28° Domingo Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:

– Todos são convidados ao Banquete;

– Oração – Que a graça de Deus nos preceda;

–  Is 25, 6-10; Sl 22; Fl 4, 12-14.19-20; Mt 22, 1-14.

 Convidai para a festa todos os que encontrardes.

Mateus 22,1-14O 28° domingo do tempo comum nos propõe a terceira parábola que Mateus utiliza para representar a rejeição do povo de Israel a missão de Jesus. Nós ouvimos alguns domingos atrás a “parábola dos dois filhos” cujo enfoque era a figura de João Batista; no domingo passado, o ponto principal foi a figura do Filho que vem assassinado pelos vinhateiros homicidas; já a terceira parábola nos apresenta um Convite ao banquete, nos propõe a figura de um rei que prepara a festa de casamento para o seu filho. É clara a figura parabólica que se apresenta: o rei é Deus Pai, o filho é Jesus Cristo e, o “banquete de casamento” é a Festa Messiânica que acompanha o evento da vinda do Messias. Os convidados para o banquete não desejam participar. Além disso, agridem e matam os emissários do convite real. Os tais convidados indignos são severamente punidos pelo rei vendo sua cidade destruída e incendiada. Surge, assim, o drama histórico, pois, certamente o evangelista Mateus faz uma alusão ao ocorrido no ano 70 d.C., quando Jerusalém foi reduzida a ruínas.

O objetivo dessa parábola é ressaltar o drama daqueles que seguem Jesus: os seus enviados, os que vieram antes de Jesus, os profetas, foram rejeitados. Depois, o próprio Jesus foi rejeitado e agora os seguidores de Jesus continuam a ser rejeitados. É uma situação trágica que se repete sempre, em referência a Jesus.

Os primeiros convidados não aceitam o convite, mas, o convite estendido a outros convidados. Ou seja, são todos os povos raças e nações que são convidados a ocupar lugar na mesa do banquete messiânico. Então, a sala do banquete fica repleta de pessoas, as quais tomam parte todo tipo de gente, maus e bons, como ressalta o evangelista. O rei, passando entre os seus convidados encontra um destacado, sem o traje de festa. Curiosamente este estranho é chamado de amigo, mas, não em tom cordial. O equivalente em grego seria mais ou menos: “Ei, você aí! Com que audácia entrou aqui sem o traje de festa?”

Eu faço uma pergunta a todos vocês: o que representa esse traje de festa? Esse simboliza a vida digna de cristão, coerente com o estado de graça, que visa fazer o bem.

 O Santo Padre, o Papa Bento XVI, em sua visita à diocese de Lamezia Terme em 2011 (onde trabalhei por alguns anos da sua vida), comentando esta parábola, recordava São Gregório Magno. Dizendo que o traje de festa é a caridade, ou seja, o amor. E São Gregório acrescenta: “Cada um de vós, portanto, que, na Igreja, tendes fé em Deus, já tomeis parte do banquete nupcial, mas não podeis afirmar ter a treje nupcial se não preservais a graça da Caridade” (Homilia 38, 9: PL 76, 1287). E este traje está interligado simbolicamente por duas varas, uma acima da outra: o amor de Deus e o amor ao próximo (cf. ibid, 10:. PL 76,1288). Todos nós somos convidados a ser comensais do Senhor, a entrar com fé no seu banquete, mas devemos usar e preservar o traje nupcial, a caridade, viver um profundo amor por Deus e pelo próximo.

Lembremos que “traje” nos recorda uma outra palavra similar: “hábito”. Este representa também maneira de se comportar, estilo de vida. Mateus nos diz com a parábola de hoje, que não basta apenas entrar na Igreja, mas, é preciso agir como um filho da Igreja, um convidado para ceia nupcial do cordeiro, mudando nossa maneira de agir, o nosso modo de pensar, nos conformando com o Amor-Caridade que vem de Deus. Caso contrário, o destino desse homem perverso da parábola será o nosso: ter amarrado os pés e mãos e ser lançado fora, na escuridão.

