O que é PUREZA CRISTÃ?

“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8).

Santa Maria Goretti (ícone moderno)Todos os ano no dia 06 de julho, a Igreja nos convida a refletir sobre a figura de uma frágil, e ao mesmo tempo forte menina, que é um exemplo de pureza cristã em nossos dias: Maria Goretti. Era uma mocinha pobre que não tinha uma beleza extraordinária, mas em seus olhos era perceptível o ideal de pureza cristã que abraçara.

Evidentemente a sociedade contemporânea é muito distinta da que viveu nossa jovem santa. Hoje em dia houve uma grande mudança na concepção dos valores que regem a sociedade. E, infelizmente, no que tange à questão da pureza, não é diferente.

O valor da pureza está hoje em dia desvalorizado e, sobretudo, no que diz respeito à castidade.  Uma mulher afirmar que é virgem é algo antiquado, fora de moda; e para um rapaz dizer isso é até humilhante entre seus iguais. Ao mesmo tempo em que, ainda hoje, encontramos uma base daquilo que outrora fora a concepção comum a todos, como por exemplo, ao falarmos do melhor azeite de oliva, nos remetemos ao melhor, ao “extra-virgem”; a melhor lã é a “virgem”(dentre outros exemplos). Com isso, exaltamos, mesmo que inconscientemente, aquilo que é “mais puro” como um valor.[1]

É comum nos dias de hoje encontrarmos jovens preocupados com sua saúde, com o cuidado físico, o que é muito importante. Nosso maior patrimônio é o nosso corpo, que é dom e templo do Espírito de Deus (cf. I Cor. 3,16). É preciso ressaltar, porém, que no meio de tanta boa intenção e zelo pelo corpo, existem muitos jovens que visam apenas fins estéticos e superficiais, fazendo do corpo (que é um meio) um fim em si mesmo. Esse tipo de atitude pode levá-los a cair numa vaidade exacerbada, num narcisismo doentio e naquilo que chamamos de hedonismo, ou seja, tomar o prazer como bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral. De fato, existem muitos que se deixam levar pelos “modismos” que todos os dias são lançados através da mídia.

Quando nos referimos à sexualidade a situação fica ainda mais complexa. Para se tornar atraente, vale quase tudo: desde intermináveis sessões de musculação, a um número sem fim de horas dedicadas a salões de beleza e clínicas de estética. Percebemos também que as relações se tornam cada vez mais efêmeras e superficiais. O hedonismo faz com que usemos o (a) outro (a) como objeto de prazer, confundindo amor com concupiscência.

Essa mentalidade hedonista acabou despertando uma reação que vem na contramão do comportamento social que ela produz. Surgiram, por exemplo, nos EUA, os ditos “Movimentos de Pureza”. O primeiro deles surgiu faz pouco mais de uma década. Atualmente existem dois movimentos internacionais reconhecidos: “Silver Ring Thing” e “One Love One Wathing”. Os dois grupos ganharam notoriedade pela identificação do uso de um anel de prata, popularmente conhecido como anel de pureza, usado por aqueles que assumem o compromisso de se guardarem para o casamento. No Brasil, existem alguns movimentos (ligados a algumas igrejas protestantes-evangélicas) que se mobilizaram com vários nomes: Anel de Pureza, Anel de Castidade, Aliança de Compromisso, Anel de Prata, Aliança de Pureza, entre outros.

Infelizmente os jovens que aderem a esses movimentos caem num extremismo, chegando ao cúmulo de afirmar que nem sequer beijam a pessoa amada, para manterem a sua pureza preservada.  Eu lhes pergunto: mas que pureza é essa que me priva de me relacionar com meus semelhantes? Tal ideia desemboca no que podemos chamar de “desumanização” ou “angelismo”. Em outras palavras, essas pessoas podem manter-se castas ou virgens, mas não são puras no pleno sentido da palavra, uma vez anulam a sua sexualidade, dimensão fundamental que nos torna humanos!

