Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa da Noite:

Informações básicas:
– A Luz rompe nas trevas.
– Oração – Verdadeira Luz.
– Leituras: Is 9, 1-6; Sl 95; Tt 2,11-14; Lc 2, 1-14.

Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.

icone-da-natividade-3Finalmente chegamos a esta noite santa, tão esperada! O texto evangélico desta Missa narra o momento onde o nosso Deus intervém na história da Humanidade. Por isso, Lucas faz questão de contextualizar o fato. Inclusive o fato da submissão de Israel a Roma. Na ocasião, foi ordenado um recenseamento de todo o Império. Geralmente, nessas ocasiões, o dado levado em conta é o lugar onde se reside, não o local de nascimento. Com o texto evangélico se criou a ideia de que todos deveriam dirigir-se ao local de nascimento. Mas historicamente não foi assim. Por algum motivo especial, José decide viajar com sua esposa grávida para a sua cidade de origem porque desejava constar como um de seus moradores, como um residente de Belém.  É justamente naquele pequeno povoado que teve origem a Tradição Davídica. Jesus nasce em condições precárias devido a tal viagem. Em todas as hospedarias, não havia lugar para eles. Em uma interpretação minha, posso dizer que não havia espaço para Jesus nos corações dos belemitas. Não havia lugar para o Menino-Deus em suas vidas.

Porém, o mais importante foi o Anúncio do Natal, isto é, do grande fato. Onde os mensageiros, os anjos levam a Boa Notícia a uma classe aparentemente insignificante em Israel, os pastores[1]. É esta a mensagem: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Se em algum momento da história da humanidade houve necessidade de que anjos falassem, foi neste momento. O céu todo estava em festa e, viera o Filho de Deus para chamar a Si o homem. A terra deverá ser novamente unida com o céu, pois, o Reino, juntamente com seu Rei estava chegando. Tal novidade os faz deixar o seu ofício de guardar seus rebanhos para ir contemplar a Obra maravilhosa de Deus. Ainda hoje, o Natal deve ser ocasião de sairmos de nós mesmos e de nos confraternizar, nos alegrar com o outro. Gostamos de trocar presentes porque Deus, por primeiro, nos deu o maior de todos os presentes: Seu Filho, nossa Salvação!

Na primeira leitura, o profeta Isaías fala de um povo que andava na escuridão, vê uma grande luz. Ele refere-se à entronização de um rei. Para nós, se trata do Filho de Deus, Jesus Cristo, que sobe ao trono, ao lugar que lhe cabe. “Tem o poder sobre os ombros e será chamado Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz”.

Ao Salmo 95, respondamos com as palavras dos anjos aos pastores: Hoje nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, Senhor.

Simplificando a segunda leitura, extraída da Carta a Tito, São Paulo nos diz que a Graça de Deus se manifestou, a Salvação se tornou acessível a todo homem. Ele nos ensina a viver com equilíbrio, justiça e piedade. Para tanto, é preciso abrir nosso coração à presença de nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo.

A alegria perene do Natal é esta: Deus que vem ao nosso encontro para nos salvar!

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Papa Francisco, venerando a imagem do Menino Jesus, durante a Missa de Natal.

Entretanto, não nos assustemos com pessoas que preferem comemorar o Natal sem a sua essência, fazendo uma “festa de aniversário” sem o aniversariante homenageado. Muitos se reúnem à meia-noite em torno de uma mesa, comem e bebem movidos pela avidez da gula, mas poucos se lembram do aniversariante rejeitado. Como os moradores de Belém, não tem lugar para Ele em suas casas, em seus corações.  Ironicamente, Belém significa Casa do pão, não acolhe Aquele que é o Pão descido do Céu.

Concluo com as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco em sua homilia desta noite em Roma:

Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afetuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus. Com este sinal, o Evangelho desvenda-nos um paradoxo: fala do imperador, do governador, dos grandes de então, mas Deus não Se apresentou lá; não aparece no salão nobre dum palácio real, mas na pobreza dum curral; não nos fastos ilusórios, mas na simplicidade da vida; não no poder, mas numa pequenez que nos deixa surpreendidos. E, para O encontrar, é preciso ir aonde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino.

____________

[1] A classe dos pastores de ovelhas era muito desprezada na literatura rabínica. Os fariseus os caracterizavam como ladrões e enganadores, igualados aos publicanos e pecadores. Eles eram considerados plebe que desconhece a lei e não era permitido estar nos tribunais como testemunhas. Eram privados da honra dos direitos civis. Um ditado rabínico dizia: “Nenhuma classe no mundo é tão desprezível quanto a classe dos pastores.”

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