A primeira leitura de hoje é extraída do trecho do profeta Isaías.  É também um trecho de gênero apocalíptico, no qual Isaías compara o fim dos tempos há um banquete de ricas iguarias: o Senhor Deus eliminará para sempre a morte enxugará as lágrimas e nos dará para sempre a vida.  A este banquete são convidadas todas as nações, o mesmo que nos fala Jesus em sua parábola, mas, muitos são convidados poucos são escolhidos.

O salmo que hoje nos é proposto é o 22, o Salmo do Pastor. Foi escolhido para o dia de hoje de modo particular pela sua segunda parte, onde o Pastor se torna um “anfitrião” de um banquete. Prepara uma mesa diante a um refugiado que busca fugir do seu inimigo. É como se o salmista nos dissesse: me acolheis em vossa casa preparais à minha frente uma mesa bem à vista do inimigo e com óleo ungis minha cabeça e fazei o meu cálice transbordar. Por isso, decidi permanecer em vossa casa onde sou feliz para sempre. É o que o Senhor tem destinado para nós, seus convidados.

Na segunda leitura, temos a continuação da carta de São Paulo aos Filipenses. Paulo fala de sua atitude de “homem forte e virtuoso”, capaz de enfrentar toda dificuldade. Por isso, disse: tudo posso naquele que me dá força. É uma expressão forte, pois a força do Cristão vem do próprio Cristo. E se ele me dá força sou capaz de fazer tudo posso enfrentar toda a dificuldade: posso viver na pobreza e na riqueza na fome e na abundância. Quem aceita o convite e veste o traje de festa, assume uma força surpreendente e enfrenta as dificuldades da vida com a serenidade e a coragem de São Paulo.

 

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27º Domingo do Tempo Comum, ano A.

Informações básicas:
– A vinha do Senhor;
 – Oração – Deus perdoa o que nos pesa na consciência;
– Is 5, 1-7; Sl 79; Fp 4, 6-9; Mt 21, 33-43.

Arrendou a vinha a outros vinhateiros.

H27-domingo-comumoje o evangelho que nos é proposto é a última das três “parábolas da Vinha” que encontramos no evangelho de São Mateus. Esta última parábola também é encontrada nos outros sinóticos.  Mais uma vez, Jesus conta uma parábola aos sumos sacerdotes e aos anciãos do Povo (ricos latifundiários). Na estória, encontramos alguns agricultores que se rebelaram contra o dono da Vinha. Eles não pagam o arrendamento, isto é, o aluguel das terras. Então, agridem os empregados enviados para cobrar os frutos, até matam um deles a pedradas. Chegando ao cúmulo de matar também o filho do dono da Vinha! Fato como este, encontrar agricultores explorados e revoltosos não era incomum em Israel. Os ricos (como os destinatários da parábola) eram donos de vinhedos arrendados.

Jesus sendo, um mestre quem sua pregação e ensinamentos defendia os pobres (como os agricultores explorados por ricos latifundiários), os sumos sacerdotes e os anciãos do Povo pensavam que era esse o objetivo da parábola. Ao fim da parábola, eles são questionados: “o que o dono da Vinha fará com esses vinhateiros?”

Como a resposta dura buscavam agredir Jesus, mas, acabam por impor sobre si mesmos a própria condenação.

E utilizando a própria Escritura, Jesus lhes explica que não são eles “o dono da Vinha”, mas, sim, os vinhateiros Rebeldes. São os que administram a vinha, porém, não damos frutos ao dono, ou seja, a Deus. Sendo eles os perversos que merecem morte violenta, contudo, Deus não agir assim. Na mesma parábola Jesus anuncia o seu próprio fim. Poucas semanas após este episódio, Jesus será entregue à morte e os sumos sacerdotes e chefes do Povo perderão o controle da Vinha, isto é, do Reino de Deus. Nós, como Igreja, nos foi entregue o controle da Vinha (do Reino de Deus). E o Senhor espera que nós produzimos frutos e lhe entreguemos esses mesmos frutos a seu tempo. Os frutos que Deus espera que produzamos são frutos de Justiça e frutos de Amor-Caridade aos irmãos.

