22º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:

– Carregar a Cruz – Oração – Que Deus derrame seu amor. – Leituras: Jr 20, 7-9; Sl 62; Rm 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

“Se alguém quer me seguir renuncie-se a si mesmo”.

pedroDando seguimento à nossa leitura semicontínua do Evangelho de Mateus, nosso “companheiro de viagem” para este ano A. No domingo passado nós ouvimos a profissão de fé do apóstolo Simão-Pedro (cf. Mt. 16, 16). Todavia, Pedro ainda não é capaz de se lançar nesta fé professada. Com palavras afirmou que Jesus é o Cristo, mas quando Jesus anuncia que o Messias deverá sofrer muito e ser morto, Pedro reage mal. Pois não lhe agrada o que Jesus lhes diz.

Hoje Pedro não é “modelo de fé”, mas “modelo negativo” do discípulo contestador e crítico. Por isso, toma Jesus à parte e o repreende. A resposta de Jesus é clara: Vade retro satana. Numa tradução mais acertada do latim seria: Vai para trás de mim, satanás. → substantivo comum, diferente de nome próprio (Jesus não chama Pedro de Diabo!). Satanás ou Satã vem do hebraico: Satan, adversário, opositor, ou em sentido genérico: “pedra de tropeço”.  Portanto, no momento que Pedro adere a Jesus ele é “Pedra fundamental”, mas quando se opõe a Jesus, ele se torna “pedra de tropeço”.

A famosa frase: Vade retro satana, simboliza que no antigo discipulado, o Mestre (heb.: rabi) caminhava à frente dos seus discípulos (heb.: talmidim). Significando que o caminho para a sabedoria era traçado pelo mestre. Então, o que Jesus queria dizer a Pedro: tens uma mentalidade humana (mundana/ imanente) e por isso, precisa mudar sua maneira de pensar! Humanamente falando, Pedro não se alegrava em seguir um mestre que era fadado ao fracasso e a morte, era relutante em aceitar isso.

E a todos Jesus afirma: “Se alguém quer me seguir (ser meu discípulo), renuncie a si mesmo (a sua maneira de pensar), tome a sua cruz e me siga”. Jesus quer que seus discípulos aprendam a serem dóceis e apreendam a sua maneira de pensar. Aprender com o Mestre Jesus a tudo fazer como Ele!

Na primeira leitura (Jr 20,7-9), temos um outro modelo: o profeta Jeremias. Homem de temperamento forte, um apaixonado pregador da mensagem de Deus. Aqui se encontra em um momento difícil: sua missão de PROFETA que ANUNCIA a vontade de Deus (conversão) e ameaça calamidades; DENUNCIA o pecado do povo de Israel. Sua missão se tornou tão pesada que Jeremias era perseguido e humilhado. Agora, mostrando-se cansado, ele reclama com Deus, se sente seduzido, ou seja, enganado.  Ele quer desistir, mas reconhece que não pode. Porque arde dentro de si “um fogo”, isto é, a presença de Deus. Por isso, Jeremias deve dizer “Não” a si mesmo e às suas vontades.

No Salmo 62, intitulado: Oração do sedento de Deus, de alguém que deseja ardentemente a presença de Deus, a ponto de comparar seu desejo à necessidade vital de água. É alguém que diz “Não” a si mesmo para desejar o encontro com Deus.

Temos na segunda leitura (Rm 12, 1-2) uma exortação moral de s. Paulo. Ele nos pede para oferecer um sacrifício espiritual (racional/ da razão).  E nos pede: “Não vos conformeis (entrar na forma) com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar (mudando a mentalidade) e de julgar”.  Procurando fazer a vontade de Deus em nossas vidas.

Na caminhada/progresso de fé do discípulo missionário faz-se necessário esta mudança de mentalidade. Aliás, é aí que se começa a verdadeira conversão. Uma vez mais, afirmo: Jesus quer que seus discípulos aprendam a serem dóceis e apreendam a sua maneira de pensar. Aprender com o Mestre Jesus a tudo fazer como Ele. Como se sabe, “um cristão é outro cristo”. Portanto, diante das situações da vida cotidiana (sejam elas situações importantes ou ordinárias) faz-se necessário pensar: O que Jesus faria no meu lugar?

