MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A XXV JORNADA MUNDIAL DO ENFERMO 2017

 «Admiração pelo que Deus faz: “o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 49)»

Queridos irmãos e irmãs,

Pope Francis visits 'Bambin Gesu' children's hospitalNo próximo dia 11 de fevereiro, celebrar-se-á em toda a Igreja, e de forma particular em Lourdes, a XXV Jornada Mundial do Doente, sob o tema: «Admiração pelo que Deus faz: “o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 49)». Instituída pelo meu predecessor São João Paulo II em 1992 e celebrada a primeira vez precisamente em Lourdes no dia 11 de fevereiro de 1993, tal Jornada dá ocasião para se prestar especial atenção à condição dos doentes e, mais em geral, a todos os atribulados; ao mesmo tempo convida quem se prodigaliza em seu favor, a começar pelos familiares, profissionais de saúde e voluntários, a dar graças pela vocação recebida do Senhor para acompanhar os irmãos doentes. Além disso, esta recorrência renova, na Igreja, o vigor espiritual para desempenhar sempre da melhor forma a parte fundamental da sua missão que engloba o serviço aos últimos, aos enfermos, aos atribulados, aos excluídos e aos marginalizados (cf. João Paulo II, Motu proprio Dolentium hominum, 11 de fevereiro de 1985, 1). Com certeza, os momentos de oração, as Liturgias Eucarísticas e da Unção dos Enfermos, a interajuda aos doentes e os aprofundamentos bioéticos e teológico-pastorais que se realizarão em Lourdes, naqueles dias, prestarão uma nova e importante contribuição para tal serviço.

Sentindo-me desde agora presente espiritualmente na Gruta de Massabiel, diante da imagem da Virgem Imaculada, em quem o Todo-Poderoso fez maravilhas em prol da redenção da humanidade, desejo manifestar a minha proximidade a todos vós, irmãos e irmãs que viveis a experiência do sofrimento, e às vossas famílias, bem como o meu apreço a quantos, nas mais variadas tarefas de todas as estruturas sanitárias espalhadas pelo mundo, com competência, responsabilidade e dedicação se ocupam das melhoras, cuidados e bem-estar diário de todos vós. Desejo encorajar-vos a todos – doentes, atribulados, médicos, enfermeiros, familiares, voluntários – a olhar Maria, Saúde dos Enfermos, como a garante da ternura de Deus por todo o ser humano e o modelo de abandono à vontade divina; e encorajar-vos também a encontrar sempre na fé, alimentada pela Palavra e os Sacramentos, a força para amar a Deus e aos irmãos mesmo na experiência da doença.

Como Santa Bernadete, estamos sob o olhar de Maria. A jovem humilde de Lourdes conta que a Virgem, por ela designada «a Bela Senhora», a fixava como se olha para uma pessoa. Estas palavras simples descrevem a plenitude dum relacionamento. Bernadete, pobre, analfabeta e doente, sente-se olhada por Maria como pessoa. A Bela Senhora fala-lhe com grande respeito, sem Se pôr a lastimar a sorte dela. Isto lembra-nos que cada doente é e permanece sempre um ser humano, e deve ser tratado como tal. Os doentes, tal como as pessoas com deficiências mesmo muito graves, têm a sua dignidade inalienável e a sua missão própria na vida, não se tornando jamais meros objetos, ainda que às vezes pareçam de todo passivos, mas, na realidade, nunca o são.

Bernadete, depois de estar na Gruta, graças à oração, transforma a sua fragilidade em apoio para os outros; graças ao amor, torna-se capaz de enriquecer o próximo e, sobretudo oferece a sua vida pela salvação da humanidade. O facto de a Bela Senhora lhe pedir para rezar pelos pecadores lembra-nos que os doentes, os atribulados não abrigam em si mesmos apenas o desejo de curar, mas também o de viver cristãmente a sua existência, chegando a doá-la como autênticos discípulos missionários de Cristo. A Bernadete, Maria dá a vocação de servir os doentes e chama-a para ser Irmã da Caridade, uma missão que ela traduz numa medida tão elevada que se torna modelo que todo o profissional de saúde pode tomar como referência. Por isso, peçamos à Imaculada Conceição a graça de saber sempre relacionar-nos com o doente como uma pessoa que certamente precisa de ajuda – e, por vezes, até para as coisas mais elementares – mas também é portadora do seu próprio dom que deve partilhar com os outros.

