Oito conselhos práticos para todo católico.

1. Comece o dia com a oração, a sua Bíblia, e uma conversa com a sua Mãe.

biblia“Parece tão simples, mas eu não entendo por que alguns dias eu não consigo “encaixar” a oração.”  Os nossos dias precisam ser centrados em torno desse hábito.  Marque um encontro com Ele. Programar o alarme do celular para um momento em que você possa orar e não deixar Deus esperando. As manhãs são melhores, mas se não funcionar encontre um horário que funcione. Puxe sua Bíblia e leia uma ou duas linhas. As leituras da Santa Missa são uma ótima forma de começar. A meta para todos os católicos é rezar o Santo Rosário todos os dias, reze no transporte, no horário de almoço, durante os intervalos do trabalho para casa ou para a faculdade, com esforço é possível ao menos rezar um Santo Terço por dia. Se algum dia isso não for possível, se realmente aconteceu algo sério para que você não entregasse uma coroa de rosas, ao menos, a Mãe do Senhor, não durma sem entregar a Ela ao menos uma rosa, uma Ave-Maria.

“A oração é nada mais do que a união com Deus. Quando o coração é puro e unido a Deus ele é consolado e cheio de doçura; ele é ofuscado por uma luz maravilhosa “. – São João Maria Vianney.

2. Sorriso, seja gentil.

Você já ouviu o velho hino: “Eles saberão que somos cristãos pelo nosso amor, pelo nosso amor …”? (cf. Jo. 13, 35). Não é necessariamente verdade hoje. Os cristãos se tornaram tão rudes e irreverentes como todos os outros, às vezes até mais! Vamos recuperar o nosso amor cristão sorridente, dando o nosso assento no ônibus ou ajudando velhinhas a atravessar a rua.

“Vamos sempre conhecer uns aos outros com o sorriso, o sorriso é o começo do amor.”   – Madre Teresa.

3. Use as redes sociais! e chame um amigo para visitar um amigo.

Sim, eu sei que temos um monte de posts sobre como a mídia social é usada em demasia, mas vá em frente, use-a! No entanto, use-a de uma maneira que glorifique a Deus. Compartilhe uma escritura com um amigo. Pergunte como está um antigo colega. Comunicar-se com as pessoas para construir relacionamentos e que eles possam existir na pessoalidade também, que as redes não substituam o tempo de trocas pessoalmente.

“A amizade é a fonte dos maiores prazeres, e sem amigos mesmo as atividades mais agradáveis ​​se tornam tediosas.” –  São Tomás de Aquino.

4. Diga para alguém que você a ama e o porquê!

Eu não conheço ninguém que já tenha se cansado de ouvir que são amados. É ainda melhor quando lhes é dada uma lista de razões pelas quais são amáveis! Quer se trate de seus pais, irmãos ou suas próprias crianças, podemos tornar isso um hábito diário.

“Você aprende a falar falando, estudar estudando, correr, executando, trabalhar trabalhando e é só assim, você aprende a amar amando. Todos aqueles que pensam que podem aprender de qualquer outra forma estão enganando a si mesmos. ” – São Francisco de Sales.

5. Fale sobre Deus.

Fazer de Deus parte do seu dia, não apenas em seu tempo de oração. Trazê-Lo para as conversas com seus amigos, familiares e até colegas de trabalho se você puder. Falamos sobre coisas que amamos – filmes, restaurantes, as pessoas…, mas nós muitas vezes não conseguimos falar de Deus da mesma forma. Por isso, os gestos de piedade cristã são uma forma de evangelização singela e forte, nesse mundo em que já não temos mais nenhum lembrete social da nossa fé, portanto, fazer o Sinal da Cruz antes e depois das refeições, esteja você no refeitório, no restaurante ou num açaizeiro, quando passa em frente a uma Igreja, fazer um minuto de silêncio quando passa em frente a um cemitério ou um hospital se recolhendo em uma súplica silenciosa pelas almas, usar o crucifixo com piedade, falar que não pode ir ao churrasco de manhã no domingo pois é o horário da Santa Missa, tirar uns minutos do horário do almoço e ir ali no sacrário daquela Igreja perto do seu trabalho para adorar Jesus Eucarístico, fazer uma penitência na sexta-feira, essas pequenas atitudes evangelizam, falam de Deus no silêncio e são a força motriz do cristianismo autêntico.

