26º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Informações básicas:
– Ser cristão é agir bem;
– Oração – Deus mostra seu poder no amor e na misericórdia;
– Ez 18, 25-28; Sl 24; Fl 2, 1-11; Mt 21, 28-32.

Jesus-no-TemploDando continuidade a leitura do Evangelho de São Mateus, no domingo passado chegamos a uma pequena série de parábolas que descrevem a reação do povo de Israel à pregação de Jesus, sobre o Reino de Deus. A parábola de hoje é encontrada somente no Evangelho de São Mateus, “a parábola dos dois filhos”,  que são diferentes entre si, em suas palavras e em suas atitudes. Ao centro da parábola encontramos o pai e a vinha. O Pai pede aos filhos para irem trabalhar em sua vinha. O primeiro, diz “não”, mas, depois “muda de opinião” (se converte) e vai trabalhar na vinha. O outro responde “sim”, mas, o fato é que não cumpre nada daquilo que o pai lhe pede.  Logo, o tema proposto por Jesus é a conversão. Esta parábola é contada propositalmente para os sacerdotes e os chefes do Povo para mostrar uma atitude de mudança.  Com dureza, Jesus afirma: “os publicanos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus”. Dizendo as autoridades que os publicanos, isto é, os cobradores de impostos, e as prostitutas lhes precedem ∕ passam-lhes a frente. Mas isso não porque sejam simplesmente pecadores, mas porque se deixaram converter o coração.

A referência disso é a figura de João Batista.  Pois antes de Jesus, veio João que anunciou o Reino de Deus e o chamado à conversão. E, a ouvi-lo, os publicanos e as prostitutas acolheram a palavra de João e buscaram a conversão, aceitando o Reino de Deus. Mas, os chefes do povo, ao contrário, nem sequer se arrependeram para poder acreditar nele.  O ponto delicado é o arrependimento, ou seja, a dor sentida pelo pecado cometido. Se não se reconhece que errou não se pode sentir a dor do arrependimento pelo erro cometido. Não basta dizer “sim” com a boca, com belos discursos religiosos se depois com atitudes e obras a resposta for negativa ao Reino de Deus.

            A primeira leitura de hoje, extraída do livro do profeta Ezequiel, ressalta que cada um é responsável pelas escolhas que faz. Também aqui encontramos como ponto central o arrependimento, que para Ezequiel, é um modo decisivo para acolher a vida.  A conversão ou mudança é o ponto delicado sobre qual a palavra de Deus nos convida a refletir. Somos tocados no íntimo pela palavra de Deus e ela nos conduz a uma mudança. Se a palavra que nós ouvimos não se torna vida, não nos faz mudar realmente a nossa vida para melhor, com o tempo nós pioramos.  Somos como chefes do povo de Israel que afirmavam que “a conduta do senhor não é correta”.

Com o Salmo 24, nós queremos reconhecer diante de Deus as nossas culpas e pedir compaixão, Misericórdia de nossos pecados. Mas para poder nos arrepender é preciso reconhecer o erro cometido. E com as palavras do Salmo, pedimos ao Senhor que nos faça “conhecer a sua estrada que sua verdade nos oriente e nos conduza”. Portanto, se me deixo instruir pelo Senhor, a sua Palavra põe luz no meu comportamento e atitudes que são negativos e errôneos e,  encontro a conversão.

            Na segunda leitura temos um trecho da carta de São Paulo aos Filipenses. São Paulo pede a comunidade que abandone a vanglória e atitudes de soberba no relacionamento humano.  Que não busquem o interesse próprio, mas, estejam atentos às necessidades dos outros. No fim, sintetiza tudo em uma frase maravilhosa: tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. Esta é a atitude do verdadeiro cristão: ter “o mesmo sentimento de Cristo Jesus” nosso Senhor. O sentimento de Jesus expressa o seu modo de pensar as suas atitudes mais profundas e concretas. É o filho obediente que diz “sim” com os lábios, mas também faz aquilo que o Pai quer que seja feito. E São Paulo conclui trecho com um antigo hino cristológico, onde exalta o senhorio de Jesus: Jesus Cristo é o Senhor!

