7º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:
Ser perfeito e santo é amar.
– Oração – conhecer o que é reto, para realizar a vontade de Deus.
– Leituras: Lv. 19, 1-2.17-18; Sl. 102; 1 Cor. 3,16-23; Mt. 5, 38-48.

Amai os vossos inimigos.

sermao_da_montanha7Uma vez mais, damos continuidade ao estupendo Sermão da Montanha. Ouvimos a doutrina da Boa Nova de Jesus, segundo s. Mateus. Ali transmite aos discípulos a Nova Lei, a qual não contradiz a Antiga Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento (cf. Mt. 5, 17).

Hoje, continuando o trecho evangélico da semana passada, temos as “antíteses”, compostas de cinco sentenças. Sendo três delas vistas no último domingo. E para hoje, restam ainda duas.

Jesus começa recordando a conhecida “Lei de talião”[1], isto é, a lei da retaliação. Onde se prega que a pena deve ser proporcional à culpa/dano causado. E Jesus nos propõe “algo a mais”, que vai além de uma simples justiça retributiva. Ele propõe um “dom de graça”, capaz de mudar, converter o coração do homem: “Não enfrenteis que é malvado!” (Mt. 5, 39). A nossa oposição ao malvado deve ser feita pondo em prática este “algo a mais”, com dose extra de Amor-Caridade.

“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’”(Mt. 5, 43). Esta segunda parte não é bíblica, mas sim uma explicação corrente na época: o inimigo/adversário perigoso, esse é digno de ódio. Jesus nos propõe uma atitude que vai “de encontro” ao inimigo. Não só amar o próximo, mas oferecer uma possibilidade àqueles que não são próximos ou ligados afetivamente a nós. É a possibilidade de por em prática este algo a mais.

“E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário?” (Mt. 5, 47).  Cumprimentar quem nos é amistoso é um gesto instintivo. Até um cão reage bem a quem lhe trata bem e rosna a quem lhe ameaça ferir. Muitas vezes nos comportamos assim: tratamos bem os amigos e nos consideramos os melhores cristãos. Jesus, quando nos propõe o algo a mais, não nos pede o impossível, mas nos dá a capacidade de fazer o extraordinário. É a Graça de Jesus que nos dá esta capacidade.

“Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt. 5, 48). Com o auxílio da Graça de Jesus podemos alcançar a perfeição, isto é a plena maturidade, porque somos filhos. O Pai é assim e nos transmite a sua capacidade de amar. Podemos ser maduros no modo de amar, como é o Pai.

A primeira leitura de hoje é composta por uma série de antigos preceitos, é a nobreza da Antiga Lei, mais conhecida como o Código de santidade do Levítico. Este culmina com o mandato do amor ao próximo (cf. Lv. 19, 18). Muito similar ao que nos foi transmitido por Jesus. Sendo o seu diferencial a sua própria Pessoa. Como Legislador, Ele deu aos seus discípulos a capacidade extraordinária, a conformação dos filhos ao Pai: Deus é Amor (I Jo. 4, 8) e, espera de nós gestos de amor.

Assim, como filhos do Pai misericordioso, podemos louvá-Lo, como o salmista no Salmo 102. Que eleva um grande louvor ao Deus da Misericórdia: “O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo”. Ele é Perfeito no amor e, nós como filhos, temos como herança a sua enorme capacidade de amar.

Na segunda leitura deste domingo, s. Paulo escreve aos Coríntios, fazendo uma séria exortação: não vos iludais com vossa autossuficiência, em serem autônomos. Pois a mentalidade deste mundo é insensatez. Ou seja, precisamos acolher a Sabedoria que vem de Deus e nos deixar formar por ela. Se acolhermos a Graça de Deus, teremos a possibilidade de sermos realmente sábios. “Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum… Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (I Cor. 3, 22-23).

***

[1]lei de talião, do latim lex talionis (lex: lei e talio, de talis: tal, idêntico), também dita pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. Esta lei é frequentemente expressa pela máxima olho por olho, dente por dente. Os primeiros indícios do princípio de talião foram encontrados no Código de Hamurábi, em 1 780 a.C. no reino da Babilônia.

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