“Mas isso não significa que devemos adiar a missão evangelizadora; em vez disso, cada um de nós deve encontrar maneiras de comunicar Jesus onde quer que estejamos. Todos nós somos chamados a oferecer aos outros um testemunho explícito ao amor salvífico do Senhor, que apesar de nossas imperfeições nos oferece sua proximidade, sua palavra e sua força, e dá sentido às nossas vidas. ” – Papa Francisco.

6. Sacrificar alguma coisa.

É tão importante que aprendamos a fazer sacrifícios diários e oferece-los ao Senhor. E não precisa ser algo louco. Pode ser: comer pão sem manteiga, desligar o rádio e dirigir em silêncio, ficar sem WI-FI por um dia. São as pequenas coisas que cultivam nossa santidade e nos ajudam a superar o nosso apego às coisas do mundo.

“Não há lugar para o egoísmo e não há lugar para o medo! Não tenha medo, então, quando o amor faz exigências. Não tenha medo quando o amor requer sacrifício. ” – São João Paulo II.

7. Servir de alguma forma.

Procure uma maneira de servir a alguém todos os dias. Mais uma vez, isso não tem que ser algo grande como ir para a África em missão. Você pode fazer a comida para a sua mãe, pagar o café para um estranho ou pegar o lixo quando você andar na rua. Não deixe passar um dia em que você não faça alguma coisa para alguém.

“Você sabe que nosso Senhor não olha para a grandeza ou a dificuldade da nossa ação, mas no amor com que você faz a ação. O que, então, você tem a temer? ” – Santa Teresa do Menino Jesus.

8. Refletir sobre o seu dia.

No final de cada dia, passe alguns minutos pensando sobre o seu dia. Um exame de consciência é uma ótima maneira de fazer isso. Existe alguém que você precisa perdoar? Existe alguém que você precisa pedir perdão? Pense sobre as maneiras pelas quais o Senhor foi providente com você e seja grato por Suas muitas bênçãos. Agradece- O! Pergunte a si mesmo: eu me direcionei para mais perto ou mais longe de Deus com minhas ações de hoje? Como posso fazer melhor amanhã?

“Você deve se esforçar com todo o cuidado possível para agradar a Deus, de tal maneira a não fazer nada, sem antes consultá-lo, e em tudo para buscar somente a Ele e Sua glória.” – Santo Afonso Rodriguez.

Bônus…

Toda semana:

  • Vá  à missa aos domingos (e mais frequentemente se você puder durante a semana);
  • Vá à Adoração do Santíssimo (de preferência, às quintas-feiras);
  • Reúna-se com um amigo pessoalmente e / ou ir a um encontro com o seu cônjuge;

Todo mês:

  • Vá  Confessar-se;
  • Exerça algum tipo de ministério (de ajuda com um grupo de jovens, servir em uma cozinha de sopa, etc.);
  • Leia um livro espiritual;
  • Reúna-se com um mentor (diretor) espiritual;

Todo ano:

  • Faça a um retiro.
Texto inspiração: Site Catholic Link English
Tradução e adendos: Ana Paula Barros
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FALSA IDOLATRIA: Os Iconoclástas (“quebradores de imagens”) de hoje – parte 2 .

Diante da tal matéria (citada anteriormente) qual dos lados estaria com a razão? Estaria a Igreja Católica infringindo o Mandamento de Ex. 20,4 ou estaria a Igreja aplicando-o conforme a vontade de Deus? 