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22º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:

– Carregar a Cruz – Oração – Que Deus derrame seu amor. – Leituras: Jr 20, 7-9; Sl 62; Rm 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

“Se alguém quer me seguir renuncie-se a si mesmo”.

pedroDando seguimento à nossa leitura semicontínua do Evangelho de Mateus, nosso “companheiro de viagem” para este ano A. No domingo passado nós ouvimos a profissão de fé do apóstolo Simão-Pedro (cf. Mt. 16, 16). Todavia, Pedro ainda não é capaz de se lançar nesta fé professada. Com palavras afirmou que Jesus é o Cristo, mas quando Jesus anuncia que o Messias deverá sofrer muito e ser morto, Pedro reage mal. Pois não lhe agrada o que Jesus lhes diz.

Hoje Pedro não é “modelo de fé”, mas “modelo negativo” do discípulo contestador e crítico. Por isso, toma Jesus à parte e o repreende. A resposta de Jesus é clara: Vade retro satana. Numa tradução mais acertada do latim seria: Vai para trás de mim, satanás. → substantivo comum, diferente de nome próprio (Jesus não chama Pedro de Diabo!). Satanás ou Satã vem do hebraico: Satan, adversário, opositor, ou em sentido genérico: “pedra de tropeço”.  Portanto, no momento que Pedro adere a Jesus ele é “Pedra fundamental”, mas quando se opõe a Jesus, ele se torna “pedra de tropeço”.

A famosa frase: Vade retro satana, simboliza que no antigo discipulado, o Mestre (heb.: rabi) caminhava à frente dos seus discípulos (heb.: talmidim). Significando que o caminho para a sabedoria era traçado pelo mestre. Então, o que Jesus queria dizer a Pedro: tens uma mentalidade humana (mundana/ imanente) e por isso, precisa mudar sua maneira de pensar! Humanamente falando, Pedro não se alegrava em seguir um mestre que era fadado ao fracasso e a morte, era relutante em aceitar isso.

E a todos Jesus afirma: “Se alguém quer me seguir (ser meu discípulo), renuncie a si mesmo (a sua maneira de pensar), tome a sua cruz e me siga”. Jesus quer que seus discípulos aprendam a serem dóceis e apreendam a sua maneira de pensar. Aprender com o Mestre Jesus a tudo fazer como Ele!

Na primeira leitura (Jr 20,7-9), temos um outro modelo: o profeta Jeremias. Homem de temperamento forte, um apaixonado pregador da mensagem de Deus. Aqui se encontra em um momento difícil: sua missão de PROFETA que ANUNCIA a vontade de Deus (conversão) e ameaça calamidades; DENUNCIA o pecado do povo de Israel. Sua missão se tornou tão pesada que Jeremias era perseguido e humilhado. Agora, mostrando-se cansado, ele reclama com Deus, se sente seduzido, ou seja, enganado.  Ele quer desistir, mas reconhece que não pode. Porque arde dentro de si “um fogo”, isto é, a presença de Deus. Por isso, Jeremias deve dizer “Não” a si mesmo e às suas vontades.

No Salmo 62, intitulado: Oração do sedento de Deus, de alguém que deseja ardentemente a presença de Deus, a ponto de comparar seu desejo à necessidade vital de água. É alguém que diz “Não” a si mesmo para desejar o encontro com Deus.

Temos na segunda leitura (Rm 12, 1-2) uma exortação moral de s. Paulo. Ele nos pede para oferecer um sacrifício espiritual (racional/ da razão).  E nos pede: “Não vos conformeis (entrar na forma) com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar (mudando a mentalidade) e de julgar”.  Procurando fazer a vontade de Deus em nossas vidas.

