1º Domingo da Quaresma, Ano A.

Informações básicas:
– O Espírito nos leva ao Deserto Quaresmal.
– Oração –  Conhecer Jesus Cristo e responder ao seu amor por uma vida santa.- Leituras: Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50,3-4.5-6a.12-13.14.17 (R.Cf.3a); Rm 5,12-19; Mt 4,1-11.

O Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo.

A cada ano, o Caminho quaresmal nos convida a tomar consciência do nosso Batismo. Na Antiguidade, os Padres da Igreja organizavam este tempo de 40 dias para a preparação dos Catecúmenos, em vista do Batismo. Esses são os que fazem o Caminho Catecumenal, ouvem a Palavra de Deus e aderiram ao Evangelho de Cristo. E na noite de Páscoa são feitos cristãos, através do Batismo.

É na Quaresma que todos os batizados são chamados a valorizar a Graça recebida: somos batizados, somos imersos em Cristo! As leituras propostas para a Quaresma nos auxiliam a redescobrir a beleza de sermos cristãos, batizados na morte e ressurreição de Jesus, isto é, vivemos plenamente como filhos e filhas de Deus em Jesus.

as-tentacoes-no-desertoO primeiro domingo é dedicado ao tema da provação ou tentação. Encontramos Jesus logo após o seu Batismo, e no início de sua vida pública é conduzido pelo Espírito Santo ao deserto. Repare que não é o Diabo que conduz Jesus ao deserto, mas o Espírito (cf. Mt. 4, 1). Foi o Pai quem permitiu a  provação do Seu Filho. Também nós, como filhos de Deus, somos conduzidos a um deserto. Mas olhando a vida de nosso Salvador, Ele que tem a plenitude no Espírito Santo (cf. Mt. 3,16) possui a Força necessária para vencer qualquer provação. Cada um de nós deve ter consciência de que possuímos, assim como Jesus, a Força de Deus em nós. Pois somos habitados por Deus ( cf.I Cor. 6, 19).

Diante disso, poderíamos nos perguntar: será que o deserto é necessário? Sim, o deserto é necessário. Se todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8,28), ir para o deserto é algo bom, é o lugar de encontro com Deus. Jesus foi para lá antes de iniciar sua vida pública. Neste tempo, Ele ficou em oração e comunhão com o Pai, preparando-se para a grande obra que viria a ser feita. Lembremos, portanto, de consultar o Pai antes de qualquer empreitada, seja ela grande ou pequena. O Espírito Santo impeliu Jesus a um lugar onde ele pudesse ficar em contato maior com Deus Pai. Assim Ele impelirá cada um dos seus filhos, os quais são habitados por Ele, a buscá-lo cada vez mais. E às vezes isto significa que o Pai poderá colocá-lo em situações difíceis. Mas junto com a provação, ele dá também os meios de suportá-la e de sair dela (cf.1 Cor. 10,13).

Em sua provação, Jesus representa toda a Humanidade. Pois consistem nas mesmas tentações que passamos ou passaremos durante a nossa vida. São elas:

  • O PRAZER: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”.
  •  O PODER/DOMÍNIO:  “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”.
  • E O TER: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”.

Percebemos grande astúcia do Diabo, quando utiliza a própria Escritura como instrumento de tentação. E Jesus, por sua vez, rebate com uma frase do Deuteronômio – o Livro da Lei/Aliança de Deus, cada uma das tentações. Ele as venceu não se valendo de sua condição divina, mas apenas por meio da sua entrega a Deus e, se apegando a oração e o jejum. São simples armas que o Senhor quer que utilizemos neste tempo forte de Conversão que chamamos de QUARESMA.

Precisamos trazer para a nossa vida a autêntica perspectiva cristã, não nos apegando a “facilidades diabólicas”. Somente ouvintes ativos da Palavra de Deus conseguem combater essa mentalidade mundana que prega facilidades. Mas compreendendo que o Projeto de Deus para a nossa Salvação exige fé no Senhor que nos chama e esforço pessoal. Pois o Reino de Deus exige força para lutar por ele (cf. Mt. 11, 12).

Para Refletir…

Tu poderias… “Se és Filho de Deus…” Não nos acontece, às vezes, estar também do lado do tentador? “Se és Filho de Deus…” Tu poderias suprimir as fomes, as guerras, a miséria… Tu poderias tornar a tua Igreja próspera e célebre aos olhos das nações… Tu poderias… “Vai-te embora, Satanás!”