Qual a diferença entre IMAGEM E ÍDOLO?

A imagem é muito mais do que uma simples escultura: na verdade é qualquer coisa que permite excitar a nossa vista, pouco importando se é uma escultura, um desenho, uma pintura, um objeto. Até mesmo os dicionários não religiosos são unânimes em afirmar que a imagem é a representação de um objeto pelo desenho, pintura, escultura, etc. Logo, uma pintura de Michelangelo é uma imagem da mesma forma que o desenho do tio Patinhas e o busto do Duque de Caxias também o são, de modo que não importa se a imagem está em “segunda dimensão” (podendo ser representada num plano x-y) ou em “terceira dimensão” (representada no plano x-y-z), mas que ela excite a vista e, por consequência, a imaginação, que é a capacidade de conceber abstratamente aquilo que é concreto, real.

pastor chuta santa
Inesquecível: pastor da “IURD” CHUTANDO IMAGEM – 1994.

Desta forma, uma imagem – principalmente a imagem religiosa – encerra um sentido muito mais profundo do que o próprio objeto. Ela, sem precisar – necessariamente – fazer uso da palavra, consegue falar e sensibilizar as pessoas com muito mais facilidade que ótimos oradores, pois carrega uma linguagem própria que nem sempre precisa excitar nossos ouvidos. É inegável o poder de persuasão da imagem: a TV (imagem) não suplantou o rádio (palavra)? São Paulo não se converteu ao Evangelho graças à visão resplandecente de Cristo no caminho de Damasco? Quantos homens também não se converteram por um simples olhar para uma imagem ou crucifixo mudos no interior de uma igreja? Até mesmo a Bíblia afirma que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn. 1,26-27). Vemos, assim, que o velho ditado “uma imagem vale mais do que mil palavras” é mais do que verdadeiro: é uma realidade.

Já o Ídolo não é – e jamais foi! – sinônimo de imagem. Ambos são distintos e inconfundíveis…

Ao contrário da imagem, que excita a vista, o ídolo é aquilo que substitui o único e verdadeiro Deus. Um bom exemplo, que confirma a nossa tese, é o episódio do bezerro de ouro narrado em Ex. 32: como Moisés demorava para descer do Monte Sinai, os hebreus fugitivos do Egito não tardaram a confeccionar um bezerro em ouro, a quem cultuaram como se fosse o verdadeiro Deus.

Elementos que caracterizam o ídolo(segundo Ex. 32,1b-2.4.6a) :

  1. Confunde-se com o verdadeiro e único Deus.
  2. São-lhe atribuídos poderes exclusivamente divinos.
  3. São-lhe oferecidos sacrifícios devidos ao verdadeiro Deus.
  4. A resposta da Igreja sobre a questão das imagens sacras já no séc. VIII

Com a eclosão da iconoclastia nos séculos VIII e IX, o Segundo Concílio de Nicéia, em 787, reafirmou solenemente a validade da veneração das imagens, não pelo valor do material em si, mas pelo valor das figuras que representam; seu culto, assim, é relativo, explicando-se pelo oferecimento indireto das orações àqueles que as imagens representam. Assim se definiram os padres conciliares na Sessão de 13 de outubro de 787:

“Definimos […] que, como as representações da Cruz, […] assim também as veneráveis e santas imagens, em pintura, em mosaico ou de qualquer outra matéria adequada, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas casas e nas estradas. O mesmo se faça com a imagem de Deus Nosso Senhor e de Jesus Cristo Salvador, com as da […] Santa Mãe de Deus, com as dos Santos anjos e as de todos os Santos e justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a se recordar dos modelos originais, a se voltar para eles, a lhes testemunhar… uma veneração respeitosa, sem que isso seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus”.