Na caminhada/progresso de fé do discípulo missionário faz-se necessário esta mudança de mentalidade. Aliás, é aí que se começa a verdadeira conversão. Uma vez mais, afirmo: Jesus quer que seus discípulos aprendam a serem dóceis e apreendam a sua maneira de pensar. Aprender com o Mestre Jesus a tudo fazer como Ele. Como se sabe, “um cristão é outro cristo”. Portanto, diante das situações da vida cotidiana (sejam elas situações importantes ou ordinárias) faz-se necessário pensar: O que Jesus faria no meu lugar?

Fonte exegética: 

Don Claudio Doglio

Seis anos após o “180 movie” e a polêmica sobre o Aborto continua.

Há seis anos, “estreou” na internet um filme polêmico que que trazia a discussão a temática do aborto. O filme de apenas 33 minutos visava mudar a forma como os americanos enxergam o aborto, com o título de “180” o filme faz os espectadores repensarem sobre o assunto, pois o produtor, o ministro cristão Ray Comfort, chega a comparar o aborto com o Holocausto dos judeus na Alemanha.

O documentário foi produzido pelo ministério Living Waters e além do aborto também apresenta outras questões bíblicas. Conversas com jovens são mostradas fazendo com que eles mudem suas opiniões a respeito desses temas, principalmente sobre o aborto.

O filme fez grande sucesso no YouTube e só no primeiro mês de estreia teve 1,2 milhão de acessos e foi considerado como “o melhor filme da internet” do ano de 2011. Também foi distribuído nas universidades, 200 mil cópias foram entregues às cem melhores universidades dos Estados Unidos.

As pessoas estão mudando a mente sobre a polêmica questão do aborto. Não apenas assistem online, mas compram para dar de presente.  Uma pequena igreja evangélica comprou 16,8 mil DVDs. Mas essa doação da universidade foi muito especial, porque agora o DVD está nas mãos dos jovens da América, e de muitos engajados no diálogo saudável, disse Ray Comfort.

Porém, infelizmente, a mentalidade de nossos jovens vem sofrendo investidas de tantas correntes ideológicas vigentes que, muitas vezes a voz da Verdade do Evangelho tem sido abafada. Como afirma a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), “a religião professada não é impeditivo para o ato, pois 56% dos casos registrados foram praticados por católicas e 25% por protestantes ou evangélicas”. A nível de conscientização, há muito ainda por fazer dentro e fora de nossas Comunidades Cristãs.

Para os brasileiros que desejam conhecer essa produção é possível ainda assistir o filme legendado em português no YouTube:

 

O que é PUREZA CRISTÃ?

“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8).

Santa Maria Goretti (ícone moderno)Todos os ano no dia 06 de julho, a Igreja nos convida a refletir sobre a figura de uma frágil, e ao mesmo tempo forte menina, que é um exemplo de pureza cristã em nossos dias: Maria Goretti. Era uma mocinha pobre que não tinha uma beleza extraordinária, mas em seus olhos era perceptível o ideal de pureza cristã que abraçara.

Evidentemente a sociedade contemporânea é muito distinta da que viveu nossa jovem santa. Hoje em dia houve uma grande mudança na concepção dos valores que regem a sociedade. E, infelizmente, no que tange à questão da pureza, não é diferente.

O valor da pureza está hoje em dia desvalorizado e, sobretudo, no que diz respeito à castidade.  Uma mulher afirmar que é virgem é algo antiquado, fora de moda; e para um rapaz dizer isso é até humilhante entre seus iguais. Ao mesmo tempo em que, ainda hoje, encontramos uma base daquilo que outrora fora a concepção comum a todos, como por exemplo, ao falarmos do melhor azeite de oliva, nos remetemos ao melhor, ao “extra-virgem”; a melhor lã é a “virgem”(dentre outros exemplos). Com isso, exaltamos, mesmo que inconscientemente, aquilo que é “mais puro” como um valor.[1]