Fontes exegéticas:

  1. Don Claudio Doglio
  2. Portal Dehonianos de Portugal

 

 

 

Quarta-feira de Cinzas 2017.

Informações básicas:
– Jejum, Oração e Esmola autênticos.
– Oração –  penitência que nos fortalece contra o mal.
– Leituras: Jl 2, 12-18; Sl 50; 2 Cor 5, 20-6,2; Mt 6, 1-6.16-18.

Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles.

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Papa Francisco recebendo a imposição das cinzas. 

Hoje iniciamos a Quaresma, e a imposição da cinza —que devemos receber— é acompanhada pela fórmula: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc. 1, 15). Antigamente este rito era acompanhado pelo versículo: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn. 3, 19). Recordando nossa mortalidade,  e sempre um convite a contemplar de uma maneira diferente a nossa vida.

 

Em um contexto de instrução aos seus discípulos, Jesus os adverte acerca da “prática da justiça”.  Justiça esta que consiste em viver conforme aos princípios evangélicos, sem esquecer que Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus (Mt. 5,20).  Estes, usavam da religião e de seus preceitos para se autopromoverem socialmente. Quando se vive uma religião de aparências, cai-se na hipocrisia. O fato de sermos vistos, admirados, elogiados, afagados, constitui-se uma necessidade da nossa carne fraca, por isso, se não estivermos atentos (as), ficaremos esperando elogios, aplausos e nos entristeceremos quando não formos aclamados por causa das nossas boas ações. Porém quando nos deixamos recompensar somente por Deus que está escondido no profundo do nosso ser, então as nossas obras, mesmo que não sejam vistas pelos homens, têm um perfume agradável a Ele e receberemos a Sua recompensa. Fazer para aparecer é não fazer por amor. Deus vê o coração e receberemos a recompensa se agirmos por amor a Ele.

Hoje, nosso Mestre Jesus nos apresenta em seu Evangelho três armas poderosas e eficazes que nos ajudarão em nossa luta pela conversão. A saber: a esmola (caridade), a oração e o jejum.

A caridade é um exercício no relacionamento com o outro. Jesus nos fala no evangelho em dar esmola (do grego eleêmosyne, “piedade, compaixão”) que poderíamos traduzir como alguma obra concreta em favor do irmão. Pois o Amor-Caridade é fazer o bem ao próximo, é querer o bem do outro, como se quer o próprio bem. Nossa fé cristã não é feita apenas de belos ensinamentos e boas intenções. Em nossa vida cotidiana, temos sempre oportunidade de sermos caridosos para com o próximo. Isto não só a nível material, mas também na maneira com que tratamos as pessoas.

O ato de orar é exercitar-se na disciplina do relacionamento com Deus. Jesus destaca o valor da oração pessoal: quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto (Mt. 6, 6a). É por meio da oração que mantemos acesa a chama da fé e do amor em nossos corações, é onde alimentamos nossa intimidade com o Senhor que nos convida a sermos melhores. No corre-corre da vida, frequentemente deixamos de lado nosso momento de oração pessoal diário. E, quando percebemos, já estamos afastados do Senhor e desencorajados diante das dificuldades da vida. Por isso, é preciso encontrar uma disciplina: um horário, um lugar fixo… Com isso, aprenderemos a nos refugiar em Deus.

O Jejum é um exercício que ajuda no relacionamento consigo mesmo. Fortalece a vontade na luta contra os desejos contrários à vida. O jejum se refere sempre a uma disciplina ligada à alimentação. Porém, não se trata de dieta alimentar. Mas um modo de ter autodomínio para que se possa dar um novo sentido ao prazer. E junto com o jejum, temos a abstinência. Conhecemos muito bem a abstinência de carne, mas podem-se praticar muitas outras formas que possam ajudar na disciplina pessoal da vida.  Entretanto, precisamos estar atentos para não cair na “vaidade do jejum”. Há pessoas que se apegam ao jejum como um capricho pessoal, uma vaidade. Fazendo dele um fim e não um meio. Todo jejum deve ser iniciado com espírito de oração, para não ser desviado de seu real sentido.

Esta é a perspectiva da penitência e conversão que Deus pedia ao Povo de Israel, por meio do profeta Joel: voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes (Jl. 2, 12-13). Diante do luto ou das calamidades, era costume o Povo de Israel rasgar suas vestes. E perante a iminente invasão dos povos inimigos, o Senhor pede mais do povo. Somente quando o homem rasga o coração é que ocorre a verdadeira conversão. E podemos reconhecer e clamar com o salmista no Salmo 50: Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.