Portanto, se a História é realmente mestra da vida, como afirmava o filósofo Cícero, por que não aprendemos com os erros do passado e não abraçamos a Caridade verdadeira que nos ensina Nosso Senhor? Se sabemos que tantos cristãos foram torturados e mortos no período da perseguição iconoclasta, por que ainda alimentar a discórdia?

O que lemos em artigos como os que encontramos em blogues e sites que se dizem “apologéticos” (e não o são de fato!) só contribuem para um “proselitismo puritano” que nos escravizam e tiram nossa liberdade que temos em Cristo Jesus (cf. Gl. 2,4). Estranhamente, eles afirmam respeitar “todas as pessoas de todas as religiões”, mas não se dão ao respeito. Artigo condenável e totalmente desrespeitoso.

FALSA IDOLATRIA: Os Iconoclástas (“quebradores de imagens”) de hoje – parte 1.

cirio1Recentemente, enquanto fazia uma busca sobre o Círio de Nazaré (PA), me deparei com um infame site chamado: Centro Apologético Cristão de Pesquisas” (CACP), com um artigo intitulado “O pecado da idolatria”. Em tal artigo, trazia uma foto do Círio em Belém.

Isso foi o que me motivou a escrever algumas notas sobre o tema. É triste ver que muitas pessoas ao se depararem com tal artigo o tomam como verdade absoluta, sem criticidade alguma e , nem mesmo se dão ao trabalho de observar as suas fontes.

O ser humano, como ser dotado de razão, deve aprender com a sua História. A Igreja, como Instituição divino-humana, tem também a sua História.  E o que ela diz a este respeito?

Iconoclastia ou Iconoclasmo (do grego εικών, transl. eikon, “ícone”, imagem, e κλαστειν, transl. klastein, “quebrar”, portando “quebrador de imagem”) foi um movimento político-religioso contra a veneração de ícones e imagens religiosas no Império Bizantino que começou no início do século VIII e perdurou até ao século IX. [1] Os iconoclastas acreditavam que as imagens sacras seriam ídolos, e a veneração e o culto de ícones por conseqüência, – idolatria.

Em oposição a iconoclastia existe a iconodulia ou iconofilia (do grego que significa “venerador de imagem”), ao qual defende o uso de imagens religiosas, “não por crer que lhes seja inerente alguma divindade ou poder que justifique tal culto, ou porque se deva pedir alguma coisa a essas imagens ou depositar confiança nelas como antigamente faziam os pagãos, que punham sua esperança nos ídolos [cf. Sl 135, 15-17], mas porque a honra prestada a elas se refere aos protótipos que representam, de modo que, por meio das imagens que beijamos e diante das quais nos descobrimos e prostramos, adoramos a Cristo e veneramos os santos cuja semelhança apresentam. [2]

Clique aqui para a 2ª parte.

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[1] Иконоборчество. http://slovari.yandex.ru/dict/bse/article/00029/11700.htm?text=иконоборчество. Большая Советская Энциклопедия. издательство = Советская энциклопедия. 1969 — 1978
[2] Denzinger, Henrici; Hünermann, Petrus, Enchiridion symbolorum, definitionum et declarationum de rebus fidei et morum (Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral), Paulinas (publicado em versão portuguesa brasileira em 2007), pp. 460 (Denzinger-Hünermann [*1823).

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Um exemplo de ignorância:

22º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:

– Carregar a Cruz – Oração – Que Deus derrame seu amor. – Leituras: Jr 20, 7-9; Sl 62; Rm 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

“Se alguém quer me seguir renuncie-se a si mesmo”.

pedroDando seguimento à nossa leitura semicontínua do Evangelho de Mateus, nosso “companheiro de viagem” para este ano A. No domingo passado nós ouvimos a profissão de fé do apóstolo Simão-Pedro (cf. Mt. 16, 16). Todavia, Pedro ainda não é capaz de se lançar nesta fé professada. Com palavras afirmou que Jesus é o Cristo, mas quando Jesus anuncia que o Messias deverá sofrer muito e ser morto, Pedro reage mal. Pois não lhe agrada o que Jesus lhes diz.

