservada por Deus.

250px-0_limmaculee_conception_-_p-p-_rubens_-_prado_-_p1627_-_2A Imaculada Conceição não se refere à concepção virginal de Jesus, mas sim, ao primeiro instante da existência de Maria. Naquele momento, a Graça de Deus a salvou por antecipação em vista e pelos méritos de Cristo, seu Filho. É a primeira a ser redimida por Ele. Nela, “Toda Bela” toda pura, se manifesta o poder da Graça de Deus. Quer dizer que, em Maria, o pecado não é apenas coberto, oculto ou ignorado, mas sim, eliminado.

Em nossa vida, o mal/pecado ainda existe. Contudo, a Redenção que Cristo nos oferece não é ficção: um fingir estar purificado. Como alguém que varre a casa, e no fim empurra toda a sujeira para debaixo da cama. Então, basta apagar a luz e o quarto fica limpo? Não. Apenas não se vê, mas a sujeira ainda está lá. Em Cristo Jesus não é assim, não se trata de fingir estar curado, mas curar realmente! Nós, os batizados, estamos todos neste processo de cura, mas temos ainda o mal em nós (pela concupiscência → CUPIDEZ: avidez/cobiça de bens materiais ou sensíveis). Seremos curados/salvos quando formos santos e imaculados (sem mancha) pelo amor-caridade (cf. Ef. 1, 4-6) ao lado do Senhor, na vida eterna.

Ser Imaculada, não significa que Maria fosse isenta da possibilidade de pecar. Como mulher, ela possuía a Liberdade, dom que Deus dá a todos nós. Ela foi livre para decidir. E sempre decidiu por fazer a vontade do Senhor (cf.Lc. 1, 38).

batismo-frameA Graça vem em socorro a todos nós, pelos sacramentos. Mas é preciso colaborar com ela! Com a presença de Cristo em nós e nosso empenho pessoal, podemos vencer o pecado. Pois é preciso resistir até o sangue na luta contra o pecado! (cf.Hb. 12, 4).

ALEGRA-TE, VIRGEM MARIA, CHEIA DE GRAÇA! ROGA POR NÓS, PECADORES, PARA QUE POSSAMOS NOS TORNAR COMO TU: CHEIOS DE GRAÇA!

2º Domingo do Advento, Ano A

Informações básicas
-Convertei-vos
– Oração –  nenhuma atividade impeça correr ao encontro de Cristo.
– Leituras: Is 11, 1-10; Sl 71; Rm 15,4-9; Mt 3,1-12. 

“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo”.

segunda-vela-adventoTodos os anos, o segundo domingo do Advento nos propõe a figura de João, mais conhecido  por seu apelido Batista. Que quer dizer: Batizador, pois imergia as pessoas nas águas do Rio Jordão, como sinal de conversão.
João Batista começou sua pregação no curso inferior do rio Jordão, na região de Jericó, no deserto. Região esta, que afluía um número muito grande de pessoas. Sua vestimenta rústica, descrita como: “uma roupa feita de pêlos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins” – era bastante similar a que usava o profeta Elias (cf. 2 Reis 1, 18). Também o ponto onde João fazia sua pregação era o mesmo em que Elias havia sido assunto (cf. 2 Reis 2, 11). Por isso, as pessoas tinha a impressão de que Elias havia voltado. Isto, por se tratar de uma figura estranha aos costumes e, era devido à sua pregação de cunho apocalíptico.
Os fariseus e saduceus que se apoiavam em tradições externas, eram duramente censurados por João. Usavam de seu status de “filhos de Abraão” para se manterem num caminho longe do Senhor. E João cita um trocadilho com os termos hebraicos”filhos” (BANIM) e “pedras” (ABANIM) o que muda é apenas uma vogal. Pois a dignidade de filhos, Deus pode suscitar em quem ele quiser. Não vos ilidais com vossos privilégios, mas deis frutos de conversão, frutos dignos de filhos de Abraão!
baptist3Com este anúncio, João Batista nos ajuda a preparar o Caminho para o Senhor que vem. Pois Ele, o Messias , vem “com a pá na mão” para separar o trigo da palha. E assim, cada um terá o seu destino: ao trigo (os bons) cabe o celeiro (o Paraíso), a palha (os maus) o fogo que não se apaga. 
Como primeira Leitura, temos hoje o capítulo 11 de Isaías. É um esplêndido poema de esperança. Do “tronco de Jessé”- da árvore genealógica de Davi que não se extinguiu – mesmo cortado, este tronco dará um rebento (broto). O profeta nos diz que, mesmo com o fim da monarquia em Judá e Israel, não morre a esperança. O Vento (Ruah – Espírito) do Senhor o fará crescer. E o Cristo (rebento) terá a plenitude dos dons do Espírito Santo. Ele dará à Humanidade a possibilidade do retorno ao Édem, e nos descrevem uma cena onde os inimigos naturais convivem em harmonia. 
Mas esta mudança não se dará de forma mágica, pois Deus conta com nossa colaboração. Por isso, esta mudança começa em mim e em você! Onde está o nosso empenho no caminho de conversão? Os frutos de conversão, nós os vemos nas pequenas coisas de cada dia, e não nas grandes…
O Salmo de hoje, Sl. 71, é um Hino Messiânico, de quem espera ardentemente a chegada do Rei (Messias). Este será diferente dos reis deste mundo, pois instaurará seu REINADO DE  AMOR, HARMONIA, PAZ, E LUZ INFINITA.
A nossa segunda leitura, extraída da Carta aos Romanos, São Paulo nos diz que Cristo mantém as promessas de Deus. Ele faz justiça à Israel: nação de circuncisos, mas vai além: oferece misericórdia a todos os povos, tidos como pagãos. Todos somos convocados para a Assembleia Universal (IGREJA CATÓLICA) que se reunirá  na plenitude no Reino dos Céus. Produzamos frutos de conversão para podermos entrar em seu Reino!

Deus abençoe sua vida!