2º Domingo do Tempo comum, A

Informações básicas:
– Testemunhar o Cordeiro de Deus.
– Oração – Escutai as preces do vosso povo.
– Leituras: Is 49,3.5-6; Sl 39; 1 Cor1,1-3; Jo 1,29-34

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

O trecho evangélico de hoje nos traz o momento em que João Batista reconhece Jesus e o aponta como “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Para nós, católicos, é uma invocação comum, pois em toda santa Missa, enquanto o sacerdote apresenta a hóstia, se repete a frase de João.

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Agnus Dei. Tela de Francisco Zurbarán (1640). 

Cordeiro indica sacrifício. O A.T. não menciona um “Cordeiro de Deus”, apenas o “Cordeiro Pascal”. O sangue do cordeiro macho e sem defeito livraria o povo da morte do corpo, assim como o Sangue de Cristo – Deus e Homem sem defeito, sem mácula – livraria os cristãos da morte da alma, após a nova Páscoa. O cordeiro imolado do A.T. era uma imagem do Cordeiro Imolado do N.T. A palavra “cordeiro”, talyâ’ em aramaico (língua usual na época de Jesus), também significa “servo”. Jesus é o Servo de Deus (cf. Is. 53), o Ministro que Deus instituiu dando uma missão importante. A característica desse Servo é ser sacrifício agradável a Deus.

 

João Batista ajuda os presentes a reconhecer que Jesus é o Filho de Deus (v. 34). E diz aos outros: Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. Por isso, é o Messias, o representante oficial para Salvação do mundo.

Na primeira leitura, Isaías se apresenta como sendo ele mesmo o Servo de Deus. O texto é de caráter profético. O profeta não fala somente de si mesmo, mas do Salvador. Assim, este texto é “chave de leitura” da Missão de Jesus: é o Cordeiro de Deus, Luz das Nações, o Escolhido para levar a Salvação a toda a Terra (cf. Is. 49,6).

Em nossa segunda leitura de hoje, s. Paulo nos relembra que somos chamados a sermos santos. Para isso, não é necessário “fazer grandes coisas”, mas sim, buscar cumprir a vontade de Deus em nossas vidas. Como o profeta Isaías e como Jesus, nosso Salvador. Façamos nossas, as palavras do salmista: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!

Deixemos diante do Altar do Senhor todos os obstáculos que nos impedem de sermos santos, homens e mulheres que buscam fazer a vontade do Pai.

 

 

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Festa do Batismo do Senhor

Informações básicas:

– Batismo e Missão

– Oração – Renascidos da água e do Espírito, perseverar no amor de Deus.

– Leituras: Is 42,1-4.6-7; Sl 28; At 10,34-38; Mt. 3, 13-17.

“Então céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousar sobre ele”.

Hoje celebramosbatismo a festa do Batismo do Senhor. Todos os quatro evangelhos atestam sublime fato: Jesus Cristo foi batizado. João Batista vinha batizando com a missão de preparar o povo para a vinda do Cristo. Seu batismo era apenas para manifestar, como gesto/sinal exterior de uma conversão e abandono da vida de pecado.

Jesus, sendo Senhor e Deus, Justo e Santo,  vem e se coloca entre os demais homens pecadores para ser batizado. Fato curioso este! Lucas não nos diz de forma explícita o significado de tal fato. Já em Mateus, é o próprio Jesus que nos apresenta o motivo: “para que se cumpra toda a justiça (Mt. 3, 15). Ele é o Servo que  de Deus Pai que veio estabelecer a justiça.

A justiça de Jesus e santificar (justificar) todas as águas, a criação é refeita/regenerada pelo mergulho nas águas. Quando Jesus se deixa batizar, ele toma o mesmo gesto/ação e coloca um sentido novo: além de conversão, representa morte e vida nova.  Pelo batismo, fomos sepultados com Cristo e temos nele vida nova!  Assim como o servo da primeira leitura, o cristão deve viver e  praticar obras de justiça e da graça.

As fontes batismais do inicio do cristianismo eram verdadeiras piscinas. Possuíam sete degraus de um lado e mais sete do outro. Simbolizando os sete vícios capitais, os quais as pessoas devem abandonar, e outros sete degraus as sete virtudes opostas aos vícios, as quais o neófito deve cultivar:

7 Vícios  Capitais:

7 Virtudes Opostas:

Orgulho ou soberba

Humildade

Avareza

Generosidade

Inveja

Caridade

Ira

Mansidão
Luxúria ou impureza

Castidade

Gula

Temperança
Preguiça

Diligência

O céu se abriu: a oração é o lugar por excelência para o encontro com Deus e nosso Pai. Antes, quando estávamos no pecado, o céu estava fechado para nós. Mas em Jesus, o Filho de Deus, tudo isso é mudado! Como afirma São Paulo: “Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus” (Rm. 5,2). É Jesus quem nos abre o céu, por meio de sua Paixão-Morte-Ressurreição.

Por ele, somos chamados a perseverar no amor de Deus (oração-coleta).

Somos filhos de Deus no seu Filho! (Jesus óculos de Deus Pai).

Assim como a de Jesus, nossa missão se iniciou no batismo. Deus, que não faz distinção de pessoas (2ª. Leitura) dá o Espírito a todos os que são batizados. O Espírito, que é a força de Deus, nos anima a continuar nossa missão.

Jesus, logo que foi batizado, foi impelido pelo ao deserto para ser tentado/provado. Muitas pessoas vêm até nós e nos diz: “Nossa, depois que passei a frequentar a missas e que me tornei católico praticante, as coisas pioraram pra mim.” Acham mesmo que isso é verdade? Penso que realmente é. Porque abraçamos uma luta pela nossa salvação. Mas, como Jesus, possuímos a Força do alto, o Espírito Santo de Deus em nós. Não lutamos sozinhos, mas ele é por nós!

Precisamos ter o coração voltado para Deus, como São Paulo, que se gloriava/alegrava com as tribulações e dificuldades(cf. Rm 5, 3). Pois sabia que elas geram em nós a esperança da salvação que possuímos em Jesus. Nesta certeza, proclamamos com a vida e a palavra: Glória ao Senhor (cf. Sl. 28).