Um Natal diferente…

natal-guerra

“Escuta, Deus! Jamais falei contigo.

Sabes? Disseram-me que tu não existias,

e eu, tolo, acreditei que era verdade.

Nunca havia reparado bem na tua obra, no mundo.

Mas, hoje, nesta noite de Natal,

desta trincheira rasgada por granadas,

vi teu céu estrelado.

Talvez aquela mesma estrela

que indicou aos pastores

tua presença na gruta de Belém.

Compreendi, então, que havia me enganado!

Não sei se apartarás a minha mão;

ela é tão manchada.

Vou explicar e hás de me compreender.

É engraçado!

Neste inferno hediondo,

achei a tua luz e pude enxergar teu rosto.

Bem, tenho que ir,

faremos um ataque à meia-noite.

Vai ser cruenta a luta, mas, Deus, não sito medo,

pois sei que tu velas por mim.

Tu bem sabes e pode ser que ainda esta noite

eu vá bater à tua porta.

Não somos muito amigos, é verdade,

mas, sim, Deus, estou chorando!

Vês, não sou tão mau assim!

O clarim está sonando.

Logo encontrarei irmãos meus,

que por um terrível absurdo terei de combater.

Deus, proteja-me! E proteja também eles”.

soldado-escrevendo

Oração encontrada no bolso de um soldado morto em campo de batalha. 

Do livro: Em tuas mãos, Senhor (p. 51)

 

 

 

 

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