Fonte exegética: 

Don Claudio Doglio

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1º Domingo da Quaresma, Ano A.

Informações básicas:
– O Espírito nos leva ao Deserto Quaresmal.
– Oração –  Conhecer Jesus Cristo e responder ao seu amor por uma vida santa.- Leituras: Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50,3-4.5-6a.12-13.14.17 (R.Cf.3a); Rm 5,12-19; Mt 4,1-11.

O Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo.

A cada ano, o Caminho quaresmal nos convida a tomar consciência do nosso Batismo. Na Antiguidade, os Padres da Igreja organizavam este tempo de 40 dias para a preparação dos Catecúmenos, em vista do Batismo. Esses são os que fazem o Caminho Catecumenal, ouvem a Palavra de Deus e aderiram ao Evangelho de Cristo. E na noite de Páscoa são feitos cristãos, através do Batismo.

É na Quaresma que todos os batizados são chamados a valorizar a Graça recebida: somos batizados, somos imersos em Cristo! As leituras propostas para a Quaresma nos auxiliam a redescobrir a beleza de sermos cristãos, batizados na morte e ressurreição de Jesus, isto é, vivemos plenamente como filhos e filhas de Deus em Jesus.

as-tentacoes-no-desertoO primeiro domingo é dedicado ao tema da provação ou tentação. Encontramos Jesus logo após o seu Batismo, e no início de sua vida pública é conduzido pelo Espírito Santo ao deserto. Repare que não é o Diabo que conduz Jesus ao deserto, mas o Espírito (cf. Mt. 4, 1). Foi o Pai quem permitiu a  provação do Seu Filho. Também nós, como filhos de Deus, somos conduzidos a um deserto. Mas olhando a vida de nosso Salvador, Ele que tem a plenitude no Espírito Santo (cf. Mt. 3,16) possui a Força necessária para vencer qualquer provação. Cada um de nós deve ter consciência de que possuímos, assim como Jesus, a Força de Deus em nós. Pois somos habitados por Deus ( cf.I Cor. 6, 19).

Diante disso, poderíamos nos perguntar: será que o deserto é necessário? Sim, o deserto é necessário. Se todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8,28), ir para o deserto é algo bom, é o lugar de encontro com Deus. Jesus foi para lá antes de iniciar sua vida pública. Neste tempo, Ele ficou em oração e comunhão com o Pai, preparando-se para a grande obra que viria a ser feita. Lembremos, portanto, de consultar o Pai antes de qualquer empreitada, seja ela grande ou pequena. O Espírito Santo impeliu Jesus a um lugar onde ele pudesse ficar em contato maior com Deus Pai. Assim Ele impelirá cada um dos seus filhos, os quais são habitados por Ele, a buscá-lo cada vez mais. E às vezes isto significa que o Pai poderá colocá-lo em situações difíceis. Mas junto com a provação, ele dá também os meios de suportá-la e de sair dela (cf.1 Cor. 10,13).

Em sua provação, Jesus representa toda a Humanidade. Pois consistem nas mesmas tentações que passamos ou passaremos durante a nossa vida. São elas:

  • O PRAZER: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”.
  •  O PODER/DOMÍNIO:  “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”.
  • E O TER: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”.

Percebemos grande astúcia do Diabo, quando utiliza a própria Escritura como instrumento de tentação. E Jesus, por sua vez, rebate com uma frase do Deuteronômio – o Livro da Lei/Aliança de Deus, cada uma das tentações. Ele as venceu não se valendo de sua condição divina, mas apenas por meio da sua entrega a Deus e, se apegando a oração e o jejum. São simples armas que o Senhor quer que utilizemos neste tempo forte de Conversão que chamamos de QUARESMA.