Hoje Pedro não é “modelo de fé”, mas “modelo negativo” do discípulo contestador e crítico. Por isso, toma Jesus à parte e o repreende. A resposta de Jesus é clara: Vade retro satana. Numa tradução mais acertada do latim seria: Vai para trás de mim, satanás. → substantivo comum, diferente de nome próprio (Jesus não chama Pedro de Diabo!). Satanás ou Satã vem do hebraico: Satan, adversário, opositor, ou em sentido genérico: “pedra de tropeço”.  Portanto, no momento que Pedro adere a Jesus ele é “Pedra fundamental”, mas quando se opõe a Jesus, ele se torna “pedra de tropeço”.

A famosa frase: Vade retro satana, simboliza que no antigo discipulado, o Mestre (heb.: rabi) caminhava à frente dos seus discípulos (heb.: talmidim). Significando que o caminho para a sabedoria era traçado pelo mestre. Então, o que Jesus queria dizer a Pedro: tens uma mentalidade humana (mundana/ imanente) e por isso, precisa mudar sua maneira de pensar! Humanamente falando, Pedro não se alegrava em seguir um mestre que era fadado ao fracasso e a morte, era relutante em aceitar isso.

E a todos Jesus afirma: “Se alguém quer me seguir (ser meu discípulo), renuncie a si mesmo (a sua maneira de pensar), tome a sua cruz e me siga”. Jesus quer que seus discípulos aprendam a serem dóceis e apreendam a sua maneira de pensar. Aprender com o Mestre Jesus a tudo fazer como Ele!

Na primeira leitura (Jr 20,7-9), temos um outro modelo: o profeta Jeremias. Homem de temperamento forte, um apaixonado pregador da mensagem de Deus. Aqui se encontra em um momento difícil: sua missão de PROFETA que ANUNCIA a vontade de Deus (conversão) e ameaça calamidades; DENUNCIA o pecado do povo de Israel. Sua missão se tornou tão pesada que Jeremias era perseguido e humilhado. Agora, mostrando-se cansado, ele reclama com Deus, se sente seduzido, ou seja, enganado.  Ele quer desistir, mas reconhece que não pode. Porque arde dentro de si “um fogo”, isto é, a presença de Deus. Por isso, Jeremias deve dizer “Não” a si mesmo e às suas vontades.

No Salmo 62, intitulado: Oração do sedento de Deus, de alguém que deseja ardentemente a presença de Deus, a ponto de comparar seu desejo à necessidade vital de água. É alguém que diz “Não” a si mesmo para desejar o encontro com Deus.

Temos na segunda leitura (Rm 12, 1-2) uma exortação moral de s. Paulo. Ele nos pede para oferecer um sacrifício espiritual (racional/ da razão).  E nos pede: “Não vos conformeis (entrar na forma) com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar (mudando a mentalidade) e de julgar”.  Procurando fazer a vontade de Deus em nossas vidas.

Na caminhada/progresso de fé do discípulo missionário faz-se necessário esta mudança de mentalidade. Aliás, é aí que se começa a verdadeira conversão. Uma vez mais, afirmo: Jesus quer que seus discípulos aprendam a serem dóceis e apreendam a sua maneira de pensar. Aprender com o Mestre Jesus a tudo fazer como Ele. Como se sabe, “um cristão é outro cristo”. Portanto, diante das situações da vida cotidiana (sejam elas situações importantes ou ordinárias) faz-se necessário pensar: O que Jesus faria no meu lugar?

Fonte exegética: 

Don Claudio Doglio

8º Domingo do Tempo comum, Ano A.

Informações básicas:
– Providência de Deus.
– Oração – a paz na vida para servir na alegria.
– Leituras: Is 49, 14-15; Sl 62; 1 Cor 4, 1-5; Ev 6, 24-34.