Na primeira leitura de hoje, extraída do livro do profeta Isaías, o Profeta canta o cântico da Vinha de um amigo. Na linguagem do antigo Israel “plantar uma vinha” significa “constituir família”; “trabalhar pela vinha” é o mesmo que “cortejar” ou “paquerar” uma pretendente. E o amigo não obtém resultado, senão frutos selvagens, uvas acerbas. “A vinha do senhor dos exércitos é a casa de Israel”. Deus esperava a justiça e veio somente injustiça, ele esperava obras de bondade e veio apenas iniquidade. Já 700 Anos a.C., o Profeta censurava o povo pelo mau comportamento diante de Deus. Também não salmo de hoje o Salmo 79 encontramos a mesma afirmação: “a vinha do senhor é a casa de Israel”. O salmista pede a Deus que intervenha, vindo em socorro da sua vinha abandonada negligenciada por maus agricultores.

E concluímos com a segunda leitura. Onde temos a continuação da carta aos Filipenses. São Paulo nos dá algumas indicações morais acerca da vida em comunidade, e convida a todos a aderirem ao Senhor de modo coerente e pleno. Mais do que “evitar o mal”, somos convidados a “praticar o bem”. Assim, em suas palavras: “ocupai-vos de tudo que é verdadeiro, respeitável, justo puro, amável, honroso, tudo que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor”. Os frutos que Deus espera de nós são esses. No último dia, nós seremos julgados não apenas pelo mal praticado. Mas pelo bem que nós deixamos de fazer. A isto chamamos de “pecado por omissão”. Deus nos chama hoje a lutarmos pelo seu Reino de amor justiça e paz que começa aqui entre nós.

 

 

 

26º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Informações básicas:
– Ser cristão é agir bem;
– Oração – Deus mostra seu poder no amor e na misericórdia;
– Ez 18, 25-28; Sl 24; Fl 2, 1-11; Mt 21, 28-32.

Jesus-no-TemploDando continuidade a leitura do Evangelho de São Mateus, no domingo passado chegamos a uma pequena série de parábolas que descrevem a reação do povo de Israel à pregação de Jesus, sobre o Reino de Deus. A parábola de hoje é encontrada somente no Evangelho de São Mateus, “a parábola dos dois filhos”,  que são diferentes entre si, em suas palavras e em suas atitudes. Ao centro da parábola encontramos o pai e a vinha. O Pai pede aos filhos para irem trabalhar em sua vinha. O primeiro, diz “não”, mas, depois “muda de opinião” (se converte) e vai trabalhar na vinha. O outro responde “sim”, mas, o fato é que não cumpre nada daquilo que o pai lhe pede.  Logo, o tema proposto por Jesus é a conversão. Esta parábola é contada propositalmente para os sacerdotes e os chefes do Povo para mostrar uma atitude de mudança.  Com dureza, Jesus afirma: “os publicanos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus”. Dizendo as autoridades que os publicanos, isto é, os cobradores de impostos, e as prostitutas lhes precedem ∕ passam-lhes a frente. Mas isso não porque sejam simplesmente pecadores, mas porque se deixaram converter o coração.

A referência disso é a figura de João Batista.  Pois antes de Jesus, veio João que anunciou o Reino de Deus e o chamado à conversão. E, a ouvi-lo, os publicanos e as prostitutas acolheram a palavra de João e buscaram a conversão, aceitando o Reino de Deus. Mas, os chefes do povo, ao contrário, nem sequer se arrependeram para poder acreditar nele.  O ponto delicado é o arrependimento, ou seja, a dor sentida pelo pecado cometido. Se não se reconhece que errou não se pode sentir a dor do arrependimento pelo erro cometido. Não basta dizer “sim” com a boca, com belos discursos religiosos se depois com atitudes e obras a resposta for negativa ao Reino de Deus.

            A primeira leitura de hoje, extraída do livro do profeta Ezequiel, ressalta que cada um é responsável pelas escolhas que faz. Também aqui encontramos como ponto central o arrependimento, que para Ezequiel, é um modo decisivo para acolher a vida.  A conversão ou mudança é o ponto delicado sobre qual a palavra de Deus nos convida a refletir. Somos tocados no íntimo pela palavra de Deus e ela nos conduz a uma mudança. Se a palavra que nós ouvimos não se torna vida, não nos faz mudar realmente a nossa vida para melhor, com o tempo nós pioramos.  Somos como chefes do povo de Israel que afirmavam que “a conduta do senhor não é correta”.