Precisamos trazer para a nossa vida a autêntica perspectiva cristã, não nos apegando a “facilidades diabólicas”. Somente ouvintes ativos da Palavra de Deus conseguem combater essa mentalidade mundana que prega facilidades. Mas compreendendo que o Projeto de Deus para a nossa Salvação exige fé no Senhor que nos chama e esforço pessoal. Pois o Reino de Deus exige força para lutar por ele (cf. Mt. 11, 12).

Para Refletir…

Tu poderias… “Se és Filho de Deus…” Não nos acontece, às vezes, estar também do lado do tentador? “Se és Filho de Deus…” Tu poderias suprimir as fomes, as guerras, a miséria… Tu poderias tornar a tua Igreja próspera e célebre aos olhos das nações… Tu poderias… “Vai-te embora, Satanás!”

Fontes exegéticas:

  1. Don Claudio Doglio
  2. Portal Dehonianos de Portugal

 

 

 

Quarta-feira de Cinzas 2017.

Informações básicas:
– Jejum, Oração e Esmola autênticos.
– Oração –  penitência que nos fortalece contra o mal.
– Leituras: Jl 2, 12-18; Sl 50; 2 Cor 5, 20-6,2; Mt 6, 1-6.16-18.

Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles.

papa-recebendo-as-cinzas
Papa Francisco recebendo a imposição das cinzas. 

Hoje iniciamos a Quaresma, e a imposição da cinza —que devemos receber— é acompanhada pela fórmula: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc. 1, 15). Antigamente este rito era acompanhado pelo versículo: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn. 3, 19). Recordando nossa mortalidade,  e sempre um convite a contemplar de uma maneira diferente a nossa vida.

 

Em um contexto de instrução aos seus discípulos, Jesus os adverte acerca da “prática da justiça”.  Justiça esta que consiste em viver conforme aos princípios evangélicos, sem esquecer que Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus (Mt. 5,20).  Estes, usavam da religião e de seus preceitos para se autopromoverem socialmente. Quando se vive uma religião de aparências, cai-se na hipocrisia. O fato de sermos vistos, admirados, elogiados, afagados, constitui-se uma necessidade da nossa carne fraca, por isso, se não estivermos atentos (as), ficaremos esperando elogios, aplausos e nos entristeceremos quando não formos aclamados por causa das nossas boas ações. Porém quando nos deixamos recompensar somente por Deus que está escondido no profundo do nosso ser, então as nossas obras, mesmo que não sejam vistas pelos homens, têm um perfume agradável a Ele e receberemos a Sua recompensa. Fazer para aparecer é não fazer por amor. Deus vê o coração e receberemos a recompensa se agirmos por amor a Ele.

Hoje, nosso Mestre Jesus nos apresenta em seu Evangelho três armas poderosas e eficazes que nos ajudarão em nossa luta pela conversão. A saber: a esmola (caridade), a oração e o jejum.

A caridade é um exercício no relacionamento com o outro. Jesus nos fala no evangelho em dar esmola (do grego eleêmosyne, “piedade, compaixão”) que poderíamos traduzir como alguma obra concreta em favor do irmão. Pois o Amor-Caridade é fazer o bem ao próximo, é querer o bem do outro, como se quer o próprio bem. Nossa fé cristã não é feita apenas de belos ensinamentos e boas intenções. Em nossa vida cotidiana, temos sempre oportunidade de sermos caridosos para com o próximo. Isto não só a nível material, mas também na maneira com que tratamos as pessoas.

O ato de orar é exercitar-se na disciplina do relacionamento com Deus. Jesus destaca o valor da oração pessoal: quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto (Mt. 6, 6a). É por meio da oração que mantemos acesa a chama da fé e do amor em nossos corações, é onde alimentamos nossa intimidade com o Senhor que nos convida a sermos melhores. No corre-corre da vida, frequentemente deixamos de lado nosso momento de oração pessoal diário. E, quando percebemos, já estamos afastados do Senhor e desencorajados diante das dificuldades da vida. Por isso, é preciso encontrar uma disciplina: um horário, um lugar fixo… Com isso, aprenderemos a nos refugiar em Deus.