Não vos preocupeis com o dia de amanhã.

A liturgia do 8º domingo nos propõe como trecho evangélico a última parte do grande discurso doutrinal de Jesus, o Sermão da Montanha. O Mestre nos dá uma “palavra” que nos convida a superar as preocupações.

Após o grande anúncio das Bem-Aventuranças, e o ensinamento da Nova-Lei, dada por Cristo, como “perfeição” que vem de Deus Pai, Jesus insiste na necessidade da confiança. A atitude do filho é de confiar em seu Pai.

Jesus começa usando uma figura que fala dos servos: Ninguém pode servir a dois senhores. Porém, não somos servos, mas nos tornamos filhos de Deus. Logo, é preciso rejeitar a servidão do mundo para sermos realmente filhos de Deus. Se, somos filhos, somos também herdeiros (Rm. 8,17), pois acolhemos a filiação que nos foi dada no batismo. Tornamo-nos capazes de fazer “o extraordinário” que é próprio de Deus. Esta é a confiança que expulsa qualquer preocupação!

gesu-mani-uccelliE o Senhor continua a usar figuras metafóricas para ilustrar seu ensinamento: os pássaros do céu e os lírios do campo… Não cultivam os grãos e nem fiam. Contudo, Jesus não nos diz: “não deveis trabalhar!” Ele quer que aprendamos a crer na Divina Providência, isto é, atrás das nossas ações existe um Pai que prevê e provê, ele cuida de nós!

Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso? Jesus nos convida a expulsar a preocupação (ansiedade), aquele medo, o apego em excesso às coisas deste mundo. O convite de Jesus é à confiança, ao trabalho com serenidade, sem ter aquela pretensão frenética de controlar tudo (o tempo, as pessoas e as circunstâncias…). Assim, nos lembremos da máxima de Santo Inácio de Loyola: “Orai como se tudo dependesse de Deus, e trabalhai como se tudo dependesse de vós”.

Para cada dia, bastam seus próprios problemas (suas preocupações). Portanto, vivamos “o hoje” com suas exigências, pois “o amanhã” está nas mãos de Deus. Igualmente, busquemos o Reino de Deus e a sua Justiça. Ou seja, abracemos o seu projeto de Salvação, seu estilo de vida, vivendo com agrada a Deus, do modo que Jesus nos ensinou. E todo o resto será consequência do nosso “sim” a Deus.

O tema da confiança em Deus também é tratado na primeira leitura deste domingo. Onde encontramos o Povo de Israel, humilhado pelo exílio da Babilônia (IV a.C.) sente-se abandonado por Deus e aflito. Isaías o exorta a ter coragem e confiar no Senhor. Existem sim mães que se esquecem de seus filhos, mas Deus nunca nos esquece!

Após aprendermos a valiosa lição da confiança no Pai, podemos recitar o salmo 61: Só em Deus a minha alma tem repouso, só ele é meu rochedo e salvação. É uma oração de confiança, de abandono em Deus. É Nele que encontramos o verdadeiro repouso!

E, na segunda leitura, s. Paulo escreve à tumultuada e crítica Comunidade de Corinto. Esta buscava compreender em profundidade o Projeto de Salvação de Deus. S. Paulo diz que o que realmente importa a nós é que sejamos fiéis. Por isso, confiemos em Deus! Aguardai que o Senhor venha.
Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações.
Não adianta nos agitar e nos preocupar com o futuro. Como verdadeiros filhos, estamos nos braços do Pai.

 Fonte exegética: Don Claudio Doglio

 

 

7º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:
Ser perfeito e santo é amar.
– Oração – conhecer o que é reto, para realizar a vontade de Deus.
– Leituras: Lv. 19, 1-2.17-18; Sl. 102; 1 Cor. 3,16-23; Mt. 5, 38-48.