Encontramos no Evangelho de São Mateus a passagem das Bem-Aventuranças, onde o evangelista nos  esclarece quanto ao tema da pureza: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8). Na Escritura, o coração representa a sede das decisões humanas. Como o próprio Jesus nos diz: “é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt. 15,19). O Catecismo afirma que a expressão “puros de coração” designa os que entregam o coração às exigências da santidade de Deus, especialmente nos três seguintes campos: na caridade, na castidade (ou retidão sexual) e no amor à verdade (cf. CATECISMO § 2518).

Portanto, para nós católicos, a pureza cristã não diz respeito simplesmente às questões de íntimidade, ou seja, não se restringe somente ao âmbito da sexualidade: é algo mais profundo, que começa no coração do ser humano. Pureza não é abstinência e observância, mas plenitude e unicidade de amor. [2] É saber amar o Senhor com um coração indiviso e, por isso, saber dizer não a todo tipo de prazer que nos afaste dele.

O cristão tem seu ponto de equilíbrio no Cristo. Ele é o seu referencial e não os paradigmas que o mundo oferece. Como afirma o Papa Bento:[3] “a pureza do coração acontece no seguir os passos de Cristo, no ser um com ele” (cf. Gl. 2,20). O que nada mais é do que buscar ser um autêntico cristão: “outro cristo” que busca ser luz onde existem trevas (cf. Mt. 5,14).


[1] Raniero CANTALAMESSA. Virgindade, p. 10.

[2] Amedeo CENCINI. Virgindade e celibato hoje- Ed. portuguesa, p.83.

[3] PAPA BENTO XVI. Jesus de Nazaré (o sermão da montanha) p. 95.

 

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2º Domingo da Quaresma, Ano A.

Informações básicas:
– A Palavra se manifesta no Deserto Quaresmal. – Oração –  A Palavra purifica o olhar da nossa fé para ver a Glória. – Leituras: Gn 12, 1-4; Sl 32 (33); 2 Tm 1, 8-10; Ev Mt 17, 1-9.

O seu rosto brilhou como o sol.

Acompanhando o percurso litúrgico quaresmal, vimos no domingo passado que Jesus teve de escolher o estilo de sua Missão Messiânica. Escolhendo o estilo da obediência a Deus, o estilo que a Palavra de Deus (as profecias acerca do Messias) havia revelado, com fidelidade filial. Hoje, no episódio da transfiguração são os discípulos que devem escolher seguir o estilo de Jesus.

Após o Anúncio da Paixão (cf. Mt. 16, 21-27), os discípulos se encontram tristes e abatidos. Jesus escolhe três deles (Pedro, Tiago e João) e os conduz a um alto monte e lhes mostra o seu rosto divino. Eles próprios verão o rosto desfigurado de Jesus em outro monte, o Jardim do Getsemani (cf. Mt. 26, 36ss), mas agora o veem transfigurado na glória do Monte (Tabor). Por um instante os discípulos contemplam a natureza divina de Jesus, veem sua glória, a que tinha no Principio, quando estava no seio do Pai (cf. Jo. 1, 1) e que terá de novo, após a Ressurreição. Esta consciência da glória de Cristo deve ajudar os discípulos a aceitarem a dolorosa situação que terão que enfrentar.

trasfigurazione_2“Apareceram-lhes Moisés e Elias”, a Lei e os profetas dão testemunho da glória do Filho de Deus. E diante de tamanha visão, os discípulos ficam estupefatos, a ponto de Pedro querer fixar sua morada ali, naquele lugar. Mas “uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra”. A figura da nuvem na Escritura simboliza presença e proteção divina, como a Shekhinah (em hebraico: שכינה) de Deus que acompanhava o Povo em marcha no deserto (cf. Ex 23, 20-21). E da nuvem fez-se ouvir a voz do Pai, assim como no Batismo de Jesus: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado”, mas agora com um acréscimo imperativo: “Escutai-O!” (v.5). Isto é, deveis confiar Nele! Mesmo se a proposta Dele não vos parecer boa, confiai!

Se o tempo da Quaresma é ocasião de redescoberta do nosso batismo, da beleza de ser cristão, queremos novamente escolher seguir Jesus, imitando o seu estilo de vida, que gera vida em nós.