O olhar de Maria, Consoladora dos aflitos, ilumina o rosto da Igreja no seu compromisso diário a favor dos necessitados e dos doentes. Os preciosos frutos desta solicitude da Igreja pelo mundo dos atribulados e doentes são motivo de agradecimento ao Senhor Jesus, que Se fez solidário conosco, obedecendo à vontade do Pai até à morte na cruz, para que a humanidade fosse redimida. A solidariedade de Cristo, Filho de Deus nascido de Maria, é a expressão da omnipotência misericordiosa de Deus que se manifesta na nossa vida – sobretudo quando é frágil, está ferida, humilhada, marginalizada, atribulada –, infundindo nela a força da esperança que nos faz levantar e sustenta.

Uma riqueza tão grande de humanidade e de fé não deve ficar perdida, mas sim ajudar-nos a enfrentar as nossas fraquezas humanas e, ao mesmo tempo, os desafios presentes em âmbito sanitário e tecnológico. Por ocasião da Jornada Mundial do Doente, podemos encontrar novo impulso a fim de contribuir para a difusão duma cultura respeitadora da vida, da saúde e do meio ambiente; encontrar um renovado impulso a fim de lutar pelo respeito da integridade e dignidade das pessoas, inclusive mediante uma abordagem correta das questões bioéticas, a tutela dos mais fracos e o cuidado pelo meio ambiente.

Por ocasião da XXV Jornada Mundial do Doente, reitero a minha proximidade feita de oração e encorajamento aos médicos, enfermeiros, voluntários e a todos os homens e mulheres consagrados comprometidos no serviço dos doentes e necessitados; às instituições eclesiais e civis que trabalham nesta área; e às famílias que cuidam amorosamente dos seus membros doentes. A todos, desejo que possam ser sempre sinais jubilosos da presença e do amor de Deus, imitando o testemunho luminoso de tantos amigos e amigas de Deus, dentre os quais recordo São João de Deus e São Camilo de Lélis, Padroeiros dos hospitais e dos profissionais de saúde, e Santa Teresa de Calcutá, missionária da ternura de Deus.

Irmãs e irmãos todos – doentes, profissionais de saúde e voluntários –, elevemos juntos a nossa oração a Maria, para que a sua materna intercessão sustente e acompanhe a nossa fé e nos obtenha de Cristo seu Filho a esperança no caminho da cura e da saúde, o sentido da fraternidade e da responsabilidade, o compromisso pelo desenvolvimento humano integral e a alegria da gratidão sempre que Ele nos maravilha com a sua fidelidade e a sua misericórdia:

Ó Maria, nossa Mãe,
que, em Cristo, acolheis a cada um de nós como filho,
sustentai a expectativa confiante do nosso coração,
socorrei-nos nas nossas enfermidades e tribulações,
guiai-nos para Cristo, vosso filho e nosso irmão,
e ajudai a confiarmo-nos ao Pai que faz maravilhas.

 

A todos vós, asseguro a minha recordação constante na oração e, de coração, concedo a Bênção Apostólica.

Vaticano, 8 de dezembro – Festa da Imaculada Conceição – de 2016.

Pp. Francisco.

Banda de rock peruana composta totalmente por freiras “viraliza” na internet.

Uma banda de rock peruana composta totalmente por freiras virou uma sensação na internet. Segundo a irmã Mônica Nobl, o grupo musical, chamado Siervas (“Servas” em espanhol), se formou em um convento em Lima.

Conversando sobre música, as freiras perceberam que várias delas sabiam tocar diferentes instrumentos.

“As pessoas se esquecem de que as freiras eram pessoas normais antes de se tornarem freiras. Nós somos como você, nós ouvimos música pop e rock a vida toda”, disse a religiosa.

A banda compôs músicas e gravou vídeos que viralizaram – para encontrá-la nas redes siervassociais, basta procurar por @SiervasMusica. As freiras se apresentaram para o papa Francisco durante uma visita dele ao México.