É comum nos dias de hoje encontrarmos jovens preocupados com sua saúde, com o cuidado físico, o que é muito importante. Nosso maior patrimônio é o nosso corpo, que é dom e templo do Espírito de Deus (cf. I Cor. 3,16). É preciso ressaltar, porém, que no meio de tanta boa intenção e zelo pelo corpo, existem muitos jovens que visam apenas fins estéticos e superficiais, fazendo do corpo (que é um meio) um fim em si mesmo. Esse tipo de atitude pode levá-los a cair numa vaidade exacerbada, num narcisismo doentio e naquilo que chamamos de hedonismo, ou seja, tomar o prazer como bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral. De fato, existem muitos que se deixam levar pelos “modismos” que todos os dias são lançados através da mídia.

Quando nos referimos à sexualidade a situação fica ainda mais complexa. Para se tornar atraente, vale quase tudo: desde intermináveis sessões de musculação, a um número sem fim de horas dedicadas a salões de beleza e clínicas de estética. Percebemos também que as relações se tornam cada vez mais efêmeras e superficiais. O hedonismo faz com que usemos o (a) outro (a) como objeto de prazer, confundindo amor com concupiscência.

Essa mentalidade hedonista acabou despertando uma reação que vem na contramão do comportamento social que ela produz. Surgiram, por exemplo, nos EUA, os ditos “Movimentos de Pureza”. O primeiro deles surgiu faz pouco mais de uma década. Atualmente existem dois movimentos internacionais reconhecidos: “Silver Ring Thing” e “One Love One Wathing”. Os dois grupos ganharam notoriedade pela identificação do uso de um anel de prata, popularmente conhecido como anel de pureza, usado por aqueles que assumem o compromisso de se guardarem para o casamento. No Brasil, existem alguns movimentos (ligados a algumas igrejas protestantes-evangélicas) que se mobilizaram com vários nomes: Anel de Pureza, Anel de Castidade, Aliança de Compromisso, Anel de Prata, Aliança de Pureza, entre outros.

Infelizmente os jovens que aderem a esses movimentos caem num extremismo, chegando ao cúmulo de afirmar que nem sequer beijam a pessoa amada, para manterem a sua pureza preservada.  Eu lhes pergunto: mas que pureza é essa que me priva de me relacionar com meus semelhantes? Tal ideia desemboca no que podemos chamar de “desumanização” ou “angelismo”. Em outras palavras, essas pessoas podem manter-se castas ou virgens, mas não são puras no pleno sentido da palavra, uma vez anulam a sua sexualidade, dimensão fundamental que nos torna humanos!

Encontramos no Evangelho de São Mateus a passagem das Bem-Aventuranças, onde o evangelista nos  esclarece quanto ao tema da pureza: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8). Na Escritura, o coração representa a sede das decisões humanas. Como o próprio Jesus nos diz: “é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt. 15,19). O Catecismo afirma que a expressão “puros de coração” designa os que entregam o coração às exigências da santidade de Deus, especialmente nos três seguintes campos: na caridade, na castidade (ou retidão sexual) e no amor à verdade (cf. CATECISMO § 2518).

Portanto, para nós católicos, a pureza cristã não diz respeito simplesmente às questões de íntimidade, ou seja, não se restringe somente ao âmbito da sexualidade: é algo mais profundo, que começa no coração do ser humano. Pureza não é abstinência e observância, mas plenitude e unicidade de amor. [2] É saber amar o Senhor com um coração indiviso e, por isso, saber dizer não a todo tipo de prazer que nos afaste dele.

O cristão tem seu ponto de equilíbrio no Cristo. Ele é o seu referencial e não os paradigmas que o mundo oferece. Como afirma o Papa Bento:[3] “a pureza do coração acontece no seguir os passos de Cristo, no ser um com ele” (cf. Gl. 2,20). O que nada mais é do que buscar ser um autêntico cristão: “outro cristo” que busca ser luz onde existem trevas (cf. Mt. 5,14).