Amai os vossos inimigos.

sermao_da_montanha7Uma vez mais, damos continuidade ao estupendo Sermão da Montanha. Ouvimos a doutrina da Boa Nova de Jesus, segundo s. Mateus. Ali transmite aos discípulos a Nova Lei, a qual não contradiz a Antiga Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento (cf. Mt. 5, 17).

Hoje, continuando o trecho evangélico da semana passada, temos as “antíteses”, compostas de cinco sentenças. Sendo três delas vistas no último domingo. E para hoje, restam ainda duas.

Jesus começa recordando a conhecida “Lei de talião”[1], isto é, a lei da retaliação. Onde se prega que a pena deve ser proporcional à culpa/dano causado. E Jesus nos propõe “algo a mais”, que vai além de uma simples justiça retributiva. Ele propõe um “dom de graça”, capaz de mudar, converter o coração do homem: “Não enfrenteis que é malvado!” (Mt. 5, 39). A nossa oposição ao malvado deve ser feita pondo em prática este “algo a mais”, com dose extra de Amor-Caridade.

“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’”(Mt. 5, 43). Esta segunda parte não é bíblica, mas sim uma explicação corrente na época: o inimigo/adversário perigoso, esse é digno de ódio. Jesus nos propõe uma atitude que vai “de encontro” ao inimigo. Não só amar o próximo, mas oferecer uma possibilidade àqueles que não são próximos ou ligados afetivamente a nós. É a possibilidade de por em prática este algo a mais.

“E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário?” (Mt. 5, 47).  Cumprimentar quem nos é amistoso é um gesto instintivo. Até um cão reage bem a quem lhe trata bem e rosna a quem lhe ameaça ferir. Muitas vezes nos comportamos assim: tratamos bem os amigos e nos consideramos os melhores cristãos. Jesus, quando nos propõe o algo a mais, não nos pede o impossível, mas nos dá a capacidade de fazer o extraordinário. É a Graça de Jesus que nos dá esta capacidade.

“Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt. 5, 48). Com o auxílio da Graça de Jesus podemos alcançar a perfeição, isto é a plena maturidade, porque somos filhos. O Pai é assim e nos transmite a sua capacidade de amar. Podemos ser maduros no modo de amar, como é o Pai.

A primeira leitura de hoje é composta por uma série de antigos preceitos, é a nobreza da Antiga Lei, mais conhecida como o Código de santidade do Levítico. Este culmina com o mandato do amor ao próximo (cf. Lv. 19, 18). Muito similar ao que nos foi transmitido por Jesus. Sendo o seu diferencial a sua própria Pessoa. Como Legislador, Ele deu aos seus discípulos a capacidade extraordinária, a conformação dos filhos ao Pai: Deus é Amor (I Jo. 4, 8) e, espera de nós gestos de amor.

Assim, como filhos do Pai misericordioso, podemos louvá-Lo, como o salmista no Salmo 102. Que eleva um grande louvor ao Deus da Misericórdia: “O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo”. Ele é Perfeito no amor e, nós como filhos, temos como herança a sua enorme capacidade de amar.

Na segunda leitura deste domingo, s. Paulo escreve aos Coríntios, fazendo uma séria exortação: não vos iludais com vossa autossuficiência, em serem autônomos. Pois a mentalidade deste mundo é insensatez. Ou seja, precisamos acolher a Sabedoria que vem de Deus e nos deixar formar por ela. Se acolhermos a Graça de Deus, teremos a possibilidade de sermos realmente sábios. “Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum… Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (I Cor. 3, 22-23).

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[1]lei de talião, do latim lex talionis (lex: lei e talio, de talis: tal, idêntico), também dita pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. Esta lei é frequentemente expressa pela máxima olho por olho, dente por dente. Os primeiros indícios do princípio de talião foram encontrados no Código de Hamurábi, em 1 780 a.C. no reino da Babilônia.

6º Domingo do Tempo Comum, Ano A.