Vemos como figura exemplar a vida e a vocação de Abraão, na primeira leitura. No domingo passado, vimos como Adão foi desobediente a Deus. Hoje, temos a obediência de Abraão, que escolhe a promessa de Deus. Ele se confia ao Senhor e parte da sua terra para onde Deus lhe mostrara (cf. Gn. 12,1). Há uma passagem do “errar” de Adão, ao “errar” de Abraão. Este primeiro erra, porque escolhe o pecado. Já Abraão, erra, isto é, se torna errante, nômade, sem moradia em nome da Promessa do Senhor. E por causa da sua fé, todos os povos da terra são abençoados nele (cf. Gn. 12, 3).  O Patriarca Abraão é prefiguração Daquele que deveria vir ao mundo, Jesus Cristo, nosso Salvador.

Em suma, diante do medo ou desânimo nas dificuldades da vida, não desanimemos! Com o salmista no salmo 32, peçamos ao Senhor que envie sobre nós a Sua graça, sem essa, não conseguimos prosseguir no seguimento de Jesus.

Fonte exegética:

  1. Don Claudio Doglio

1º Domingo da Quaresma, Ano A.

Informações básicas:
– O Espírito nos leva ao Deserto Quaresmal.
– Oração –  Conhecer Jesus Cristo e responder ao seu amor por uma vida santa.- Leituras: Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50,3-4.5-6a.12-13.14.17 (R.Cf.3a); Rm 5,12-19; Mt 4,1-11.

O Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo.

A cada ano, o Caminho quaresmal nos convida a tomar consciência do nosso Batismo. Na Antiguidade, os Padres da Igreja organizavam este tempo de 40 dias para a preparação dos Catecúmenos, em vista do Batismo. Esses são os que fazem o Caminho Catecumenal, ouvem a Palavra de Deus e aderiram ao Evangelho de Cristo. E na noite de Páscoa são feitos cristãos, através do Batismo.

É na Quaresma que todos os batizados são chamados a valorizar a Graça recebida: somos batizados, somos imersos em Cristo! As leituras propostas para a Quaresma nos auxiliam a redescobrir a beleza de sermos cristãos, batizados na morte e ressurreição de Jesus, isto é, vivemos plenamente como filhos e filhas de Deus em Jesus.

as-tentacoes-no-desertoO primeiro domingo é dedicado ao tema da provação ou tentação. Encontramos Jesus logo após o seu Batismo, e no início de sua vida pública é conduzido pelo Espírito Santo ao deserto. Repare que não é o Diabo que conduz Jesus ao deserto, mas o Espírito (cf. Mt. 4, 1). Foi o Pai quem permitiu a  provação do Seu Filho. Também nós, como filhos de Deus, somos conduzidos a um deserto. Mas olhando a vida de nosso Salvador, Ele que tem a plenitude no Espírito Santo (cf. Mt. 3,16) possui a Força necessária para vencer qualquer provação. Cada um de nós deve ter consciência de que possuímos, assim como Jesus, a Força de Deus em nós. Pois somos habitados por Deus ( cf.I Cor. 6, 19).

Diante disso, poderíamos nos perguntar: será que o deserto é necessário? Sim, o deserto é necessário. Se todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8,28), ir para o deserto é algo bom, é o lugar de encontro com Deus. Jesus foi para lá antes de iniciar sua vida pública. Neste tempo, Ele ficou em oração e comunhão com o Pai, preparando-se para a grande obra que viria a ser feita. Lembremos, portanto, de consultar o Pai antes de qualquer empreitada, seja ela grande ou pequena. O Espírito Santo impeliu Jesus a um lugar onde ele pudesse ficar em contato maior com Deus Pai. Assim Ele impelirá cada um dos seus filhos, os quais são habitados por Ele, a buscá-lo cada vez mais. E às vezes isto significa que o Pai poderá colocá-lo em situações difíceis. Mas junto com a provação, ele dá também os meios de suportá-la e de sair dela (cf.1 Cor. 10,13).

Em sua provação, Jesus representa toda a Humanidade. Pois consistem nas mesmas tentações que passamos ou passaremos durante a nossa vida. São elas:

  • O PRAZER: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”.
  •  O PODER/DOMÍNIO:  “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”.
  • E O TER: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”.