Depois disso, passaram a receber convites para se apresentar em diversos países. “Nós vamos para onde Deus aponta. Não temos planos preestabelecidos”, contou a irmã Mônica Bobl.

Fonte: BBC Brasil

Sacramento da Confissão: Não tenha medo!

Jesus veio ao nosso mundo para tirar o pecado; como disse São João Batista, “Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29).

O Filho de Deus não veio a este mundo para outra finalidade, senão esta. E para isso pregou o Evangelho da Salvação, instalou o Reino de Deus entre nós, instituiu a Igreja para levar a cabo esta missão de arrancar o pecado da humanidade, e morreu na Cruz, para com sua morte e ressurreição nos justificar diante da Justiça divina.

Com o preço infinito de Sua Vida, Ele pagou o nosso resgate, reparou a ofensa infinita que nossos pecados fazem contra a infinita Majestade de Deus. E deixou com a Sua Igreja a incumbência de levar o perdão a todos os que crerem no Seu Nome. É por meio da Confissão (= Penitência, Reconciliação) que a Igreja cumpre a vontade de Jesus de levar o perdão e a paz aos filhos de Deus.

Infelizmente muitos católicos ainda não se deram conta da importância capital da Confissão, que só na Igreja Católica existe.

“Alguém pode dizer: ‘Eu confesso-me apenas a Deus’. Sim, podes pedir perdão a Deus e dizer os teus pecados, mas os nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja, por isso é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote (…) Vai em frente, que o sacerdote será bom. É Jesus que está lá e Jesus é o melhor dos padres, Jesus recebe-te, com tanto amor. Sê corajoso e vai à Confissão! (…) Quando nos transformamos a nós mesmos na única medida, sem ter de prestar contas a ninguém, fechamo-nos a Deus e aos irmãos. Pelo contrário, quando nos deixamos reconciliar por Jesus, encontramos a verdadeira paz”.

Pp. Francisco, 19 – II- 2014.

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa da Noite:

Informações básicas:
– A Luz rompe nas trevas.
– Oração – Verdadeira Luz.
– Leituras: Is 9, 1-6; Sl 95; Tt 2,11-14; Lc 2, 1-14.

Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.

icone-da-natividade-3Finalmente chegamos a esta noite santa, tão esperada! O texto evangélico desta Missa narra o momento onde o nosso Deus intervém na história da Humanidade. Por isso, Lucas faz questão de contextualizar o fato. Inclusive o fato da submissão de Israel a Roma. Na ocasião, foi ordenado um recenseamento de todo o Império. Geralmente, nessas ocasiões, o dado levado em conta é o lugar onde se reside, não o local de nascimento. Com o texto evangélico se criou a ideia de que todos deveriam dirigir-se ao local de nascimento. Mas historicamente não foi assim. Por algum motivo especial, José decide viajar com sua esposa grávida para a sua cidade de origem porque desejava constar como um de seus moradores, como um residente de Belém.  É justamente naquele pequeno povoado que teve origem a Tradição Davídica. Jesus nasce em condições precárias devido a tal viagem. Em todas as hospedarias, não havia lugar para eles. Em uma interpretação minha, posso dizer que não havia espaço para Jesus nos corações dos belemitas. Não havia lugar para o Menino-Deus em suas vidas.

Porém, o mais importante foi o Anúncio do Natal, isto é, do grande fato. Onde os mensageiros, os anjos levam a Boa Notícia a uma classe aparentemente insignificante em Israel, os pastores[1]. É esta a mensagem: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Se em algum momento da história da humanidade houve necessidade de que anjos falassem, foi neste momento. O céu todo estava em festa e, viera o Filho de Deus para chamar a Si o homem. A terra deverá ser novamente unida com o céu, pois, o Reino, juntamente com seu Rei estava chegando. Tal novidade os faz deixar o seu ofício de guardar seus rebanhos para ir contemplar a Obra maravilhosa de Deus. Ainda hoje, o Natal deve ser ocasião de sairmos de nós mesmos e de nos confraternizar, nos alegrar com o outro. Gostamos de trocar presentes porque Deus, por primeiro, nos deu o maior de todos os presentes: Seu Filho, nossa Salvação!

