Água benta: significado e importância…

 

Quase todos os dias, antes ou durante a missa, sou solicitado para abençoar a água. Porém, muita gente não tem consciência do valor e da importância deste sacramental.

A água benta é um sacramental. Sempre que o sacerdote a benze, fá-lo em nome da Igreja e na qualidade de seu representante, cujas orações o nosso Divino Salvador sempre aceita com benevolência.

Usada com fé, aumenta em nós a Graça Santificante e atrai-nos a Benção Divina, para a alma e o corpo, põe em fuga o demônio, ajuda-nos a vencer as tentações, e alivia o sofrimento das almas do Purgatório. Tudo isto como resultado da eficácia que lhe confere a benção da Igreja, que lhe aplica os méritos do Divino Salvador. Santa Teresa tinha-lhe especial amor, como meio para pôr em fuga o demônio. Na Igreja recorda o nosso batismo, e ao traçarmos o sinal da cruz, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, nos inserimos na paixão, morte e ressurreição de Jesus.

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Nossa Senhora da Saudade: “Vinde a Ela, vós todos que sofreis”.

No dia 30 de Janeiro  comemora-se no Brasil o Dia da Saudade. Olhando a vida da Ssma. Virgem Maria, percebemos o quão humana ela foi. A ponto de viver a saudade em extremo! Recordemos a imensa saudade que a Virgem Maria teve de seu Filho, nos três dias incompletos que seu corpo esteve no sepulcro.

A devoção a Nossa Senhora da Saudade nasceu em 30 de março de 1918, após a Virgem Maria ter aparecido em sonho para a Irmã Ignez do Sagrado Coração de Jesus, uma das fundadoras do Carmelo de São José, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde se encontra sua única, linda e comovente imagem, esculpida em mármore branco.

Trata-se, portanto, de uma invocação genuinamente brasileira, “inspirada pelo Alto para, de modo especial, honrar a dor, até então desconhecida, do Imaculado Coração de Maria, durante as 36 horas, ou seja, os três dias incompletos, do encerramento de Jesus no sepulcro”.

De acordo com o jornalista Mozart Monteiro, em seu livro “Nossa Senhora da Saudade”, “a devoção da Coroa de Saudades da Rainha dos Mártires foi desde logo apresentada ao eminente teólogo Padre Dr. João Gualberto do Amaral, e por ele examinada. Declarou o ilustre sacerdote ser esta devoção perfeitamente ortodoxa, nada tendo que contrariasse a sã doutrina da Igreja; e acrescentou que o número 36, das horas do sepultamento de Cristo, se encontra no corpo da ‘Suma’, de São Tomás de Aquino – cuja obra é a expressão mais perfeita da ortodoxia católica” (p. 139).

Naquela época, a cidade de Petrópolis pertencia à Diocese de Niterói, cujo Bispo, Dom Agostinho Benassi, aprovou a devoção, autorizando a impressão de folhetos com a fórmula da Coroa de Saudades.

Como explica Nilza Botelho Megale, no livro Invocações da Virgem Maria no Brasil, “foi então instituída a ‘Coroa da Saudade da Rainha dos Mártires’ (aprovada pelo bispo de Niterói), espécie de terço constituído de três mistérios, cada um constando de um ‘Pai Nosso’ e doze ‘Lembrai-vos’, somando, portanto, esta última oração o número 36, correspondente às horas de sofrimento da Mãe Celestial. Na medalha de Nossa Senhora com que termina a coroa rezam se três ‘Aves Marias’ e uma súplica especial à Rainha dos Mártires”.

Com a criação da Diocese de Petrópolis, em 1948, o primeiro Bispo, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, em 1950, vetou a difusão pelo país da devoção a Nossa Senhora da Saudade, autorizando-a apenas nos limites do Carmelo de São José.

A restauração da Liturgia da Semana Santa pelo Papa Pio XII, em 1956, ratificando o luto intenso para o Sábado Santo, antigo Sábado de Aleluia, tornou evidente o martírio da Saudade sofrido pela Mãe Divina durante o sepultamento de Jesus, vindo respaldar o culto a Nossa Senhora da Saudade.