[1] Raniero CANTALAMESSA. Virgindade, p. 10.

[2] Amedeo CENCINI. Virgindade e celibato hoje- Ed. portuguesa, p.83.

[3] PAPA BENTO XVI. Jesus de Nazaré (o sermão da montanha) p. 95.

 

Aborto: uma “chaga social”.

Uma em cada cinco mulheres aos 40 anos terá abortado ao menos uma vez, diz pesquisa.

vidaA segunda edição da Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada em 2016 pelo Anis Instituto de Bioética e pela Universidade de Brasília (UnB), aponta que 20% das mulheres terão feito ao menos um aborto ilegal ao final da vida reprodutiva, ou seja, uma em cada cinco mulheres aos 40 anos terá abortado ao menos uma vez. De acordo com os dados, em 2015, 417 mil mulheres nas áreas urbanas do Brasil interromperam a gravidez, número que sobe para 503 mil se for incluída a zona rural. O tema volta ao debate depois que uma nova ação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a descrminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, em qualquer situação.

Segundo a pesquisa, a mulher que aborta tem entre 18 e 39 anos, é alfabetizada, de área urbana e de todas as classes socioeconômicas, sendo que a maior parte (48%) completou o ensino fundamental e 26% tinham ensino superior. Do total, 67% já tinha filhos. A pesquisa aponta ainda que a religião professada não é impeditivo para o ato, pois 56% dos casos registrados foram praticados por católicas e 25% por protestantes ou evangélicas.

“Há tanto aborto no Brasil que é possível dizer que em praticamente todas as famílias do país alguém já fez um aborto – uma avó, tia, prima, mãe, irmã ou filha, ainda que em segredo. Todos conhecemos uma mulher que já fez aborto”, conclui o levantamento, que trata o tema como saúde pública.

Segundo a pesquisa do Ministério da Saúde, a criminalização do aborto atinge especialmente mulheres jovens, desempregadas ou em situação informal, negras, com baixa escolaridade, solteiras e moradoras de áreas periféricas. A Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto também lançou no ano passado o dossiê Criminalização das mulheres pela prática do aborto no Brasil (2007-2015), que relata 20 casos emblemáticos de criminalização da prática no período, além de trazer o contexto das leis.

A escolha de 2007 para o início do levantamento relembra caso do Mato Grosso do Sul, onde 10 mil mulheres tiveram seus sigilos médicos violados. Na época, profissionais de saúde foram condenados à prisão e mulheres a trabalhos alternativos em creches, “para ver que muitas mulheres podem criar um filho com um pouco de esforço”, segundo declarou o juiz na sentença. Este episódio também levou à criação da Frente Nacional.

A presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, Lenise Garcia, defende a criminalização do aborto, mas concorda que isso não tem sido o suficiente para coibir a prática. “Dizer que a escolha é entre fazer o aborto legal ou fazer o aborto clandestino não é verdade. A escolha é sobre fazer ou não fazer o aborto. O direito sempre seria por não fazer o aborto, porque a criança também tem o seu direito. O aborto clandestino está tão presente por uma questão de impunidade. A grávida descobre onde está a clínica e a polícia não descobre? Então, o aborto clandestino acontece pela impunidade, pela corrupção que muitas vezes envolve a própria polícia”, argumentou a professora, ao participar do programa Diálogo Brasil, da TV Brasil..

Ela defende que toda mulher grávida merece ter o acolhimento necessário para que possa ter seus filhos e afirma que “a maior parte delas opta por isso quando tem essa possibilidade”.


Artigo na íntegra: Agência Brasil

Grifo nosso.

2º Domingo da Quaresma, Ano A.

Informações básicas:
– A Palavra se manifesta no Deserto Quaresmal. – Oração –  A Palavra purifica o olhar da nossa fé para ver a Glória. – Leituras: Gn 12, 1-4; Sl 32 (33); 2 Tm 1, 8-10; Ev Mt 17, 1-9.

O seu rosto brilhou como o sol.