A Quaresma é o convite que cada ano nos faz a Igreja a um aprofundamento interior, a uma conversão exigente, como afirma s. Paulo: É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação (2Cor 6,2).  Para que dando os frutos pertencentes que o Senhor espera de nós, vivamos com a máxima plenitude de alegria e o gozo espiritual da Páscoa.

5º Domingo do Tempo Comum, A

Informações básicas
– Espiritualidade laical.
– Oração – família, como confiamos na graça que o Senhor guarde.
– Leituras: Is 58, 7-10; Sl 111; 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13-16.

“Que brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.

Logo após o Sermão da Montanha, s. Mateus insere um ensinamento de Jesus, o qual atribui aos seus discípulos a qualidade de serem “sal da terra e luz do mundo” (vv. 13-14). Já há alguns domingos temos tratado do tema da luz. Porém, hoje Jesus (a Luz verdadeira) envolve também seus discípulos neste compromisso de ser luz. Todos aqueles que se aproximaram de Jesus, os que ouviram suas Palavras foram investidos de uma responsabilidade, um compromisso: se tornar luz para os outros. Trata-se da mesma temática da primeira leitura e também do salmo hodierno.

salluzContudo, antes de usar o símbolo da luz, Jesus menciona o sal: símbolo do sabor, do gosto. A comida sem sal é insossa… Mas o que é para nós alguém “sem sal”? Você poderia me responder: “se refere a alguém ‘sem graça!’” Pois bem, usando do termo, não me refiro a alguém sem carisma, ou de ânimo apagado, mas de pessoas que vivem fora da Graça de Deus.

Vós sois o sal da terra  capaz de transmitir o gosto pela vida, de dar sabor à realidade terrena e problemática em que vivemos, sem transformar o mundo numa “salmoura”. Como tempero, o sal só faz bem, quando usado em quantidade em sua justa medida:

  • Quando pouco, deixa o prato insosso;
  • Quando muito, estraga o alimento, tornando-o impróprio para o consumo. Mas usado na “justa medida” é ótimo para realçar o sabor da comida.

Mas nunca deve sobressair-se em um prato. Isto é, quando usado, é sempre imperceptível (invisível). Assim deve ser o cristão leigo, inserido na realidade secular: deve dar gosto ao mundo, sem aparecer demais!

Na época de nossos antepassados, o único modo de se conservar a carne ou o peixe era salgando, fazendo a salmoura. Trazendo para o nosso contexto, nossa missão neste mundo é conservar em nós a esperança de salvação oferecida por Jesus. Ele é a própria Salvação, a Luz! Somos as lâmpadas que irradiam a luz de Cristo. Pois fomos iluminados e por isso, podemos transmitir a luz a quem está na escuridão, quem se auto excluiu da salvação e perdeu-se no caminho. Fazemos isso, através dos exemplos de nossas vidas. Nisto consiste a frase do Pobrezinho de Assis: Tomes cuidado com a tua vida, talvez ela seja o único evangelho que muitas pessoas lerão.

Na primeira leitura de hoje, o profeta Isaías nos fala da correta interpretação do jejum. Não se trata de fazer alguma abstinência ou privação. Se o jejum é penitência, precisa necessariamente me conduzir à caridade, a abertura àquele que sofre! É ser luz na vida do outro: para faminto, para o sem-teto e para o nú. Assim, o salmo de hoje encontrará plena eficácia em nós: “Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez” (Sl 111). Nossa Justiça vem de Cristo, assim, somos chamados a ser luz! Como foi s. Paulo junto à comunidade de Corinto (segunda leitura). Ele mesmo diz que não pregou com palavras difíceis, “a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado”. Por isso, foi um homem luminoso (e iluminado por Cristo), apesar de ser frágil e amedrontado, como ele mesmo diz. E com a sua simplicidade de vida a Comunidade foi iluminada. Muitas vezes não conseguimos ser luz nem mesmo em nossa casa, junto a nossa família. Devido a nossa falta de exemplo, de paciência e de perseverança. Concluo com uma frase de um outro grande santo da Igreja, santo Antônio de Pádua:  “Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras”.

 

4º Domingo do Tempo comum, A.

Informações básicas:
– Abertura do Sermão da montanha, da missão de Jesus.
– Oração – adorar a Deus e amar as pessoas.
– 1ª Leitura Sf. 2,3;3,12-13, Sl. 145, 1 Cor. 1,26-31, Mt. 5, 1-12a.