O Jejum é um exercício que ajuda no relacionamento consigo mesmo. Fortalece a vontade na luta contra os desejos contrários à vida. O jejum se refere sempre a uma disciplina ligada à alimentação. Porém, não se trata de dieta alimentar. Mas um modo de ter autodomínio para que se possa dar um novo sentido ao prazer. E junto com o jejum, temos a abstinência. Conhecemos muito bem a abstinência de carne, mas podem-se praticar muitas outras formas que possam ajudar na disciplina pessoal da vida.  Entretanto, precisamos estar atentos para não cair na “vaidade do jejum”. Há pessoas que se apegam ao jejum como um capricho pessoal, uma vaidade. Fazendo dele um fim e não um meio. Todo jejum deve ser iniciado com espírito de oração, para não ser desviado de seu real sentido.

Esta é a perspectiva da penitência e conversão que Deus pedia ao Povo de Israel, por meio do profeta Joel: voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes (Jl. 2, 12-13). Diante do luto ou das calamidades, era costume o Povo de Israel rasgar suas vestes. E perante a iminente invasão dos povos inimigos, o Senhor pede mais do povo. Somente quando o homem rasga o coração é que ocorre a verdadeira conversão. E podemos reconhecer e clamar com o salmista no Salmo 50: Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.

A Quaresma é o convite que cada ano nos faz a Igreja a um aprofundamento interior, a uma conversão exigente, como afirma s. Paulo: É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação (2Cor 6,2).  Para que dando os frutos pertencentes que o Senhor espera de nós, vivamos com a máxima plenitude de alegria e o gozo espiritual da Páscoa.

7º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:
Ser perfeito e santo é amar.
– Oração – conhecer o que é reto, para realizar a vontade de Deus.
– Leituras: Lv. 19, 1-2.17-18; Sl. 102; 1 Cor. 3,16-23; Mt. 5, 38-48.

Amai os vossos inimigos.

sermao_da_montanha7Uma vez mais, damos continuidade ao estupendo Sermão da Montanha. Ouvimos a doutrina da Boa Nova de Jesus, segundo s. Mateus. Ali transmite aos discípulos a Nova Lei, a qual não contradiz a Antiga Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento (cf. Mt. 5, 17).

Hoje, continuando o trecho evangélico da semana passada, temos as “antíteses”, compostas de cinco sentenças. Sendo três delas vistas no último domingo. E para hoje, restam ainda duas.

Jesus começa recordando a conhecida “Lei de talião”[1], isto é, a lei da retaliação. Onde se prega que a pena deve ser proporcional à culpa/dano causado. E Jesus nos propõe “algo a mais”, que vai além de uma simples justiça retributiva. Ele propõe um “dom de graça”, capaz de mudar, converter o coração do homem: “Não enfrenteis que é malvado!” (Mt. 5, 39). A nossa oposição ao malvado deve ser feita pondo em prática este “algo a mais”, com dose extra de Amor-Caridade.

“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’”(Mt. 5, 43). Esta segunda parte não é bíblica, mas sim uma explicação corrente na época: o inimigo/adversário perigoso, esse é digno de ódio. Jesus nos propõe uma atitude que vai “de encontro” ao inimigo. Não só amar o próximo, mas oferecer uma possibilidade àqueles que não são próximos ou ligados afetivamente a nós. É a possibilidade de por em prática este algo a mais.

“E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário?” (Mt. 5, 47).  Cumprimentar quem nos é amistoso é um gesto instintivo. Até um cão reage bem a quem lhe trata bem e rosna a quem lhe ameaça ferir. Muitas vezes nos comportamos assim: tratamos bem os amigos e nos consideramos os melhores cristãos. Jesus, quando nos propõe o algo a mais, não nos pede o impossível, mas nos dá a capacidade de fazer o extraordinário. É a Graça de Jesus que nos dá esta capacidade.

“Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt. 5, 48). Com o auxílio da Graça de Jesus podemos alcançar a perfeição, isto é a plena maturidade, porque somos filhos. O Pai é assim e nos transmite a sua capacidade de amar. Podemos ser maduros no modo de amar, como é o Pai.