Com o Salmo 24, nós queremos reconhecer diante de Deus as nossas culpas e pedir compaixão, Misericórdia de nossos pecados. Mas para poder nos arrepender é preciso reconhecer o erro cometido. E com as palavras do Salmo, pedimos ao Senhor que nos faça “conhecer a sua estrada que sua verdade nos oriente e nos conduza”. Portanto, se me deixo instruir pelo Senhor, a sua Palavra põe luz no meu comportamento e atitudes que são negativos e errôneos e,  encontro a conversão.

            Na segunda leitura temos um trecho da carta de São Paulo aos Filipenses. São Paulo pede a comunidade que abandone a vanglória e atitudes de soberba no relacionamento humano.  Que não busquem o interesse próprio, mas, estejam atentos às necessidades dos outros. No fim, sintetiza tudo em uma frase maravilhosa: tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. Esta é a atitude do verdadeiro cristão: ter “o mesmo sentimento de Cristo Jesus” nosso Senhor. O sentimento de Jesus expressa o seu modo de pensar as suas atitudes mais profundas e concretas. É o filho obediente que diz “sim” com os lábios, mas também faz aquilo que o Pai quer que seja feito. E São Paulo conclui trecho com um antigo hino cristológico, onde exalta o senhorio de Jesus: Jesus Cristo é o Senhor!

22º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:

– Carregar a Cruz – Oração – Que Deus derrame seu amor. – Leituras: Jr 20, 7-9; Sl 62; Rm 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

“Se alguém quer me seguir renuncie-se a si mesmo”.

pedroDando seguimento à nossa leitura semicontínua do Evangelho de Mateus, nosso “companheiro de viagem” para este ano A. No domingo passado nós ouvimos a profissão de fé do apóstolo Simão-Pedro (cf. Mt. 16, 16). Todavia, Pedro ainda não é capaz de se lançar nesta fé professada. Com palavras afirmou que Jesus é o Cristo, mas quando Jesus anuncia que o Messias deverá sofrer muito e ser morto, Pedro reage mal. Pois não lhe agrada o que Jesus lhes diz.

Hoje Pedro não é “modelo de fé”, mas “modelo negativo” do discípulo contestador e crítico. Por isso, toma Jesus à parte e o repreende. A resposta de Jesus é clara: Vade retro satana. Numa tradução mais acertada do latim seria: Vai para trás de mim, satanás. → substantivo comum, diferente de nome próprio (Jesus não chama Pedro de Diabo!). Satanás ou Satã vem do hebraico: Satan, adversário, opositor, ou em sentido genérico: “pedra de tropeço”.  Portanto, no momento que Pedro adere a Jesus ele é “Pedra fundamental”, mas quando se opõe a Jesus, ele se torna “pedra de tropeço”.

A famosa frase: Vade retro satana, simboliza que no antigo discipulado, o Mestre (heb.: rabi) caminhava à frente dos seus discípulos (heb.: talmidim). Significando que o caminho para a sabedoria era traçado pelo mestre. Então, o que Jesus queria dizer a Pedro: tens uma mentalidade humana (mundana/ imanente) e por isso, precisa mudar sua maneira de pensar! Humanamente falando, Pedro não se alegrava em seguir um mestre que era fadado ao fracasso e a morte, era relutante em aceitar isso.

E a todos Jesus afirma: “Se alguém quer me seguir (ser meu discípulo), renuncie a si mesmo (a sua maneira de pensar), tome a sua cruz e me siga”. Jesus quer que seus discípulos aprendam a serem dóceis e apreendam a sua maneira de pensar. Aprender com o Mestre Jesus a tudo fazer como Ele!