Nota: Bem-aventurado, vem da palavra latina beatus que originou o termo Beatitude. No original grego, o vocábulo usado por Mateus é μακαριος (makarios), cujo significado lembra felicidade, alegria divina e perfeita; As Bem-Aventuranças (Beatitudes) também são conhecidas como Macarismos.

Bem-aventurados os pobres em espírito…

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Discorso della Montagna – Beato Angelico (1395-1455).

No inicio do ministério de Jesus, s. Mateus põe em evidência sua pregação, sua doutrina, isto é, seu ensinamento/programa de vida. Por isso, no capítulo 5, dá inicio ao seu belo discurso, conhecido como “Sermão da Montanha”, nosso trecho evangélico de hoje. Para nós, cristãos, é nossa Magna Carta!

…Subiu ao monte… → não se trata de indicação geográfica, mas sim, de um “monte” teológico, ou seja, porção de terra que aponta para o céu, lugar de encontro com Deus; Ele sobre, não como Moisés que buscava receber a Lei de Deus (cf. Ex. 32), mas subiu e simplesmente sentou-se.

…E sentou-se. → sentado como Mestre, a partir dele mesmo, fazer brotar para nós a sabedoria. Dando-nos a “Nova Lei”, que na verdade é uma Graça/Dom de Deus à Humanidade. Ele nos dá um retrato de si mesmo: homem perfeito, no qual Deus-Pai se compraz de modo pleno (cf. Mt. 3, 17).

As Bem-Aventuranças são características de Jesus, de sua pregação. Constituem um “caminho para a felicidade”. São constituídas de sete formas particulares e mais uma de fechamento (conclusão). Não constituem uma série ou coletânea de preceitos morais a serem praticados, mostrando-nos como proceder. Jesus não diz: “Vós deveis ser pobres”. Mas sim, “Já que o Reino dos céus é vosso, podeis reconhecer a vossa pobreza!”

Penso eu que a primeira Bem-Aventurança seja a mais importante, pelo simples fato de nos ajudar a viver também as demais. Por isso, nela me detenho nesta meditação:

“Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o Reino dos Céus”.

Os chamados “pobres em espírito” são os que têm consciência de sua pobreza, não somente em sentido material, mas especialmente a nível ontológico (no mais profundo do ser). Esta “pobreza ontológica” nos faz perceber que todo ser humano é pobre e finito. Somente em Deus somos realmente ricos. É dele que nos vem todo bem. Todo homem nasce nú e chorando e, também um dia  deixará esta terra da mesma forma que aqui chegou. Assim, todo homem, seja ele rico ou pobre materialmente, pode ser feliz, pois Deus é por nós!

Em meus poucos anos de ministério, encontrei pessoas ricas e humildes, bem como, pessoas pobres e extremamente soberbas. “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt. 6,21). Ao assumirmos nossa pobreza ontológica, percebemos que Deus é nossa única riqueza!

Na primeira leitura de hoje, o profeta Sofonias anuncia uma boa notícia em meio à tragédia exílica. Deus promete que deixará um punhado de homens humildes e pobres – o resto de Israel em sua terra, os que se manterão fiéis ao Senhor. Esses se sabem necessitados de Deus e amam as pessoas, esses sim podem buscar a Deus! A esses “pobres em espírito” Deus manifesta a sua predileção. Esses são verdadeiramente humildes, como afirma o salmo 145.

Já na segunda leitura, após elucidar a questão dos “partidos” existentes na comunidade de Corinto, s. Paulo esclarece que por mais que não existam muitos sábios dentre eles, mas são pessoas humildes e simples, os que Deus escolheu. Como ele mesmo diz: Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte. Deus faz grandes coisas a partir de pessoas modestas. O Senhor inverte a lógica do mundo, para que a glória pertença unicamente a Ele.

Somos hoje convidados a reconhecer nossa pobreza e deixemos Deus agir através de nós!

 

3º Domingo do Tempo Comum, A

Informações básicas:
– Convertei-vos e crede no Evangelho.
– Oração – Deus dirija nossa vida pelo seu amor para que frutifiquemos.
– 1ª Leitura Is. 8.23b-9,3; salmo 26; 2ª leitura 1 Cor 1,10-13.17; Ev. Mt 4, 12-23.

Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.

Com o trecho evangélico deste domingo, retomamos nossa leitura “semicontínua” do Evangelho de s. Mateus. Após seus Batismo e após saber da prisão de João Batista, Jesus, de certa forma, ocupa seu lugar no coração do povo.