Percebemos grande astúcia do Diabo, quando utiliza a própria Escritura como instrumento de tentação. E Jesus, por sua vez, rebate com uma frase do Deuteronômio – o Livro da Lei/Aliança de Deus, cada uma das tentações. Ele as venceu não se valendo de sua condição divina, mas apenas por meio da sua entrega a Deus e, se apegando a oração e o jejum. São simples armas que o Senhor quer que utilizemos neste tempo forte de Conversão que chamamos de QUARESMA.

Precisamos trazer para a nossa vida a autêntica perspectiva cristã, não nos apegando a “facilidades diabólicas”. Somente ouvintes ativos da Palavra de Deus conseguem combater essa mentalidade mundana que prega facilidades. Mas compreendendo que o Projeto de Deus para a nossa Salvação exige fé no Senhor que nos chama e esforço pessoal. Pois o Reino de Deus exige força para lutar por ele (cf. Mt. 11, 12).

Para Refletir…

Tu poderias… “Se és Filho de Deus…” Não nos acontece, às vezes, estar também do lado do tentador? “Se és Filho de Deus…” Tu poderias suprimir as fomes, as guerras, a miséria… Tu poderias tornar a tua Igreja próspera e célebre aos olhos das nações… Tu poderias… “Vai-te embora, Satanás!”

Fontes exegéticas:

  1. Don Claudio Doglio
  2. Portal Dehonianos de Portugal

 

 

 

Quarta-feira de Cinzas 2017.

Informações básicas:
– Jejum, Oração e Esmola autênticos.
– Oração –  penitência que nos fortalece contra o mal.
– Leituras: Jl 2, 12-18; Sl 50; 2 Cor 5, 20-6,2; Mt 6, 1-6.16-18.

Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles.

papa-recebendo-as-cinzas
Papa Francisco recebendo a imposição das cinzas. 

Hoje iniciamos a Quaresma, e a imposição da cinza —que devemos receber— é acompanhada pela fórmula: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc. 1, 15). Antigamente este rito era acompanhado pelo versículo: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn. 3, 19). Recordando nossa mortalidade,  e sempre um convite a contemplar de uma maneira diferente a nossa vida.

 

Em um contexto de instrução aos seus discípulos, Jesus os adverte acerca da “prática da justiça”.  Justiça esta que consiste em viver conforme aos princípios evangélicos, sem esquecer que Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus (Mt. 5,20).  Estes, usavam da religião e de seus preceitos para se autopromoverem socialmente. Quando se vive uma religião de aparências, cai-se na hipocrisia. O fato de sermos vistos, admirados, elogiados, afagados, constitui-se uma necessidade da nossa carne fraca, por isso, se não estivermos atentos (as), ficaremos esperando elogios, aplausos e nos entristeceremos quando não formos aclamados por causa das nossas boas ações. Porém quando nos deixamos recompensar somente por Deus que está escondido no profundo do nosso ser, então as nossas obras, mesmo que não sejam vistas pelos homens, têm um perfume agradável a Ele e receberemos a Sua recompensa. Fazer para aparecer é não fazer por amor. Deus vê o coração e receberemos a recompensa se agirmos por amor a Ele.

Hoje, nosso Mestre Jesus nos apresenta em seu Evangelho três armas poderosas e eficazes que nos ajudarão em nossa luta pela conversão. A saber: a esmola (caridade), a oração e o jejum.

A caridade é um exercício no relacionamento com o outro. Jesus nos fala no evangelho em dar esmola (do grego eleêmosyne, “piedade, compaixão”) que poderíamos traduzir como alguma obra concreta em favor do irmão. Pois o Amor-Caridade é fazer o bem ao próximo, é querer o bem do outro, como se quer o próprio bem. Nossa fé cristã não é feita apenas de belos ensinamentos e boas intenções. Em nossa vida cotidiana, temos sempre oportunidade de sermos caridosos para com o próximo. Isto não só a nível material, mas também na maneira com que tratamos as pessoas.

O ato de orar é exercitar-se na disciplina do relacionamento com Deus. Jesus destaca o valor da oração pessoal: quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto (Mt. 6, 6a). É por meio da oração que mantemos acesa a chama da fé e do amor em nossos corações, é onde alimentamos nossa intimidade com o Senhor que nos convida a sermos melhores. No corre-corre da vida, frequentemente deixamos de lado nosso momento de oração pessoal diário. E, quando percebemos, já estamos afastados do Senhor e desencorajados diante das dificuldades da vida. Por isso, é preciso encontrar uma disciplina: um horário, um lugar fixo… Com isso, aprenderemos a nos refugiar em Deus.