Informações básicas:
o Amor como plenitude da Lei.
– Oração – Deus vive nos corações sinceros e retos, que os nossos sejam.
– Leituras: Eclo 15, 16-21; Sl 118; 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

Assim foi dito aos antigos; eu, porém, vos digo.

sermao-da-montanhaHoje, mais uma vez, ouvimos a doutrina da Boa Nova de Jesus, segundo s. Mateus. Em três capítulos o Evangelista expõe a doutrina cristã, tendo como “cenário” (ambiente) Jesus que ensina sobre a Montanha (cf. Mt. 5,1). Ali transmite aos discípulos a Nova Lei, a qual não contradiz a Antiga Lei, mas dar-lhe pleno cumprimento (cf. Mt. 5, 17).

No trecho deste domingo temos as “antíteses”, compostas de cinco sentenças, onde Jesus manifesta grande autoridade: “assim foi dito aos antigos… Eu, porém, vos digo…”. Esta contraposição não gera conflito, mas sim, completa o sentido da Lei. Ele mesmo já havia esclarecido isto antes. A obra de Jesus é favorecer a prática dos Mandamentos, até nas pequenas coisas!

Mas olhando de modo superficial, vemos grande rigorosidade neste ensinamento (quem nunca se encolerizou/sentiu raiva de um irmão?).  Vendo por este viés, não compreendemos a Boa Nova do ensinamento de Jesus. Em nosso olhar, temos que levar em conta que todos os Mandamentos são preceitos de ação que vai do exterior para o interior de quem os pratica. Os mestres da Lei (escribas) e os fariseus eram irrepreensíveis, do ponto de vista legal. Entretanto, Jesus não nos diz: “Sejam como os mestres da Lei e os fariseus”, mas sim, “se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (v 20).  [Interpreto aqui o conceito de justiça como correspondente à santidade]. Ou seja, Ele nos convida a superá-los! Mas como é possível?

O que Jesus nos propõe é Graça, é Dom de Deus. Como cristãos batizados e templos de Deus, temos a Sua força em nós (cf. Jo. 7, 38). Esta “força” é luz, é sabedoria que vem do próprio Deus! A Lei diz: “Não Matarás!” Porém, Jesus nos dá a possibilidade de irmos além: amar e tratar bem o irmão. Pois aquele que tem e age com Caridade cumpre toda a Lei (cf. Rm. 13, 10). O próprio Jesus nos deixou o exemplo. A Lei que Jesus propõe é Graça de uma vida nova, a possibilidade de cumprir em plenitude o que agrada a Deus.

Em nossa 1ª leitura, extraída do Eclesiástico (Sirácidas), o autor chamado Jesus Bensirac (mestre da Lei de Jerusalém, 180 a.C.) afirma que Deus nos dá a possibilidade de escolhas: “Diante de ti, Ele colocou o fogo e a água… Estão a vida e a morte, o bem e o mal; receberá aquilo que preferir” (Eclo. 15, 17-18). Quem põe a mão no fogo, se queima! Mas a ninguém Deus manda queimar-se. Mas nos indica o caminho do bem.

Jesus Cristo vai além, pois por sua Graça torna possível não apenas “fazer o bem”, mas de sermos bons, pela Bondade de Deus em nós! E nos dá a felicidade: “Feliz quem na Lei do Senhor Deus vai progredindo!” (Sl. 118).

Já na 2ª leitura, s. Paulo fala de uma sabedoria voltada para os “perfeitos” (cristãos conscientes e maduros). Sabedoria que não é terrena. Por isso, os grandes deste mundo não a conheceram. Para sermos homens e mulheres sábios, precisamos amadurecer na fé. Este é o caminho da vida, revelado a nós pelo Espírito: viver como Jesus (autênticos cristãos). “Que o vosso sim seja sim, e o vosso não seja não” (Mt. 5. 37). Assim, na sinceridade e autenticidade da vivência cristã, nós reinaremos com Ele.