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pintura:O Chamado, de Duccio di Buoninsegna.

Agora, Jesus não mais se retira a Nazaré, mas vai morar em Cafarnaum. Era uma cidade portuária de grande importância na Galileia, com grande fluxo de pessoas. Mateus especifica que Cafarnaum situava-se no antigo território das tribos de Zabulon e Neftali. O mesmo povo mencionado pelo profeta Isaías na primeira leitura, como sendo o povo que viva nas trevas, agora viu uma grande luz. As trevas mencionadas era a escravidão vivida séculos antes, por parte dos Assírios. Ali, onde o povo foi outrora abandonado, agora é lembrado por Deus.

Naquele local, Jesus começa a exercer seu ministério público. A luz mencionada pelo profeta é o próprio Jesus que vem trazer a todos uma nova perspectiva de Salvação. É luz porque ilumina a todos os que dele se aproximam. Em Jesus temos o pleno cumprimento desta profecia de Isaías.

O trecho evangélico segue, narrando o chamado dos primeiros apóstolos (enviados): Simão-Pedro e André; logo em seguida, Tiago e João. Sendo Luz, os primeiros “iluminados” foram esses apóstolos.

 A pregação de Jesus era regida por um lema: Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.

Convertei-vosμετανοειτε μετάνοια = metanóia: palavra grega e significa arrependimento, conversão (tanto espiritual, bem como intelectual), mudança de direção e mudança de mente; mudança de atitudes, temperamentos; caráter trabalhado e evoluído.

o Reino dos Céus está próximo βασιλεια των ουρανων : o Reino dos Céus não deve ser interpretado como sendo um lugar ou coisa, mas é uma pessoa: Jesus Cristo. Sua presença (seja ela física ou espiritual) constitui o Reino, tendo o Céu a sua origem e destinação.

A esta “iluminação” que nos é oferecida pelo Senhor Jesus, damos o nome de Batismo.  Pois por esta iluminação, contemplamos a santa luz da nossa salvação na qual vislumbramos as coisas divinas (s. Clemente de Alexandria, séc. II). É do Batismo que nasce nossa decisão de conversão.

Em nossa caminhada de batizados, arriscamos cair no erro da Comunidade de Corinto (segunda leitura), que foi dividida em partidos. S. Paulo hoje os exorta a serem concordes (Concórdia = CONCORS, “com o mesmo pensamento”, literalmente “corações unidos”). Viverem unidos, num só coração e alma. Pois Cristo não está dividido. E nós precisamos estar unidos a Ele, Nossa Luz e Salvação (sl. 26).

“Quem pratica a verdade aproxima-se da luz”
(São Clemente de Alexandria 150 – 215 dC).

2º Domingo do Tempo comum, A

Informações básicas:
– Testemunhar o Cordeiro de Deus.
– Oração – Escutai as preces do vosso povo.
– Leituras: Is 49,3.5-6; Sl 39; 1 Cor1,1-3; Jo 1,29-34

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

O trecho evangélico de hoje nos traz o momento em que João Batista reconhece Jesus e o aponta como “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Para nós, católicos, é uma invocação comum, pois em toda santa Missa, enquanto o sacerdote apresenta a hóstia, se repete a frase de João.

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Agnus Dei. Tela de Francisco Zurbarán (1640). 

Cordeiro indica sacrifício. O A.T. não menciona um “Cordeiro de Deus”, apenas o “Cordeiro Pascal”. O sangue do cordeiro macho e sem defeito livraria o povo da morte do corpo, assim como o Sangue de Cristo – Deus e Homem sem defeito, sem mácula – livraria os cristãos da morte da alma, após a nova Páscoa. O cordeiro imolado do A.T. era uma imagem do Cordeiro Imolado do N.T. A palavra “cordeiro”, talyâ’ em aramaico (língua usual na época de Jesus), também significa “servo”. Jesus é o Servo de Deus (cf. Is. 53), o Ministro que Deus instituiu dando uma missão importante. A característica desse Servo é ser sacrifício agradável a Deus.

 

João Batista ajuda os presentes a reconhecer que Jesus é o Filho de Deus (v. 34). E diz aos outros: Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. Por isso, é o Messias, o representante oficial para Salvação do mundo.

Na primeira leitura, Isaías se apresenta como sendo ele mesmo o Servo de Deus. O texto é de caráter profético. O profeta não fala somente de si mesmo, mas do Salvador. Assim, este texto é “chave de leitura” da Missão de Jesus: é o Cordeiro de Deus, Luz das Nações, o Escolhido para levar a Salvação a toda a Terra (cf. Is. 49,6).