A única imagnossa-senhora-saudadeem de Nossa Senhora da Saudade encontra-se na clausura do Carmelo de São José, em Petrópolis. Esculpida em Paris, em mármore Carrara, mede 1,66 m de altura, sem contar o globo terrestre que fica aos pés da Virgem. Foi doada por uma senhora da sociedade, em agradecimento às graças recebidas da Virgem Saudosa.

A imagem representa Maria em tamanho natural, de pé sobre o globo terrestre e com a cabeça ligeiramente inclinada para baixo, encimada por bonita coroa de ouro. Seu semblante docemente triste deixa transparecer um sorriso melancólico. Sua mão esquerda se apoia sobre o peito, trespassado por um punhal de ouro, enquanto com a direita segura a “coroa da Saudade”, também de ouro.

Acima da Imagem lê-se a inscrição:

“Vinde a Ela, vós todos que sofreis, vós todos que chorais; e Ela vos consolará”. 

fonte: Comunidade Flor do Carmelo

Adaptação: Pe. Henrique Maria, sjs.

Homilia da Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Informações básicas

– A Concepção Imaculada de Maria é início da Redenção.

– Oração –  Preparastes uma digna habitação para o Vosso Filho.

– Leituras: Gn 3,9-15.20 ; Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a); Ef 1,3-6.11-12; Lc 1,26-38.

Alegra-te, cheia de graça!

Assim o Arcanjo Gabriel saúda a Virgem Maria, reconhecendo-a com o título solene: “cheia de Graça”. Ele não a chama pelo nome, mas lhe confere este título, que significa: transformada pela Graça, completamente renovada pelo Amor Onipotente de Deus.

Por este motivo, a Igreja pôde afirmar solenemente (como Dogma de Fé) que Maria é Cheia de Graça, desde a sua concepção. Quando concebida no ventre de sua mãe (que a Tradição chamou de Ana), Maria não possuía nenhum traço do pecado original. E desde a sua concepção, ela foi preservada por Deus.

250px-0_limmaculee_conception_-_p-p-_rubens_-_prado_-_p1627_-_2A Imaculada Conceição não se refere à concepção virginal de Jesus, mas sim, ao primeiro instante da existência de Maria. Naquele momento, a Graça de Deus a salvou por antecipação em vista e pelos méritos de Cristo, seu Filho. É a primeira a ser redimida por Ele. Nela, “Toda Bela” toda pura, se manifesta o poder da Graça de Deus. Quer dizer que, em Maria, o pecado não é apenas coberto, oculto ou ignorado, mas sim, eliminado.

Em nossa vida, o mal/pecado ainda existe. Contudo, a Redenção que Cristo nos oferece não é ficção: um fingir estar purificado. Como alguém que varre a casa, e no fim empurra toda a sujeira para debaixo da cama. Então, basta apagar a luz e o quarto fica limpo? Não. Apenas não se vê, mas a sujeira ainda está lá. Em Cristo Jesus não é assim, não se trata de fingir estar curado, mas curar realmente! Nós, os batizados, estamos todos neste processo de cura, mas temos ainda o mal em nós (pela concupiscência → CUPIDEZ: avidez/cobiça de bens materiais ou sensíveis). Seremos curados/salvos quando formos santos e imaculados (sem mancha) pelo amor-caridade (cf. Ef. 1, 4-6) ao lado do Senhor, na vida eterna.

Ser Imaculada, não significa que Maria fosse isenta da possibilidade de pecar. Como mulher, ela possuía a Liberdade, dom que Deus dá a todos nós. Ela foi livre para decidir. E sempre decidiu por fazer a vontade do Senhor (cf.Lc. 1, 38).

batismo-frameA Graça vem em socorro a todos nós, pelos sacramentos. Mas é preciso colaborar com ela! Com a presença de Cristo em nós e nosso empenho pessoal, podemos vencer o pecado. Pois é preciso resistir até o sangue na luta contra o pecado! (cf.Hb. 12, 4).