Acompanhando o percurso litúrgico quaresmal, vimos no domingo passado que Jesus teve de escolher o estilo de sua Missão Messiânica. Escolhendo o estilo da obediência a Deus, o estilo que a Palavra de Deus (as profecias acerca do Messias) havia revelado, com fidelidade filial. Hoje, no episódio da transfiguração são os discípulos que devem escolher seguir o estilo de Jesus.

Após o Anúncio da Paixão (cf. Mt. 16, 21-27), os discípulos se encontram tristes e abatidos. Jesus escolhe três deles (Pedro, Tiago e João) e os conduz a um alto monte e lhes mostra o seu rosto divino. Eles próprios verão o rosto desfigurado de Jesus em outro monte, o Jardim do Getsemani (cf. Mt. 26, 36ss), mas agora o veem transfigurado na glória do Monte (Tabor). Por um instante os discípulos contemplam a natureza divina de Jesus, veem sua glória, a que tinha no Principio, quando estava no seio do Pai (cf. Jo. 1, 1) e que terá de novo, após a Ressurreição. Esta consciência da glória de Cristo deve ajudar os discípulos a aceitarem a dolorosa situação que terão que enfrentar.

trasfigurazione_2“Apareceram-lhes Moisés e Elias”, a Lei e os profetas dão testemunho da glória do Filho de Deus. E diante de tamanha visão, os discípulos ficam estupefatos, a ponto de Pedro querer fixar sua morada ali, naquele lugar. Mas “uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra”. A figura da nuvem na Escritura simboliza presença e proteção divina, como a Shekhinah (em hebraico: שכינה) de Deus que acompanhava o Povo em marcha no deserto (cf. Ex 23, 20-21). E da nuvem fez-se ouvir a voz do Pai, assim como no Batismo de Jesus: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado”, mas agora com um acréscimo imperativo: “Escutai-O!” (v.5). Isto é, deveis confiar Nele! Mesmo se a proposta Dele não vos parecer boa, confiai!

Se o tempo da Quaresma é ocasião de redescoberta do nosso batismo, da beleza de ser cristão, queremos novamente escolher seguir Jesus, imitando o seu estilo de vida, que gera vida em nós.

Vemos como figura exemplar a vida e a vocação de Abraão, na primeira leitura. No domingo passado, vimos como Adão foi desobediente a Deus. Hoje, temos a obediência de Abraão, que escolhe a promessa de Deus. Ele se confia ao Senhor e parte da sua terra para onde Deus lhe mostrara (cf. Gn. 12,1). Há uma passagem do “errar” de Adão, ao “errar” de Abraão. Este primeiro erra, porque escolhe o pecado. Já Abraão, erra, isto é, se torna errante, nômade, sem moradia em nome da Promessa do Senhor. E por causa da sua fé, todos os povos da terra são abençoados nele (cf. Gn. 12, 3).  O Patriarca Abraão é prefiguração Daquele que deveria vir ao mundo, Jesus Cristo, nosso Salvador.

Em suma, diante do medo ou desânimo nas dificuldades da vida, não desanimemos! Com o salmista no salmo 32, peçamos ao Senhor que envie sobre nós a Sua graça, sem essa, não conseguimos prosseguir no seguimento de Jesus.

Fonte exegética:

  1. Don Claudio Doglio

1º Domingo da Quaresma, Ano A.

Informações básicas:
– O Espírito nos leva ao Deserto Quaresmal.
– Oração –  Conhecer Jesus Cristo e responder ao seu amor por uma vida santa.- Leituras: Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50,3-4.5-6a.12-13.14.17 (R.Cf.3a); Rm 5,12-19; Mt 4,1-11.

O Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo.

A cada ano, o Caminho quaresmal nos convida a tomar consciência do nosso Batismo. Na Antiguidade, os Padres da Igreja organizavam este tempo de 40 dias para a preparação dos Catecúmenos, em vista do Batismo. Esses são os que fazem o Caminho Catecumenal, ouvem a Palavra de Deus e aderiram ao Evangelho de Cristo. E na noite de Páscoa são feitos cristãos, através do Batismo.