Em nossa segunda leitura de hoje, s. Paulo nos relembra que somos chamados a sermos santos. Para isso, não é necessário “fazer grandes coisas”, mas sim, buscar cumprir a vontade de Deus em nossas vidas. Como o profeta Isaías e como Jesus, nosso Salvador. Façamos nossas, as palavras do salmista: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!

Deixemos diante do Altar do Senhor todos os obstáculos que nos impedem de sermos santos, homens e mulheres que buscam fazer a vontade do Pai.

 

 

Festa do Batismo do Senhor

Informações básicas:

– Batismo e Missão

– Oração – Renascidos da água e do Espírito, perseverar no amor de Deus.

– Leituras: Is 42,1-4.6-7; Sl 28; At 10,34-38; Mt. 3, 13-17.

“Então céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousar sobre ele”.

Hoje celebramosbatismo a festa do Batismo do Senhor. Todos os quatro evangelhos atestam sublime fato: Jesus Cristo foi batizado. João Batista vinha batizando com a missão de preparar o povo para a vinda do Cristo. Seu batismo era apenas para manifestar, como gesto/sinal exterior de uma conversão e abandono da vida de pecado.

Jesus, sendo Senhor e Deus, Justo e Santo,  vem e se coloca entre os demais homens pecadores para ser batizado. Fato curioso este! Lucas não nos diz de forma explícita o significado de tal fato. Já em Mateus, é o próprio Jesus que nos apresenta o motivo: “para que se cumpra toda a justiça (Mt. 3, 15). Ele é o Servo que  de Deus Pai que veio estabelecer a justiça.

A justiça de Jesus e santificar (justificar) todas as águas, a criação é refeita/regenerada pelo mergulho nas águas. Quando Jesus se deixa batizar, ele toma o mesmo gesto/ação e coloca um sentido novo: além de conversão, representa morte e vida nova.  Pelo batismo, fomos sepultados com Cristo e temos nele vida nova!  Assim como o servo da primeira leitura, o cristão deve viver e  praticar obras de justiça e da graça.

As fontes batismais do inicio do cristianismo eram verdadeiras piscinas. Possuíam sete degraus de um lado e mais sete do outro. Simbolizando os sete vícios capitais, os quais as pessoas devem abandonar, e outros sete degraus as sete virtudes opostas aos vícios, as quais o neófito deve cultivar:

7 Vícios  Capitais:

7 Virtudes Opostas:

Orgulho ou soberba

Humildade

Avareza

Generosidade

Inveja

Caridade

Ira

Mansidão
Luxúria ou impureza

Castidade

Gula

Temperança
Preguiça

Diligência

O céu se abriu: a oração é o lugar por excelência para o encontro com Deus e nosso Pai. Antes, quando estávamos no pecado, o céu estava fechado para nós. Mas em Jesus, o Filho de Deus, tudo isso é mudado! Como afirma São Paulo: “Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus” (Rm. 5,2). É Jesus quem nos abre o céu, por meio de sua Paixão-Morte-Ressurreição.

Por ele, somos chamados a perseverar no amor de Deus (oração-coleta).

Somos filhos de Deus no seu Filho! (Jesus óculos de Deus Pai).

Assim como a de Jesus, nossa missão se iniciou no batismo. Deus, que não faz distinção de pessoas (2ª. Leitura) dá o Espírito a todos os que são batizados. O Espírito, que é a força de Deus, nos anima a continuar nossa missão.

Jesus, logo que foi batizado, foi impelido pelo ao deserto para ser tentado/provado. Muitas pessoas vêm até nós e nos diz: “Nossa, depois que passei a frequentar a missas e que me tornei católico praticante, as coisas pioraram pra mim.” Acham mesmo que isso é verdade? Penso que realmente é. Porque abraçamos uma luta pela nossa salvação. Mas, como Jesus, possuímos a Força do alto, o Espírito Santo de Deus em nós. Não lutamos sozinhos, mas ele é por nós!

Precisamos ter o coração voltado para Deus, como São Paulo, que se gloriava/alegrava com as tribulações e dificuldades(cf. Rm 5, 3). Pois sabia que elas geram em nós a esperança da salvação que possuímos em Jesus. Nesta certeza, proclamamos com a vida e a palavra: Glória ao Senhor (cf. Sl. 28).