A primeira leitura de hoje é composta por uma série de antigos preceitos, é a nobreza da Antiga Lei, mais conhecida como o Código de santidade do Levítico. Este culmina com o mandato do amor ao próximo (cf. Lv. 19, 18). Muito similar ao que nos foi transmitido por Jesus. Sendo o seu diferencial a sua própria Pessoa. Como Legislador, Ele deu aos seus discípulos a capacidade extraordinária, a conformação dos filhos ao Pai: Deus é Amor (I Jo. 4, 8) e, espera de nós gestos de amor.

Assim, como filhos do Pai misericordioso, podemos louvá-Lo, como o salmista no Salmo 102. Que eleva um grande louvor ao Deus da Misericórdia: “O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo”. Ele é Perfeito no amor e, nós como filhos, temos como herança a sua enorme capacidade de amar.

Na segunda leitura deste domingo, s. Paulo escreve aos Coríntios, fazendo uma séria exortação: não vos iludais com vossa autossuficiência, em serem autônomos. Pois a mentalidade deste mundo é insensatez. Ou seja, precisamos acolher a Sabedoria que vem de Deus e nos deixar formar por ela. Se acolhermos a Graça de Deus, teremos a possibilidade de sermos realmente sábios. “Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum… Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (I Cor. 3, 22-23).

***

[1]lei de talião, do latim lex talionis (lex: lei e talio, de talis: tal, idêntico), também dita pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. Esta lei é frequentemente expressa pela máxima olho por olho, dente por dente. Os primeiros indícios do princípio de talião foram encontrados no Código de Hamurábi, em 1 780 a.C. no reino da Babilônia.

6º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:
o Amor como plenitude da Lei.
– Oração – Deus vive nos corações sinceros e retos, que os nossos sejam.
– Leituras: Eclo 15, 16-21; Sl 118; 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

Assim foi dito aos antigos; eu, porém, vos digo.

sermao-da-montanhaHoje, mais uma vez, ouvimos a doutrina da Boa Nova de Jesus, segundo s. Mateus. Em três capítulos o Evangelista expõe a doutrina cristã, tendo como “cenário” (ambiente) Jesus que ensina sobre a Montanha (cf. Mt. 5,1). Ali transmite aos discípulos a Nova Lei, a qual não contradiz a Antiga Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento (cf. Mt. 5, 17).

No trecho deste domingo temos as “antíteses”, compostas de cinco sentenças, onde Jesus manifesta grande autoridade: “assim foi dito aos antigos… Eu, porém, vos digo…”. Esta contraposição não gera conflito, mas sim, completa o sentido da Lei. Ele mesmo já havia esclarecido isto antes. A obra de Jesus é favorecer a prática dos Mandamentos, até nas pequenas coisas!

Mas olhando de modo superficial, vemos grande rigorosidade neste ensinamento (quem nunca se encolerizou/sentiu raiva de um irmão?).  Vendo por este viés, não compreendemos a Boa Nova do ensinamento de Jesus. Em nosso olhar, temos que levar em conta que todos os Mandamentos são preceitos de ação que vai do exterior para o interior de quem os pratica. Os mestres da Lei (escribas) e os fariseus eram irrepreensíveis, do ponto de vista legal. Entretanto, Jesus não nos diz: “Sejam como os mestres da Lei e os fariseus”, mas sim, “se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (v 20).  [Interpreto aqui o conceito de justiça como correspondente à santidade]. Ou seja, Ele nos convida a superá-los! Mas como é possível?

O que Jesus nos propõe é Graça, é Dom de Deus. Como cristãos batizados e templos de Deus, temos a Sua força em nós (cf. Jo. 7, 38). Esta “força” é luz, é sabedoria que vem do próprio Deus! A Lei diz: “Não Matarás!” Porém, Jesus nos dá a possibilidade de irmos além: amar e tratar bem o irmão. Pois aquele que tem e age com Caridade cumpre toda a Lei (cf. Rm. 13, 10). O próprio Jesus nos deixou o exemplo. A Lei que Jesus propõe é Graça de uma vida nova, a possibilidade de cumprir em plenitude o que agrada a Deus.