ALEGRA-TE, VIRGEM MARIA, CHEIA DE GRAÇA! ROGA POR NÓS, PECADORES, PARA QUE POSSAMOS NOS TORNAR COMO TU: CHEIOS DE GRAÇA!

O verdadeiro valor das Relíquias…

sdc12623Recentemente fui presenteado pelos padres passionistas de Roma com uma relíquia de São Gabriel da Virgem Dolorosa (o mesmo que é o padroeiro de nosso blog). O que me levou a pesquisar qual é o verdadeiro valor das relíquias dos santos.  Mas primeiro, você sabe o que é uma relíquia?

Uma relíquia (do latim reliquiae) é um objeto preservado para efeitos de veneração no âmbito de uma religião, sendo normalmente uma peça associada a uma história religiosa. Podem ser objetos pessoais ou partes do corpo de um santo. As relíquias são usualmente guardadas em receptáculos chamados relicários.

Existem três classificações de relíquias: primeira classe, que é a parte do corpo de um santo (osso, unha, cabelo, etc); segunda classe, são objetos pessoais de um santo (roupa, cajado, pregos da cruz, etc) e as de terceira classe que inclui pedaços de tecidos que tocaram no corpo do santo, ou no relicário, onde uma porção do seu corpo está conservada. A Igreja Católica, consciente de que a Santidade do próprio Deus refulge e manifesta-se em seus santos, venera, admira e invoca a intercessão dos mesmos, certo de que este procedimento, longe de ofender a Deus, ou de afastar os homens d’Ele, é algo que muito lhe agrada e muito favorece a Vida Cristã.

O Santo Padre, o Papa Bento XVI, ao relembrar a figura de São João Damasceno (séc. VIII), relembra uma definição clara e sempre atual feita pelo santo: “Damasceno ‘foi um dos primeiros que distinguiu no culto público e privado dos cristãos entre adoração (latreia) e veneração images(proskynesis): a primeira se pode dirigir unicamente a Deus e a segunda, entretanto, pode usar uma imagem para dirigir-se àquele que está representado na mesma imagem’. Os católicos veneram ‘as relíquias dos santos sobre a base da convicção de que os santos cristãos, ao terem participado da ressurreição de Cristo, não podem ser considerados simplesmente como mortos.’” * Lembremos o emocionante momento em que o Papa Bento expôs a Relíquia do Beato João Paulo II, na ocasião de sua beatificação (maio passado). Tal relíquia é o sangue de João Paulo II, que foi colhido durante seus últimos dias de vida, quando ele estava gravemente doente, para ser usado numa transfusão, caso fosse necessário. O sangue foi colocado em uma ampola e foi usado como relíquia do novo beato, para ser venerada pelos fiéis durante a cerimônia.

Nosso Pai – Fundador, o Pe. Gilberto Maria Defina, sjs, tinha uma grande devoção aos santos (amigos de Deus) e lhe agradava a veneração das relíquias dos mesmos. Tanto que durante anos mantivemos, a seu pedido, uma relíquia de Santa Felicidade (mártir do séc. III) em veneração pública na Capela Maior de nossa Casa de Formação.  Com relação à piedade e veneração de relíquias, nós salvistas tivemos um outro grande exemplo: o Pe. Mario Ugo Scacheri, missionário do PIME.  Até o fim de sua vida terrena,  o Pe. Mario manteve à cabeceira de sua cama as relíquias de seus santos de devoção, em particular, a de São José Bento Cottolengo.

Em tudo isso, afirmamos que as relíquias não são objetos mágicos ou amuletos de sorte, mas são estímulos à piedade cristã. Elas nos ajudam a lembrar-nos  dos santos, de suas vidas, de seus exemplos de virtude, da necessidade de também nós trilharmos o caminho da Santidade, de que eles, mesmo no Céu, não nos abandonaram, mas ainda estão conosco, nos ajudam e intercedem por nós.

* Audiência Geral do Papa Bento XVI, do dia 06 de maio de 2009. Com o tema: Ensinamentos de São João Damasceno.