Na primeira leitura, o profeta Isaías fala de um povo que andava na escuridão, vê uma grande luz. Ele refere-se à entronização de um rei. Para nós, se trata do Filho de Deus, Jesus Cristo, que sobe ao trono, ao lugar que lhe cabe. “Tem o poder sobre os ombros e será chamado Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz”.

Ao Salmo 95, respondamos com as palavras dos anjos aos pastores: Hoje nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, Senhor.

Simplificando a segunda leitura, extraída da Carta a Tito, São Paulo nos diz que a Graça de Deus se manifestou, a Salvação se tornou acessível a todo homem. Ele nos ensina a viver com equilíbrio, justiça e piedade. Para tanto, é preciso abrir nosso coração à presença de nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo.

A alegria perene do Natal é esta: Deus que vem ao nosso encontro para nos salvar!

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Papa Francisco, venerando a imagem do Menino Jesus, durante a Missa de Natal.

Entretanto, não nos assustemos com pessoas que preferem comemorar o Natal sem a sua essência, fazendo uma “festa de aniversário” sem o aniversariante homenageado. Muitos se reúnem à meia-noite em torno de uma mesa, comem e bebem movidos pela avidez da gula, mas poucos se lembram do aniversariante rejeitado. Como os moradores de Belém, não tem lugar para Ele em suas casas, em seus corações.  Ironicamente, Belém significa Casa do pão, não acolhe Aquele que é o Pão descido do Céu.

Concluo com as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco em sua homilia desta noite em Roma:

Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afetuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus. Com este sinal, o Evangelho desvenda-nos um paradoxo: fala do imperador, do governador, dos grandes de então, mas Deus não Se apresentou lá; não aparece no salão nobre dum palácio real, mas na pobreza dum curral; não nos fastos ilusórios, mas na simplicidade da vida; não no poder, mas numa pequenez que nos deixa surpreendidos. E, para O encontrar, é preciso ir aonde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino.

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[1] A classe dos pastores de ovelhas era muito desprezada na literatura rabínica. Os fariseus os caracterizavam como ladrões e enganadores, igualados aos publicanos e pecadores. Eles eram considerados plebe que desconhece a lei e não era permitido estar nos tribunais como testemunhas. Eram privados da honra dos direitos civis. Um ditado rabínico dizia: “Nenhuma classe no mundo é tão desprezível quanto a classe dos pastores.”

Nossa Senhora que derruba os muros:um ícone da resistência cristã.

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Os graffiti no muro de separação entre os territórios israelense e palestino, cheios de mensagens políticas e sociais, sempre foram uma forma de protesto contra as medidas arbitrárias do Estado de Israel. No muro de concreto de oito metros de altura, no bairro do mosteiro do Emanuel em Belém, foi pintado em 2010, com inspiração de fiéis locais e estrangeiros, um ícone todo especial: o de “Nossa Senhora que derruba os muros“.

A clara mensagem de esperança também destaca, em paralelo, a atual dificuldade dos membros daquela comunidade para amarem uns aos outros. O iconógrafo Ian Knowles, autor da obra, conta que se inspirou num discurso do Papa Bento XVI durante uma Assembleia Especial para o Oriente Médio, no mesmo ano de 2010. O Santo Padre citou o capítulo doze do Apocalipse, que fala de uma mulher vestida do sol, prestes a dar à luz entre gritos de dor. Ian Knowles interpretou o capítulo como uma profecia do sofrimento dos cristãos no Oriente Médio: “Imaginei a figura de Maria, grávida, vestida de sol, perseguida por uma besta que quer devorar o seu filhinho“. Antes da visita do Papa Francisco à Terra Santa, no muro que precede o ícone, foi grafitada uma longa serpente que devorava crianças: uma evocação verdadeiramente profética, perto da imagem de Nossa Senhora.

No ícone de Maria”, continua Ian Knowles, “podemos ver a mão da Virgem tocando a própria cabeça, como se sentisse uma grande dor. O sofrimento dos cristãos é acolhido pelo coração materno de Maria. A sua relação com os cristãos daqui é a relação de uma mãe que sofre. Outro elemento importante da imagem: o braço e o manto são mantidos abertos, como lugar de refúgio e segurança”.