Em nossa 1ª leitura, extraída do Eclesiástico (Sirácidas), o autor chamado Jesus Bensirac (mestre da Lei de Jerusalém, 180 a.C.) afirma que Deus nos dá a possibilidade de escolhas: “Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água… Estão a vida e a morte, o bem e o mal; receberá aquilo que preferir” (Eclo. 15, 17-18). Quem põe a mão no fogo, se queima! Mas a ninguém Deus manda queimar-se. Mas nos indica o caminho do bem.

Jesus Cristo vai além, pois por sua Graça torna possível não apenas “fazer o bem”, mas de sermos bons, pela Bondade de Deus em nós! E nos dá a felicidade: “Feliz quem na Lei do Senhor Deus vai progredindo!” (Sl. 118).

Já na 2ª leitura, s. Paulo fala de uma sabedoria voltada para os “perfeitos” (cristãos conscientes e maduros). Sabedoria que não é terrena. Por isso, os grandes deste mundo não a conheceram. Para sermos homens e mulheres sábios, precisamos amadurecer na fé. Este é o caminho da vida, revelado a nós pelo Espírito: viver como Jesus (autênticos cristãos). “Que o vosso sim seja sim, e o vosso não seja não” (Mt. 5. 37). Assim, na sinceridade e autenticidade da vivência cristã, nós reinaremos com Ele.

 

Sacramento da Confissão: Não tenha medo!

Jesus veio ao nosso mundo para tirar o pecado; como disse São João Batista, “Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29).

O Filho de Deus não veio a este mundo para outra finalidade, senão esta. E para isso pregou o Evangelho da Salvação, instalou o Reino de Deus entre nós, instituiu a Igreja para levar a cabo esta missão de arrancar o pecado da humanidade, e morreu na Cruz, para com sua morte e ressurreição nos justificar diante da Justiça divina.

Com o preço infinito de Sua Vida, Ele pagou o nosso resgate, reparou a ofensa infinita que nossos pecados fazem contra a infinita Majestade de Deus. E deixou com a Sua Igreja a incumbência de levar o perdão a todos os que crerem no Seu Nome. É por meio da Confissão (= Penitência, Reconciliação) que a Igreja cumpre a vontade de Jesus de levar o perdão e a paz aos filhos de Deus.

Infelizmente muitos católicos ainda não se deram conta da importância capital da Confissão, que só na Igreja Católica existe.

“Alguém pode dizer: ‘Eu confesso-me apenas a Deus’. Sim, podes pedir perdão a Deus e dizer os teus pecados, mas os nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja, por isso é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote (…) Vai em frente, que o sacerdote será bom. É Jesus que está lá e Jesus é o melhor dos padres, Jesus recebe-te, com tanto amor. Sê corajoso e vai à Confissão! (…) Quando nos transformamos a nós mesmos na única medida, sem ter de prestar contas a ninguém, fechamo-nos a Deus e aos irmãos. Pelo contrário, quando nos deixamos reconciliar por Jesus, encontramos a verdadeira paz”.

Pp. Francisco, 19 – II- 2014.

Água benta: significado e importância…

 

Quase todos os dias, antes ou durante a missa, sou solicitado para abençoar a água. Porém, muita gente não tem consciência do valor e da importância deste sacramental.

A água benta é um sacramental. Sempre que o sacerdote a benze, fá-lo em nome da Igreja e na qualidade de seu representante, cujas orações o nosso Divino Salvador sempre aceita com benevolência.

Usada com fé, aumenta em nós a Graça Santificante e atrai-nos a Benção Divina, para a alma e o corpo, põe em fuga o demônio, ajuda-nos a vencer as tentações, e alivia o sofrimento das almas do Purgatório. Tudo isto como resultado da eficácia que lhe confere a benção da Igreja, que lhe aplica os méritos do Divino Salvador. Santa Teresa tinha-lhe especial amor, como meio para pôr em fuga o demônio. Na Igreja recorda o nosso batismo, e ao traçarmos o sinal da cruz, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, nos inserimos na paixão, morte e ressurreição de Jesus.