O Jejum é um exercício que ajuda no relacionamento consigo mesmo. Fortalece a vontade na luta contra os desejos contrários à vida. O jejum se refere sempre a uma disciplina ligada à alimentação. Porém, não se trata de dieta alimentar. Mas um modo de ter autodomínio para que se possa dar um novo sentido ao prazer. E junto com o jejum, temos a abstinência. Conhecemos muito bem a abstinência de carne, mas podem-se praticar muitas outras formas que possam ajudar na disciplina pessoal da vida.  Entretanto, precisamos estar atentos para não cair na “vaidade do jejum”. Há pessoas que se apegam ao jejum como um capricho pessoal, uma vaidade. Fazendo dele um fim e não um meio. Todo jejum deve ser iniciado com espírito de oração, para não ser desviado de seu real sentido.

Esta é a perspectiva da penitência e conversão que Deus pedia ao Povo de Israel, por meio do profeta Joel: voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes (Jl. 2, 12-13). Diante do luto ou das calamidades, era costume o Povo de Israel rasgar suas vestes. E perante a iminente invasão dos povos inimigos, o Senhor pede mais do povo. Somente quando o homem rasga o coração é que ocorre a verdadeira conversão. E podemos reconhecer e clamar com o salmista no Salmo 50: Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.

A Quaresma é o convite que cada ano nos faz a Igreja a um aprofundamento interior, a uma conversão exigente, como afirma s. Paulo: É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação (2Cor 6,2).  Para que dando os frutos pertencentes que o Senhor espera de nós, vivamos com a máxima plenitude de alegria e o gozo espiritual da Páscoa.

6º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:
o Amor como plenitude da Lei.
– Oração – Deus vive nos corações sinceros e retos, que os nossos sejam.
– Leituras: Eclo 15, 16-21; Sl 118; 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

Assim foi dito aos antigos; eu, porém, vos digo.

sermao-da-montanhaHoje, mais uma vez, ouvimos a doutrina da Boa Nova de Jesus, segundo s. Mateus. Em três capítulos o Evangelista expõe a doutrina cristã, tendo como “cenário” (ambiente) Jesus que ensina sobre a Montanha (cf. Mt. 5,1). Ali transmite aos discípulos a Nova Lei, a qual não contradiz a Antiga Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento (cf. Mt. 5, 17).

No trecho deste domingo temos as “antíteses”, compostas de cinco sentenças, onde Jesus manifesta grande autoridade: “assim foi dito aos antigos… Eu, porém, vos digo…”. Esta contraposição não gera conflito, mas sim, completa o sentido da Lei. Ele mesmo já havia esclarecido isto antes. A obra de Jesus é favorecer a prática dos Mandamentos, até nas pequenas coisas!

Mas olhando de modo superficial, vemos grande rigorosidade neste ensinamento (quem nunca se encolerizou/sentiu raiva de um irmão?).  Vendo por este viés, não compreendemos a Boa Nova do ensinamento de Jesus. Em nosso olhar, temos que levar em conta que todos os Mandamentos são preceitos de ação que vai do exterior para o interior de quem os pratica. Os mestres da Lei (escribas) e os fariseus eram irrepreensíveis, do ponto de vista legal. Entretanto, Jesus não nos diz: “Sejam como os mestres da Lei e os fariseus”, mas sim, “se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (v 20).  [Interpreto aqui o conceito de justiça como correspondente à santidade]. Ou seja, Ele nos convida a superá-los! Mas como é possível?

O que Jesus nos propõe é Graça, é Dom de Deus. Como cristãos batizados e templos de Deus, temos a Sua força em nós (cf. Jo. 7, 38). Esta “força” é luz, é sabedoria que vem do próprio Deus! A Lei diz: “Não Matarás!” Porém, Jesus nos dá a possibilidade de irmos além: amar e tratar bem o irmão. Pois aquele que tem e age com Caridade cumpre toda a Lei (cf. Rm. 13, 10). O próprio Jesus nos deixou o exemplo. A Lei que Jesus propõe é Graça de uma vida nova, a possibilidade de cumprir em plenitude o que agrada a Deus.