Oração a Nossa Senhora que derruba os muros

Santa Mãe de Deus,
nós te invocamos como Mãe da Igreja,
Mãe de todos os cristãos que sofrem.

Nós te pedimos, pela tua ardente intercessão,
que derrubes este muro,
os muros dos nossos corações
e todos os muros que geram ódio, violência, medo e indiferença,
entre os homens e entre os povos.

Tu, cujo “faça-se” esmagou a antiga serpente,
junta-nos e nos mantém unidos sob o teu manto virginal!
Protege-nos de todo o mal
e abre para sempre, em nossas vidas, a porta da esperança.

Gera em nós e no mundo todo
a civilização do Amor, que surgiu da Cruz e da Ressurreição do teu Filho Divino,
Jesus Cristo, nosso Salvador,
que vive e reina para sempre.

Amém.

Aleteia Brasil

Conhecendo São Gabriel de N. Sra. das Dores.

gabriel
* 01/03/1838   + 27/02/1862

No dia primeiro de março de 1838 recebeu o nome de Francisco Possenti, ao ser batizado em Assis, sua cidade natal. Quando sua mãe Inês Friscioti morreu, ele tinha quatro anos de idade e foi para a cidade de Espoleto onde estudou em instituição marista e Colégio Jesuíta, até aos dezoito anos. Isso porque, como seu pai Sante Possenti era governador do Estado Pontifício, precisava mudar de residência com freqüência, sempre que suas funções se faziam necessárias em outro pólo católico. Possuidor de um caráter jovial, sólida formação cristã e acadêmica, em 1856 ingressou na congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, fundada por São Paulo da Cruz, ou seja, os Passionistas. Sua espiritualidade foi marcada fortemente pelo amor a Jesus Crucificado e a Virgem Dolorosa.

Depois foi acolhido para o noviciado em Morrovalle, recebendo o hábito e assumindo o nome de Gabriel de Nossa Senhora das Dores, devido à sua grande devoção e admiração que nutria pela Virgem Dolorosa. Um ano após emitiu os votos religiosos e foi por um ano para a comunidade de Pievetorina para completar os estudos filosóficos.

Durante sua vida de religioso, nele sobressaía, sem dúvida, um arraigado amor à Paixão do Senhor. Tal veneração sentia pelos sofrimentos de Jesus que nunca se separava do crucifixo: “Quando conversava, mantinha-o dissimuladamente na mão e o apertava com carinho; quando dormia, colocava-o sobre o peito; quando estudava, punha-o junto ao livro e, de vez em quando, o fitava e osculava com tanto afeto e fervor, que a imagem de metal foi-se gastando até ficarem apagados todos os traços da fisionomia”.

A essa devoção característica da congregação em que ingressara, no entanto, unia-se um amor “entusiasta, engenhoso e aceso à Santíssima Virgem”. Seu famoso Credo di Maria revela-nos o encanto dessa alma apaixonada pela Mãe de Deus:

“Creio, ó Maria, […] que sois a Mãe de todos os homens. […] Creio que não há outro nome, fora do nome de Jesus, tão transbordante de graça, esperança e suavidade para aqueles que o invocam. […] Creio que quem se apoia em Vós não cairá em pecado, e quem Vos honra alcançará a vida eterna. […] Creio que vossa beleza afugentava todo movimento de impureza e inspirava pensamentos castos”.

Em 1859 chegou para ficar um período com os confrades da Ilha do Grande Sasso. Foi a última etapa da sua peregrinação. Morreu aos vinte e quatro anos, de tuberculose, no dia 27 de fevereiro de 1862, nessa ilha da Itália.  Reconhecendo na hora suprema sua fraqueza, o santo repetia:“Vulnera tua, merita mea. Meus méritos são vossas chagas, Senhor!”

As anotações deixadas por Gabriel de Nossa Senhora das Dores em um caderno que foi entregue a seu diretor espiritual, padre Norberto, haviam sido destruídas. Mas, restaram de Gabriel: uma coleção de pensamentos dos padres; cerca de 40 cartas testemunhando sua devoção à Nossa Senhora das Dores e um outro caderno, este com anotações de aula contendo dísticos latinos e poesias italianas

Foi beatificado em 1908, e canonizado em 1920 pelo Papa Bento XV, que o declarou exemplo a ser seguido pela juventude dos nossos tempos.