Na primeira leitura (Jr 20,7-9), temos um outro modelo: o profeta Jeremias. Homem de temperamento forte, um apaixonado pregador da mensagem de Deus. Aqui se encontra em um momento difícil: sua missão de PROFETA que ANUNCIA a vontade de Deus (conversão) e ameaça calamidades; DENUNCIA o pecado do povo de Israel. Sua missão se tornou tão pesada que Jeremias era perseguido e humilhado. Agora, mostrando-se cansado, ele reclama com Deus, se sente seduzido, ou seja, enganado.  Ele quer desistir, mas reconhece que não pode. Porque arde dentro de si “um fogo”, isto é, a presença de Deus. Por isso, Jeremias deve dizer “Não” a si mesmo e às suas vontades.

No Salmo 62, intitulado: Oração do sedento de Deus, de alguém que deseja ardentemente a presença de Deus, a ponto de comparar seu desejo à necessidade vital de água. É alguém que diz “Não” a si mesmo para desejar o encontro com Deus.

Temos na segunda leitura (Rm 12, 1-2) uma exortação moral de s. Paulo. Ele nos pede para oferecer um sacrifício espiritual (racional/ da razão).  E nos pede: “Não vos conformeis (entrar na forma) com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar (mudando a mentalidade) e de julgar”.  Procurando fazer a vontade de Deus em nossas vidas.

Na caminhada/progresso de fé do discípulo missionário faz-se necessário esta mudança de mentalidade. Aliás, é aí que se começa a verdadeira conversão. Uma vez mais, afirmo: Jesus quer que seus discípulos aprendam a serem dóceis e apreendam a sua maneira de pensar. Aprender com o Mestre Jesus a tudo fazer como Ele. Como se sabe, “um cristão é outro cristo”. Portanto, diante das situações da vida cotidiana (sejam elas situações importantes ou ordinárias) faz-se necessário pensar: O que Jesus faria no meu lugar?

Fonte exegética: 

Don Claudio Doglio

Seis anos após o “180 movie” e a polêmica sobre o Aborto continua.

Há seis anos, “estreou” na internet um filme polêmico que que trazia a discussão a temática do aborto. O filme de apenas 33 minutos visava mudar a forma como os americanos enxergam o aborto, com o título de “180” o filme faz os espectadores repensarem sobre o assunto, pois o produtor, o ministro cristão Ray Comfort, chega a comparar o aborto com o Holocausto dos judeus na Alemanha.

O documentário foi produzido pelo ministério Living Waters e além do aborto também apresenta outras questões bíblicas. Conversas com jovens são mostradas fazendo com que eles mudem suas opiniões a respeito desses temas, principalmente sobre o aborto.

O filme fez grande sucesso no YouTube e só no primeiro mês de estreia teve 1,2 milhão de acessos e foi considerado como “o melhor filme da internet” do ano de 2011. Também foi distribuído nas universidades, 200 mil cópias foram entregues às cem melhores universidades dos Estados Unidos.

As pessoas estão mudando a mente sobre a polêmica questão do aborto. Não apenas assistem online, mas compram para dar de presente.  Uma pequena igreja evangélica comprou 16,8 mil DVDs. Mas essa doação da universidade foi muito especial, porque agora o DVD está nas mãos dos jovens da América, e de muitos engajados no diálogo saudável, disse Ray Comfort.

Porém, infelizmente, a mentalidade de nossos jovens vem sofrendo investidas de tantas correntes ideológicas vigentes que, muitas vezes a voz da Verdade do Evangelho tem sido abafada. Como afirma a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), “a religião professada não é impeditivo para o ato, pois 56% dos casos registrados foram praticados por católicas e 25% por protestantes ou evangélicas”. A nível de conscientização, há muito ainda por fazer dentro e fora de nossas Comunidades Cristãs.

Para os brasileiros que desejam conhecer essa produção é possível ainda assistir o filme legendado em português no YouTube:

 

O que é PUREZA CRISTÃ?

“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8).

Santa Maria Goretti (ícone moderno)Todos os ano no dia 06 de julho, a Igreja nos convida a refletir sobre a figura de uma frágil, e ao mesmo tempo forte menina, que é um exemplo de pureza cristã em nossos dias: Maria Goretti. Era uma mocinha pobre que não tinha uma beleza extraordinária, mas em seus olhos era perceptível o ideal de pureza cristã que abraçara.

Evidentemente a sociedade contemporânea é muito distinta da que viveu nossa jovem santa. Hoje em dia houve uma grande mudança na concepção dos valores que regem a sociedade. E, infelizmente, no que tange à questão da pureza, não é diferente.