É na Quaresma que todos os batizados são chamados a valorizar a Graça recebida: somos batizados, somos imersos em Cristo! As leituras propostas para a Quaresma nos auxiliam a redescobrir a beleza de sermos cristãos, batizados na morte e ressurreição de Jesus, isto é, vivemos plenamente como filhos e filhas de Deus em Jesus.

as-tentacoes-no-desertoO primeiro domingo é dedicado ao tema da provação ou tentação. Encontramos Jesus logo após o seu Batismo, e no início de sua vida pública é conduzido pelo Espírito Santo ao deserto. Repare que não é o Diabo que conduz Jesus ao deserto, mas o Espírito (cf. Mt. 4, 1). Foi o Pai quem permitiu a  provação do Seu Filho. Também nós, como filhos de Deus, somos conduzidos a um deserto. Mas olhando a vida de nosso Salvador, Ele que tem a plenitude no Espírito Santo (cf. Mt. 3,16) possui a Força necessária para vencer qualquer provação. Cada um de nós deve ter consciência de que possuímos, assim como Jesus, a Força de Deus em nós. Pois somos habitados por Deus ( cf.I Cor. 6, 19).

Diante disso, poderíamos nos perguntar: será que o deserto é necessário? Sim, o deserto é necessário. Se todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8,28), ir para o deserto é algo bom, é o lugar de encontro com Deus. Jesus foi para lá antes de iniciar sua vida pública. Neste tempo, Ele ficou em oração e comunhão com o Pai, preparando-se para a grande obra que viria a ser feita. Lembremos, portanto, de consultar o Pai antes de qualquer empreitada, seja ela grande ou pequena. O Espírito Santo impeliu Jesus a um lugar onde ele pudesse ficar em contato maior com Deus Pai. Assim Ele impelirá cada um dos seus filhos, os quais são habitados por Ele, a buscá-lo cada vez mais. E às vezes isto significa que o Pai poderá colocá-lo em situações difíceis. Mas junto com a provação, ele dá também os meios de suportá-la e de sair dela (cf.1 Cor. 10,13).

Em sua provação, Jesus representa toda a Humanidade. Pois consistem nas mesmas tentações que passamos ou passaremos durante a nossa vida. São elas:

  • O PRAZER: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”.
  •  O PODER/DOMÍNIO:  “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”.
  • E O TER: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”.

Percebemos grande astúcia do Diabo, quando utiliza a própria Escritura como instrumento de tentação. E Jesus, por sua vez, rebate com uma frase do Deuteronômio – o Livro da Lei/Aliança de Deus, cada uma das tentações. Ele as venceu não se valendo de sua condição divina, mas apenas por meio da sua entrega a Deus e, se apegando a oração e o jejum. São simples armas que o Senhor quer que utilizemos neste tempo forte de Conversão que chamamos de QUARESMA.

Precisamos trazer para a nossa vida a autêntica perspectiva cristã, não nos apegando a “facilidades diabólicas”. Somente ouvintes ativos da Palavra de Deus conseguem combater essa mentalidade mundana que prega facilidades. Mas compreendendo que o Projeto de Deus para a nossa Salvação exige fé no Senhor que nos chama e esforço pessoal. Pois o Reino de Deus exige força para lutar por ele (cf. Mt. 11, 12).

Para Refletir…

Tu poderias… “Se és Filho de Deus…” Não nos acontece, às vezes, estar também do lado do tentador? “Se és Filho de Deus…” Tu poderias suprimir as fomes, as guerras, a miséria… Tu poderias tornar a tua Igreja próspera e célebre aos olhos das nações… Tu poderias… “Vai-te embora, Satanás!”

Fontes exegéticas:

  1. Don Claudio Doglio
  2. Portal Dehonianos de Portugal