São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, teve uma curta existência terrena, mas toda ela voltada para a caridade e evangelização, além de um trabalho social intenso que desenvolvia desde a adolescência. Foi declarado co-patrono da Ação Católica, pelo Papa Pio XI, em 1926 e padroeiro principal da região de Abruzzo, pelo Papa João XXIII, em 1959.

O Santuário de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, é meta de incontáveis peregrinações e assistido pelos Passionistas, é um dos mais procurados da Itália e do mundo cristão. A figura atual deste Santo jovem, mais conhecido entre os devotos como o “Santo do Sorriso”, caracteriza a genuína piedade cristã inserida nos nossos tempos e está conquistando cada dia mais o coração de muitos jovens, que se pautam no seu exemplo para ajudar o próximo e se ligar a Deus e à Virgem Mãe.

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Urna contendo os restos mortais do santo, no Santuário de
São Gabriel de Nossa Senhora das Dores – Isola del Gran Sasso (Itália)

 

Fontes:

Arautos do Evangelho

Congregação dos Filhos da Paixão -Passionistas

 

Decisão do STF torna o aborto ‘legal’ até o terceiro mês de gestação.

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Foto: gravidez na 4ª semana de gestação.

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu nesta terça-feira, 29, uma nova jurisprudência e não viu crime na prática de aborto realizada durante o primeiro trimestre de gestação – independentemente do motivo que leve a mulher a interromper a gravidez.

A decisão da 1ª Turma do STF valeu apenas para um caso, envolvendo funcionários e médicos de uma clínica de aborto em Duque de Caxias (RJ) que tiveram a prisão preventiva decretada. Mesmo assim, o entendimento da 1ª Turma pode embasar decisões feitas por juízes de outras instâncias em todo o País.

Durante o julgamento desta terça-feira, os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber se manifestaram no sentido de que não é crime a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre, além de não verem requisitos que legitimassem a prisão cautelar dos funcionários e médicos da clínica, como risco para a ordem pública, a ordem econômica ou à aplicação da lei penal.

“Em temas moralmente divisivos, o papel adequado do Estado não é tomar partido e impor uma visão, mas permitir que as mulheres façam a sua escolha de forma autônoma. O Estado precisa estar do lado de quem deseja ter o filho. O Estado precisa estar do lado de quem não deseja – geralmente porque não pode – ter o filho. Em suma: por ter o dever de estar dos dois lados, o Estado não pode escolher um”, defendeu o ministro Barroso.

Para que serve o Congresso? Reparem que sequer vem ao caso aqui se posicionar contra ou a favor do aborto. Isso não deveria importar tanto nesse momento. E o fato de pouquíssima gente pensar assim demonstra como os brasileiros têm pouco apreço pela democracia. O STF está usurpando o papel dos legisladores, e isso é despotismo “esclarecido”, ou, no caso, muito pouco esclarecido.

Um caso em Duque de Caxias acaba criando jurisprudência para o país todo, e eis que o aborto se torna legal até o terceiro mês de gestação, não por decisão dos representantes do povo num árduo processo de debates, mas pela canetada mágica de três ministros!

Barroso diz que não cabe ao estado tomar partido, mas tomou, e tomou por meio do STF, não do Congresso. Cabe ainda perguntar: e quem toma o partido do feto humano na barriga da mãe? Quem fala em “liberdade de escolha” ignora os direitos do próprio embrião humano.

O tema do aborto divide muita gente. Não vou entrar na questão em si, apenas constatar que julgo abominável o esforço de banalização de uma prática tão traumática por parte das feministas e “progressistas”. Que um assunto tão delicado assim, que envolve o futuro de vidas humanas, seja decidido de maneira tão concentrada e com total descaso pelo poder Legislativo é algo realmente chocante.

O STF precisa urgentemente regressar ao seu papel de guardião das leis, e não de formulador das leis, que definitivamente ninguém lhe concedeu. Chega desse ativismo judicial que joga no lixo a Constituição e a própria democracia.

Rodrigo Constantino