O valor da pureza está hoje em dia desvalorizado e, sobretudo, no que diz respeito à castidade.  Uma mulher afirmar que é virgem é algo antiquado, fora de moda; e para um rapaz dizer isso é até humilhante entre seus iguais. Ao mesmo tempo em que, ainda hoje, encontramos uma base daquilo que outrora fora a concepção comum a todos, como por exemplo, ao falarmos do melhor azeite de oliva, nos remetemos ao melhor, ao “extra-virgem”; a melhor lã é a “virgem”(dentre outros exemplos). Com isso, exaltamos, mesmo que inconscientemente, aquilo que é “mais puro” como um valor.[1]

É comum nos dias de hoje encontrarmos jovens preocupados com sua saúde, com o cuidado físico, o que é muito importante. Nosso maior patrimônio é o nosso corpo, que é dom e templo do Espírito de Deus (cf. I Cor. 3,16). É preciso ressaltar, porém, que no meio de tanta boa intenção e zelo pelo corpo, existem muitos jovens que visam apenas fins estéticos e superficiais, fazendo do corpo (que é um meio) um fim em si mesmo. Esse tipo de atitude pode levá-los a cair numa vaidade exacerbada, num narcisismo doentio e naquilo que chamamos de hedonismo, ou seja, tomar o prazer como bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral. De fato, existem muitos que se deixam levar pelos “modismos” que todos os dias são lançados através da mídia.

Quando nos referimos à sexualidade a situação fica ainda mais complexa. Para se tornar atraente, vale quase tudo: desde intermináveis sessões de musculação, a um número sem fim de horas dedicadas a salões de beleza e clínicas de estética. Percebemos também que as relações se tornam cada vez mais efêmeras e superficiais. O hedonismo faz com que usemos o (a) outro (a) como objeto de prazer, confundindo amor com concupiscência.

Essa mentalidade hedonista acabou despertando uma reação que vem na contramão do comportamento social que ela produz. Surgiram, por exemplo, nos EUA, os ditos “Movimentos de Pureza”. O primeiro deles surgiu faz pouco mais de uma década. Atualmente existem dois movimentos internacionais reconhecidos: “Silver Ring Thing” e “One Love One Wathing”. Os dois grupos ganharam notoriedade pela identificação do uso de um anel de prata, popularmente conhecido como anel de pureza, usado por aqueles que assumem o compromisso de se guardarem para o casamento. No Brasil, existem alguns movimentos (ligados a algumas igrejas protestantes-evangélicas) que se mobilizaram com vários nomes: Anel de Pureza, Anel de Castidade, Aliança de Compromisso, Anel de Prata, Aliança de Pureza, entre outros.

Infelizmente os jovens que aderem a esses movimentos caem num extremismo, chegando ao cúmulo de afirmar que nem sequer beijam a pessoa amada, para manterem a sua pureza preservada.  Eu lhes pergunto: mas que pureza é essa que me priva de me relacionar com meus semelhantes? Tal ideia desemboca no que podemos chamar de “desumanização” ou “angelismo”. Em outras palavras, essas pessoas podem manter-se castas ou virgens, mas não são puras no pleno sentido da palavra, uma vez anulam a sua sexualidade, dimensão fundamental que nos torna humanos!

Encontramos no Evangelho de São Mateus a passagem das Bem-Aventuranças, onde o evangelista nos  esclarece quanto ao tema da pureza: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8). Na Escritura, o coração representa a sede das decisões humanas. Como o próprio Jesus nos diz: “é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt. 15,19). O Catecismo afirma que a expressão “puros de coração” designa os que entregam o coração às exigências da santidade de Deus, especialmente nos três seguintes campos: na caridade, na castidade (ou retidão sexual) e no amor à verdade (cf. CATECISMO § 2518).

Portanto, para nós católicos, a pureza cristã não diz respeito simplesmente às questões de íntimidade, ou seja, não se restringe somente ao âmbito da sexualidade: é algo mais profundo, que começa no coração do ser humano. Pureza não é abstinência e observância, mas plenitude e unicidade de amor. [2] É saber amar o Senhor com um coração indiviso e, por isso, saber dizer não a todo tipo de prazer que nos afaste dele.