Em nossa 1ª leitura, extraída do Eclesiástico (Sirácidas), o autor chamado Jesus Bensirac (mestre da Lei de Jerusalém, 180 a.C.) afirma que Deus nos dá a possibilidade de escolhas: “Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água… Estão a vida e a morte, o bem e o mal; receberá aquilo que preferir” (Eclo. 15, 17-18). Quem põe a mão no fogo, se queima! Mas a ninguém Deus manda queimar-se. Mas nos indica o caminho do bem.

Jesus Cristo vai além, pois por sua Graça torna possível não apenas “fazer o bem”, mas de sermos bons, pela Bondade de Deus em nós! E nos dá a felicidade: “Feliz quem na Lei do Senhor Deus vai progredindo!” (Sl. 118).

Já na 2ª leitura, s. Paulo fala de uma sabedoria voltada para os “perfeitos” (cristãos conscientes e maduros). Sabedoria que não é terrena. Por isso, os grandes deste mundo não a conheceram. Para sermos homens e mulheres sábios, precisamos amadurecer na fé. Este é o caminho da vida, revelado a nós pelo Espírito: viver como Jesus (autênticos cristãos). “Que o vosso sim seja sim, e o vosso não seja não” (Mt. 5. 37). Assim, na sinceridade e autenticidade da vivência cristã, nós reinaremos com Ele.

 

Salmo 118 – 6º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Salmo 118 – 6º Domingo do Tempo Comum – 12/02/2017

— Feliz o homem sem pecado em seu caminho,/ que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

— Feliz o homem sem pecado em seu caminho,/ que na lei do Senhor Deus vai progredindo./ Feliz o homem que observa seus preceitos,/ e de todo o coração procura a Deus!

— Os vossos mandamentos vós nos destes,/ para serem fielmente observados./ Oxalá seja bem firme a minha vida/ em cumprir vossa vontade e vossa lei!

— Sede bom com vosso servo, e viverei,/ e guardarei vossa palavra, ó Senhor./ Abri meus olhos, e então contemplarei/ as maravilhas que encerra vossa lei!

— Ensinai-me a viver vossos preceitos;/ quero guardá-los fielmente até o fim!/ Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei,/ e de todo o coração a guardarei.

Download do MP3:
http://bit.ly/2jSFP58

Download da CIFRA:
http://bit.ly/2kcrQrF

Sacramento da Confissão: Não tenha medo!

Jesus veio ao nosso mundo para tirar o pecado; como disse São João Batista, “Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29).

O Filho de Deus não veio a este mundo para outra finalidade, senão esta. E para isso pregou o Evangelho da Salvação, instalou o Reino de Deus entre nós, instituiu a Igreja para levar a cabo esta missão de arrancar o pecado da humanidade, e morreu na Cruz, para com sua morte e ressurreição nos justificar diante da Justiça divina.

Com o preço infinito de Sua Vida, Ele pagou o nosso resgate, reparou a ofensa infinita que nossos pecados fazem contra a infinita Majestade de Deus. E deixou com a Sua Igreja a incumbência de levar o perdão a todos os que crerem no Seu Nome. É por meio da Confissão (= Penitência, Reconciliação) que a Igreja cumpre a vontade de Jesus de levar o perdão e a paz aos filhos de Deus.

Infelizmente muitos católicos ainda não se deram conta da importância capital da Confissão, que só na Igreja Católica existe.

“Alguém pode dizer: ‘Eu confesso-me apenas a Deus’. Sim, podes pedir perdão a Deus e dizer os teus pecados, mas os nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja, por isso é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote (…) Vai em frente, que o sacerdote será bom. É Jesus que está lá e Jesus é o melhor dos padres, Jesus recebe-te, com tanto amor. Sê corajoso e vai à Confissão! (…) Quando nos transformamos a nós mesmos na única medida, sem ter de prestar contas a ninguém, fechamo-nos a Deus e aos irmãos. Pelo contrário, quando nos deixamos reconciliar por Jesus, encontramos a verdadeira paz”.

Pp. Francisco, 19 – II- 2014.