O cristão tem seu ponto de equilíbrio no Cristo. Ele é o seu referencial e não os paradigmas que o mundo oferece. Como afirma o Papa Bento:[3] “a pureza do coração acontece no seguir os passos de Cristo, no ser um com ele” (cf. Gl. 2,20). O que nada mais é do que buscar ser um autêntico cristão: “outro cristo” que busca ser luz onde existem trevas (cf. Mt. 5,14).


[1] Raniero CANTALAMESSA. Virgindade, p. 10.

[2] Amedeo CENCINI. Virgindade e celibato hoje- Ed. portuguesa, p.83.

[3] PAPA BENTO XVI. Jesus de Nazaré (o sermão da montanha) p. 95.

 

Aborto: uma “chaga social”.

Uma em cada cinco mulheres aos 40 anos terá abortado ao menos uma vez, diz pesquisa.

vidaA segunda edição da Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada em 2016 pelo Anis Instituto de Bioética e pela Universidade de Brasília (UnB), aponta que 20% das mulheres terão feito ao menos um aborto ilegal ao final da vida reprodutiva, ou seja, uma em cada cinco mulheres aos 40 anos terá abortado ao menos uma vez. De acordo com os dados, em 2015, 417 mil mulheres nas áreas urbanas do Brasil interromperam a gravidez, número que sobe para 503 mil se for incluída a zona rural. O tema volta ao debate depois que uma nova ação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a descrminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, em qualquer situação.

Segundo a pesquisa, a mulher que aborta tem entre 18 e 39 anos, é alfabetizada, de área urbana e de todas as classes socioeconômicas, sendo que a maior parte (48%) completou o ensino fundamental e 26% tinham ensino superior. Do total, 67% já tinha filhos. A pesquisa aponta ainda que a religião professada não é impeditivo para o ato, pois 56% dos casos registrados foram praticados por católicas e 25% por protestantes ou evangélicas.

“Há tanto aborto no Brasil que é possível dizer que em praticamente todas as famílias do país alguém já fez um aborto – uma avó, tia, prima, mãe, irmã ou filha, ainda que em segredo. Todos conhecemos uma mulher que já fez aborto”, conclui o levantamento, que trata o tema como saúde pública.

Segundo a pesquisa do Ministério da Saúde, a criminalização do aborto atinge especialmente mulheres jovens, desempregadas ou em situação informal, negras, com baixa escolaridade, solteiras e moradoras de áreas periféricas. A Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto também lançou no ano passado o dossiê Criminalização das mulheres pela prática do aborto no Brasil (2007-2015), que relata 20 casos emblemáticos de criminalização da prática no período, além de trazer o contexto das leis.

A escolha de 2007 para o início do levantamento relembra caso do Mato Grosso do Sul, onde 10 mil mulheres tiveram seus sigilos médicos violados. Na época, profissionais de saúde foram condenados à prisão e mulheres a trabalhos alternativos em creches, “para ver que muitas mulheres podem criar um filho com um pouco de esforço”, segundo declarou o juiz na sentença. Este episódio também levou à criação da Frente Nacional.

A presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, Lenise Garcia, defende a criminalização do aborto, mas concorda que isso não tem sido o suficiente para coibir a prática. “Dizer que a escolha é entre fazer o aborto legal ou fazer o aborto clandestino não é verdade. A escolha é sobre fazer ou não fazer o aborto. O direito sempre seria por não fazer o aborto, porque a criança também tem o seu direito. O aborto clandestino está tão presente por uma questão de impunidade. A grávida descobre onde está a clínica e a polícia não descobre? Então, o aborto clandestino acontece pela impunidade, pela corrupção que muitas vezes envolve a própria polícia”, argumentou a professora, ao participar do programa Diálogo Brasil, da TV Brasil..

Ela defende que toda mulher grávida merece ter o acolhimento necessário para que possa ter seus filhos e afirma que “a maior parte delas opta por isso quando tem essa possibilidade”.


Artigo na íntegra: Agência Brasil

Grifo nosso.